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Famílias denunciam controle de milícia em conjuntos habitacionais no Rio

Famílias da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, relatam exigência de R$ 100 mensais e ameaças de perda dos apartamentos; suspeita de participação policial também foi mencionada

De acordo com as denúncias, moradores que acumulam mais de 8 meses de divída são ameaçados de terem os imóveis vendidos.webp
De acordo com as denúncias, moradores que acumulam mais de 8 meses de divída são ameaçados de terem os imóveis vendidos · Foto: Reprodução/ CORREIO DA MANHÃ

Moradores denunciam cobrança atribuída a milícia e ameaças em condomínios do Minha Casa, Minha Vida no Rio

Moradores de conjuntos habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, localizados na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, denunciam ameaças e cobranças que atribuem à atuação de uma milícia na região. Segundo os relatos, integrantes do grupo teriam assumido o controle da administração dos condomínios e passado a exigir uma taxa mensal de R$ 100 das famílias.

As denúncias foram divulgadas pelo jornal Correio da Manhã em 3 de novembro de 2026. De acordo com os moradores ouvidos, quem acumula mais de oito meses de débito estaria sujeito a ameaças de expulsão do imóvel. Os apartamentos, segundo os relatos, poderiam ser retirados dos atuais ocupantes e revendidos ilegalmente pelo grupo.

Um dos denunciantes afirmou que uma mulher percorre os conjuntos habitacionais acompanhada de três homens armados para realizar as cobranças. O morador também relatou ter sido ameaçado com a possibilidade de perder o apartamento caso não quitasse uma dívida até 10 de novembro.

Moradores relatam cobranças e intimidação

Segundo os relatos, a pressão sobre as famílias não seria recente. Um dos moradores afirmou viver no conjunto há aproximadamente oito anos e disse que a região já registrava atuação de grupos milicianos, mas que teria ocorrido uma mudança no comando da organização há cerca de três anos.

As cobranças, conforme as denúncias, seriam realizadas diretamente nas portas dos apartamentos. A presença de pessoas armadas durante essas abordagens teria provocado medo entre os residentes, especialmente entre as famílias que dependem dos imóveis para moradia.

As acusações apontam para possíveis práticas de extorsão e controle ilegal de unidades habitacionais. Entretanto, as informações divulgadas até o momento correspondem a relatos de moradores e ainda dependem de investigação pelas autoridades.

Denúncia menciona possível envolvimento de policiais militares

Os moradores também levantaram suspeitas sobre uma possível participação de policiais militares do 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pelo policiamento em Jacarepaguá.

De acordo com um denunciante, viaturas teriam permanecido nas proximidades durante cobranças e acompanhado deslocamentos da mulher apontada como responsável por recolher os valores. A suspeita de que os veículos estariam oferecendo proteção ao grupo, porém, não foi confirmada oficialmente.

A Polícia Militar informou ao Diário do Rio, veículo que também noticiou o caso, que não havia recebido comunicação oficial sobre o episódio relatado. A corporação afirmou que não compactua com eventuais condutas irregulares de seus agentes e indicou os canais da Ouvidoria e da Corregedoria para o registro de denúncias e eventual apuração.

Polícia Civil orienta formalização das denúncias

Procurada pelo Correio da Manhã, a Polícia Civil informou que não havia registro de ocorrência com essas características na delegacia responsável pela região. A corporação ressaltou a importância de formalizar as queixas para que os fatos possam ser apurados e encaminhados às unidades especializadas, entre elas a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco).

A instituição também indicou o Disque Denúncia como alternativa para o envio de informações, com possibilidade de anonimato. O registro das ocorrências pode contribuir para a identificação dos envolvidos e para a adoção de medidas legais.

Até a divulgação das reportagens consultadas, não havia confirmação oficial das acusações de controle dos condomínios pela milícia nem da suspeita de participação de policiais nas cobranças.

Segurança dos moradores exige atuação das autoridades

O caso evidencia a vulnerabilidade de famílias que relatam sofrer intimidação dentro dos próprios conjuntos habitacionais. Quando há suspeita de extorsão, ameaças ou controle ilegal de imóveis, a apuração deve ser conduzida pelos órgãos competentes, com atenção à proteção de quem denuncia.

Em situações dessa natureza, moradores e representantes da administração não devem confrontar pessoas armadas ou tentar realizar investigações por conta própria. A comunicação às autoridades deve ocorrer por canais oficiais e seguros, preservando a identidade e a integridade dos denunciantes.

As denúncias na Colônia Juliano Moreira são específicas e não representam os empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida, seus moradores ou os condomínios residenciais em geral.