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Moradores questionam gestão de condomínio em Passo Fundo

Denúncias envolvem Tarifa Social de Água e Esgoto, prestação de contas e dificuldades para convocar assembleia no condomínio

Moradores denunciam supostas irregularidades na administração de condomínio em Passo Fundo
Foto: Reprodução

Moradores de um condomínio localizado no bairro Planaltina, em Passo Fundo (RS), registraram uma ocorrência na Polícia Civil para denunciar supostas irregularidades na administração do empreendimento. Os questionamentos envolvem a utilização da Tarifa Social de Água e Esgoto, a prestação de contas e dificuldades relatadas pelos condôminos para convocar assembleias.

O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento de Passo Fundo na noite de quinta-feira (4). Segundo a reportagem da Rádio Planalto, os moradores afirmam possuir documentos relacionados às contas de água e à movimentação financeira do condomínio.

Desconto da Tarifa Social é alvo de questionamentos

Um dos principais pontos apresentados pelos moradores envolve a Tarifa Social de Água e Esgoto. Criado pela Lei Federal nº 14.898/2024, o benefício é destinado a famílias de baixa renda que atendam aos critérios previstos na legislação.

A norma estabelece desconto de 50% sobre a tarifa aplicável à primeira faixa de consumo, limitado aos primeiros 15 metros cúbicos por residência beneficiada. A legislação também prevê que a classificação das unidades elegíveis seja feita automaticamente pelo prestador do serviço com base em informações do CadÚnico e de outros bancos de dados utilizados para essa finalidade.

De acordo com os moradores ouvidos pela Rádio Planalto, o condomínio passou a receber o benefício em março de 2025. Conforme os documentos apresentados por eles, o desconto teria sido aplicado sobre a fatura global de água do empreendimento.

Os denunciantes afirmam, porém, que a redução não teria sido repassada aos boletos individuais durante aproximadamente 18 meses. Segundo os relatos, os moradores continuaram pagando os valores integrais das cobranças, enquanto a diferença decorrente do benefício teria permanecido sob responsabilidade da administração.

A alegação ainda depende de apuração e da análise da documentação apresentada pelos envolvidos.

Moradores questionam prestação de contas

As dúvidas relacionadas às contas de água teriam levado os condôminos a buscar informações mais detalhadas sobre a situação financeira do condomínio.

Segundo os moradores, o grupo organizou um abaixo-assinado com o objetivo de convocar uma Assembleia Geral Extraordinária. A intenção seria solicitar esclarecimentos sobre a movimentação financeira, obter informações sobre a prestação de contas e discutir a continuidade da atual administração.

Os condôminos afirmam que o pedido não teria sido aceito pela administração. Também relatam uma tentativa de convocação para tratar da substituição do síndico, que, segundo eles, teria sido recusada.

A questão coloca em evidência a importância dos mecanismos de transparência e participação previstos na gestão condominial. A assembleia é um dos principais instrumentos para que os condôminos discutam decisões relevantes e acompanhem a administração dos recursos coletivos.

Documentos foram apresentados às autoridades

Na ocorrência registrada junto à Polícia Civil, os moradores informaram possuir documentos relacionados ao faturamento de água e às contas do condomínio.

O material poderá ser utilizado para esclarecer a origem do benefício tarifário, a forma como o desconto foi contabilizado e se houve ou não repasse aos moradores.

A existência de uma denúncia, entretanto, não significa que tenha sido comprovada a prática de irregularidades ou de crime. A apuração das autoridades deverá considerar documentos, registros financeiros e demais elementos que possam esclarecer os fatos.

Condomínio pode enfrentar novos questionamentos

Além da apuração policial, os moradores afirmaram que pretendem recorrer à Justiça para buscar medidas relacionadas à prestação de contas, à administração do condomínio e à realização de uma nova assembleia.

A iniciativa demonstra como conflitos relacionados à transparência financeira podem ultrapassar o ambiente interno do empreendimento quando os moradores não conseguem obter respostas consideradas suficientes.

Para evitar situações semelhantes, especialistas em gestão condominial recomendam que receitas, despesas, contratos, comprovantes e demais documentos financeiros sejam organizados e disponibilizados aos condôminos conforme as regras estabelecidas pela convenção, pelo regimento interno e pela legislação.

Transparência é ponto central na gestão

A prestação de contas ocupa posição estratégica na administração de qualquer condomínio. Além de permitir o acompanhamento das receitas e despesas, a organização documental facilita a fiscalização pelo conselho e pelos próprios condôminos.

Questões envolvendo descontos tarifários também exigem atenção, especialmente quando o benefício é aplicado sobre uma cobrança coletiva e posteriormente distribuído entre diferentes unidades.

No caso de Passo Fundo, a principal dúvida apresentada pelos moradores está justamente na diferença entre o desconto aplicado à fatura geral de água e os valores efetivamente cobrados de cada unidade.

A resposta dependerá da análise dos documentos e dos critérios utilizados pela administração para calcular os boletos durante o período questionado.

Assembleias fortalecem participação dos condôminos

A tentativa de convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária também chama atenção para a importância da participação dos moradores na administração do patrimônio comum.

As assembleias permitem que questões financeiras, administrativas e operacionais sejam apresentadas e debatidas coletivamente, além de possibilitarem a tomada de decisões dentro das competências previstas na convenção e na legislação.

Quando existem divergências sobre a gestão, a formalização dos questionamentos e a produção de documentos podem contribuir para reduzir conflitos e permitir que os fatos sejam analisados de maneira objetiva.

Caso ainda será apurado

Os moradores afirmam que pretendem buscar esclarecimentos por meio das autoridades e da Justiça. Até o momento, contudo, não há conclusão oficial sobre eventual irregularidade na administração do condomínio.

A própria reportagem da Rádio Planalto ressalta que as acusações apresentadas pelos moradores ainda precisam ser apuradas e que o registro de ocorrência, isoladamente, não comprova a prática de crime ou a responsabilidade dos envolvidos. A administração do condomínio também foi colocada à disposição para apresentar sua manifestação e esclarecimentos.

O caso reforça a importância de uma gestão condominial baseada em transparência, documentação e participação dos moradores. Quando surgem dúvidas sobre recursos, benefícios tarifários ou decisões administrativas, o acesso às informações e o funcionamento adequado dos mecanismos de fiscalização são fundamentais para preservar a confiança entre síndico, conselho e condôminos.

Fonte: Grupo Planalto de Comunicação