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Mulher denuncia golpe em aluguel de imóvel de luxo

Filha da produtora cultural não conseguiu entrar no Brisas do Lago, em Brasília; corretor investigado em outros casos nega intenção de aplicar golpes

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Mulher denuncia golpe em aluguel de imóvel de luxo · Foto: Reprodução/Metropoles

Mulher denuncia prejuízo de R$ 12 mil em aluguel de imóvel em condomínio de luxo no DF

Uma produtora cultural de 63 anos denunciou ter sofrido um prejuízo de R$ 12 mil ao tentar alugar um imóvel para a filha no condomínio Brisas do Lago, localizado no Setor de Clubes Sul, em Brasília. Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles em 29 de outubro de 2026, a jovem não conseguiu entrar no empreendimento porque seu nome não constava na autorização de acesso da portaria, apesar dos pagamentos realizados durante a negociação.

O caso envolve Victor Rodrigues de Menezes, de 28 anos, corretor citado em investigações anteriores sobre suspeitas de fraudes no mercado de locação imobiliária do Distrito Federal. A produtora afirma que tentou resolver a situação sem sucesso e registrou ocorrência policial. O investigado, por sua vez, nega ter agido com intenção de aplicar um golpe e afirma que busca regularizar os valores pendentes.

Pagamento foi realizado, mas imóvel não foi liberado

De acordo com o relato apresentado ao Metrópoles, a produtora encontrou anúncios de imóveis na internet em setembro de 2026 e entrou em contato com o corretor para alugar uma residência no Brisas do Lago. Inicialmente, a negociação previa uma estadia de uma semana, para que a filha pudesse conhecer o local.

Após o envio de documentos e a realização dos pagamentos, a jovem tentou acessar o condomínio, mas não conseguiu entrar porque seu nome não estava incluído na autorização da portaria.

Diante do problema, as partes teriam combinado uma locação de um ano, aproveitando os valores já transferidos. Ao todo, a produtora afirma ter pago R$ 12 mil, divididos em duas parcelas de R$ 600 e outra de R$ 10,8 mil. Apesar do acordo, a residência não foi disponibilizada.

A mulher relatou que, a cada tentativa de mudança, surgia uma nova justificativa para o adiamento da entrega do imóvel.

Ocorrência policial e acordo de dívida

Segundo a reportagem, a produtora registrou um boletim de ocorrência na 5ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte, em 30 de setembro de 2026.

Em outubro, foi firmado um acordo de confissão de dívida no valor de R$ 16,2 mil. Até a publicação da notícia, entretanto, a mulher afirmava não ter recebido a devolução dos valores. O caso também está sendo discutido judicialmente, e a defesa da produtora chegou a solicitar a prisão preventiva do corretor.

A existência da denúncia e do acordo não significa, por si só, que todas as acusações tenham sido definitivamente comprovadas. A apuração das responsabilidades depende dos procedimentos policiais e judiciais pertinentes.

Corretor já havia sido investigado na Operação Delusio

Victor Rodrigues de Menezes foi um dos principais alvos da Operação Delusio, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal em setembro de 2024. Na ocasião, a investigação apurou suspeitas de uma estrutura criminosa que teria utilizado anúncios e uma empresa para oferecer imóveis de alto padrão e receber pagamentos sem entregar as residências prometidas.

Conforme informações divulgadas à época, pelo menos 23 juízes recém-empossados teriam sido vítimas de fraudes durante a procura por imóveis para alugar em Brasília. O prejuízo estimado pela investigação chegou a R$ 135 mil, e a Justiça determinou o bloqueio de R$ 266 mil em bens e valores dos investigados para possível ressarcimento.

A reportagem mais recente também menciona outra denúncia, apresentada por um casal de moradores do Gama. Eles afirmam ter transferido R$ 21 mil como caução para alugar uma casa na região de Ponte Alta Norte, mas dizem não ter recebido o imóvel. O caso segue em busca de solução judicial.

O Metrópoles informa ainda que o corretor foi condenado em outro processo a devolver mais de R$ 30 mil a uma cliente, com encerramento do caso após a penhora de um bem.

Investigado nega intenção de causar prejuízo

Procurado pelo Metrópoles, Victor afirmou que não houve tentativa de golpe nem intenção de prejudicar a produtora cultural. Segundo ele, o episódio decorreu de um problema no cumprimento do acordo ou contrato, que provocou atraso no pagamento.

O corretor também declarou estar em contato com a mulher para estabelecer uma forma de pagamento e regularizar a dívida.

A manifestação do investigado integra o relato do caso e deve ser considerada junto às denúncias apresentadas e aos procedimentos em andamento. A responsabilização por eventuais crimes depende da análise das provas e das decisões das autoridades competentes.

Como reduzir os riscos ao alugar um imóvel em condomínio

Casos de suspeita de fraude em locações reforçam a importância de verificar a legitimidade do anúncio e de quem conduz a negociação antes de transferir valores. A existência de fotografias profissionais, páginas na internet ou perfis em redes sociais não comprova, isoladamente, que o anunciante tenha autorização para alugar a propriedade.

Antes de realizar pagamentos, o interessado deve confirmar a identidade do proprietário ou representante, solicitar documentos que demonstrem a autorização para a locação e verificar se o imóvel realmente está disponível. Quando possível, uma visita presencial e a confirmação das informações com o responsável pelo empreendimento ajudam a reduzir riscos.

Também é recomendável formalizar as condições da locação por escrito, conferir os dados do beneficiário antes de fazer transferências e guardar anúncios, conversas, comprovantes e contratos. Em situações que despertem suspeitas, a orientação jurídica e o registro da ocorrência junto às autoridades podem auxiliar na proteção dos direitos do consumidor.

No caso relatado em Brasília, a dificuldade de acesso à portaria foi um dos sinais de que a negociação não estava ocorrendo conforme o esperado. Isso não significa que os condomínios ou os profissionais do setor estejam associados a esse tipo de prática. A ocorrência diz respeito a uma situação específica e não deve servir para generalizar acusações contra moradores, empreendimentos ou corretores de imóveis.