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Moradores denunciam superfaturamento de obra em condomínio de Mauá; síndico nega irregularidades e fala em perseguição

Acusação aponta indícios de fraude em orçamento que saltou de R$ 18 mil para R$ 290 mil; gestor afirma que processo seguiu normas, foi aprovado em assembleia e está sendo usado como instrumento político pela oposição interna.

Moradores denunciam superfaturamento de obra em condomínio de Mauá; síndico nega irregularidades e fala em perseguição
Foto: Foto: Reprodução

Moradores do Condomínio das Figueiras, em São Paulo, denunciaram o síndico, por suposto superfaturamento na obra de contenção de um talude e reconstrução de uma escada hidráulica. A intervenção foi iniciada em agosto deste ano e, segundo os condôminos, apresenta uma série de indícios de irregularidade, incluindo orçamentos incompatíveis, documentos alterados e possível fraude no processo de contratação.

As denúncias foram formalizadas por moradores que contestam o valor apresentado para a obra: R$ 290 mil. Segundo eles, uma empresa consultada teria recusado o serviço após informar que, em 2023, um trabalho semelhante custou apenas R$ 18 mil. Em assembleia, três propostas foram apresentadas — R$ 290 mil, R$ 297 mil e R$ 327 mil — mas moradores alegam que a escolha da empresa vencedora já estava “direcionada”.

Além do valor elevado, os condôminos apontam outras irregularidades: a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) teria sido registrada com valor de apenas R$ 5.000, um projeto técnico teria sido adulterado e o seguro da obra estaria em nome de outro condomínio. Para os denunciantes, o conjunto de indícios demonstra um possível superfaturamento com vantagem indevida.

O síndico rebate as acusações e afirma que todo o processo seguiu o rigor exigido pela legislação condominial. Em nota, Diego Lira declarou que a obra foi aprovada formalmente em assembleia, contou com análise técnica de engenheiro contratado e seguiu trâmites jurídicos após negativa de cobertura da seguradora, que classificou o problema como vício construtivo.

Segundo ele, o caso é resultado de uma “perseguição contínua” de um grupo de moradores contrários à gestão, motivada por disputas políticas internas. O síndico também informou que ingressou com pedido de produção antecipada de provas, que deve resultar em perícia judicial independente.

Do outro lado, os moradores contrários ao atual gestor ingressaram com ação judicial pedindo a suspensão do pagamento da obra e investigação completa do contrato. A Justiça ainda não analisou o pedido.

O episódio reforça a recorrente disputa em condomínios entre gestão, transparência, contratos de alto valor e fiscalização dos moradores — um cenário que exige controle jurídico, rigor documental e boa governança para evitar conflitos judiciais.

Fonte: Diário do Grande ABC