Moradores de condomínio em SP denunciam síndico por irregularidades
Manifestação no Jardim Íris reúne denúncias de problemas estruturais, supostos desvios de recursos, coação e irregularidades em votações; caso envolve boletins de ocorrência e processos judiciais

Moradores de condomínio em SP protestam contra síndico e denunciam irregularidades na gestão
Manifestação no Jardim Íris reúne relatos de problemas estruturais, supostas irregularidades financeiras, coação e questionamentos sobre votações; caso também envolve boletins de ocorrência e processos judiciais
Moradores de um grande conjunto habitacional localizado no Jardim Íris, na Zona Oeste de São Paulo, organizaram um protesto contra a administração do condomínio. Com faixas, cartazes e megafones, os participantes expressaram insatisfação com a gestão do síndico e apresentaram denúncias envolvendo a conservação das estruturas, a segurança dos moradores e a condução administrativa e financeira do empreendimento.
A manifestação terminou em confusão na portaria e exigiu a presença da polícia, conforme o relato apresentado no material da reportagem. Entre as reivindicações dos participantes estão a destituição do síndico e a realização de uma auditoria nas contas do condomínio.
O conjunto habitacional abriga mais de 12 mil moradores distribuídos em mais de 2,5 mil apartamentos. Segundo as informações relatadas, a taxa condominial supera R$ 1 mil por unidade, o que representa uma arrecadação mensal expressiva. Os moradores questionam a destinação dos recursos diante dos problemas de manutenção que afirmam enfrentar.
Problemas estruturais e reclamações sobre a manutenção
Entre as principais queixas apresentadas pelos moradores estão elevadores que apresentam falhas frequentes, rachaduras, infiltrações, alagamentos e problemas em áreas de convivência, como os salões de festas.
Também foram relatados vazamentos de água e gás, além da presença de animais peçonhentos nas dependências do condomínio. Os residentes afirmam que essas situações prejudicam a qualidade de vida e levantam preocupações sobre a segurança e a conservação do patrimônio coletivo.
A segurança também aparece entre os pontos de insatisfação. Cartazes exibidos durante o protesto mencionavam três assaltos em um intervalo de dois meses. Uma moradora relatou ainda que a fase 5 do empreendimento teria registrado três tentativas de invasão em três meses.
Segundo os relatos, a administração teria se recusado a fornecer imagens das câmeras de segurança para auxiliar investigações policiais. A apuração desse ponto depende da análise das circunstâncias de cada ocorrência e dos procedimentos adotados pela administração.
Ex-funcionária denuncia supostas irregularidades financeiras
Além das reclamações relacionadas à infraestrutura, a reportagem apresentou acusações de possíveis irregularidades na movimentação de recursos do condomínio.
Em áudios mencionados no material jornalístico, uma ex-funcionária afirmou que valores eram transferidos da conta do condomínio para contas de funcionários sob a justificativa de pagamento de premiações. Segundo o relato, ela teria recebido uma transferência de R$ 10 mil e, posteriormente, sido obrigada a devolver o mesmo valor à conta pessoal do síndico.
A ex-funcionária declarou possuir comprovantes das transações. As alegações, contudo, precisam ser verificadas pelas autoridades e não devem ser tratadas como fatos comprovados sem a devida apuração.
O caso levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle financeiro do condomínio, a documentação dos pagamentos e a fiscalização das movimentações realizadas com recursos coletivos.
Moradores questionam sistema de votação e convocação de assembleias
Outro eixo das denúncias envolve a realização de votações e a permanência do síndico no cargo. Moradores questionam as condições em que ele assumiu a administração após a morte do gestor anterior e alegam que o controle das senhas de acesso ao sistema de votação estaria concentrado nas mãos do síndico.
De acordo com Maria Azevedo, moradora citada na reportagem, os condôminos não conseguiriam alterar as próprias senhas, o que, segundo ela, permitiria interferências nos registros de votos. A denúncia precisa ser investigada para verificar se houve acesso indevido, alteração de registros ou comprometimento da integridade das votações.
Um ex-funcionário também relatou supostas práticas de intimidação e afirmou que trabalhadores recebiam ordens para retirar convocações de assembleias das caixas de correio dos moradores. Segundo ele, teria guardado provas relacionadas às ordens que afirma ter recebido.
Caso confirmadas, práticas que prejudiquem a convocação regular de assembleias ou a liberdade de participação dos condôminos podem comprometer a transparência e a legitimidade das decisões coletivas.
Caso envolve boletins de ocorrência e processos judiciais
Conforme as informações divulgadas na reportagem, a situação já teria motivado mais de 20 boletins de ocorrência e dezenas de processos judiciais ao longo de cinco anos.
Durante a cobertura do protesto, a equipe de reportagem relatou dificuldades para obter um posicionamento do síndico. Segundo o material, ele teria evitado contato com os jornalistas e impedido a entrada da equipe no condomínio. A repórter Marina Caixeta conseguiu acessar uma área comum como visitante autorizada por um morador, mas encontrou o escritório da administração fechado.
Os jornalistas também informaram que o síndico não respondeu às tentativas de contato telefônico. O relato não apresenta, no material fornecido, uma manifestação da administração sobre o conjunto das acusações.
A ausência de resposta durante a cobertura não comprova as denúncias. Para uma avaliação completa do caso, é importante considerar eventuais esclarecimentos da administração e os resultados das apurações policiais e judiciais.
Transparência e prestação de contas na gestão condominial
As denúncias destacam a importância de mecanismos de fiscalização e transparência na administração de condomínios. A prestação de contas, a documentação das despesas, o acesso dos condôminos às informações pertinentes e a regularidade das assembleias são elementos fundamentais para o acompanhamento da gestão.
Quando há suspeitas sobre movimentações financeiras ou sobre a validade de votações, a análise documental e os procedimentos de apuração podem ajudar a esclarecer os fatos. Auditorias independentes, quando adequadas ao caso, também podem contribuir para examinar receitas, despesas, contratos e registros administrativos.
Os moradores seguem reivindicando mudanças na gestão e uma auditoria nas contas do empreendimento. O desfecho das denúncias dependerá da apuração dos fatos e dos encaminhamentos administrativos, policiais e judiciais pertinentes.
As acusações relatadas neste caso ainda devem ser tratadas como denúncias, e não como irregularidades comprovadas, até que haja confirmação pelas instâncias competentes.