Moradora fica abalada após importunação em condomínio
Pedagoga registrou ocorrência, conseguiu medida protetiva e recebeu apoio da administração após vizinho ser flagrado diante da janela

Uma pedagoga que mora em um condomínio residencial no bairro Aviário, em Feira de Santana, na Bahia, afirma estar profundamente abalada após ser vítima de importunação sexual praticada por um vizinho. O caso ocorreu na noite da última sexta-feira (7) e foi registrado por câmeras de segurança.
As imagens mostram o suspeito se aproximando da janela do quarto da moradora e observando o interior da residência por pequenas frestas. Segundo o registro, ele também realizou movimentos nas partes íntimas enquanto permanecia próximo à janela.
A vítima registrou um Boletim de Ocorrência e solicitou uma medida protetiva, que foi deferida no domingo (9), conforme confirmação da delegada da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), Lorena Almeida.
Moradora foi alertada por vizinha
A pedagoga contou que não percebeu a presença do homem durante a ocorrência. Ela só tomou conhecimento do que havia acontecido depois de receber uma ligação de uma vizinha.
“Na sexta-feira, eu estava na minha casa, quando, por volta das 22h30, eu recebi uma ligação da vizinha perguntando se eu estava em casa e se eu tinha percebido que tinha encostado um homem na minha janela”, relatou.
A vizinha havia observado o homem próximo à residência e decidiu verificar as imagens das câmeras de segurança para confirmar o que estava acontecendo.
Segundo a vítima, foi somente depois de assistir às gravações que ela conseguiu compreender a situação.
Câmeras registraram movimentação
As imagens de segurança tiveram papel importante na comprovação da ocorrência.
De acordo com o relato da vizinha, o suspeito teria circulado repetidamente próximo à residência antes do momento registrado como ato de importunação.
“Quando eu fui examinar as câmeras com mais detalhes, eu percebi que ele, desde as 19h20 da noite, estava indo e vindo, várias vezes. De 19h20 até 22h30, minhas câmeras registraram nove vezes ele indo e voltando. Adentrava na garagem dela, olhava na janela e depois retornava”, contou a moradora.
Ainda segundo ela, o ato ocorreu por volta das 22h20.
Vítima afirma que não consegue dormir em casa
O episódio provocou forte impacto emocional na vítima, que afirma ter perdido a sensação de segurança dentro da própria residência.
“Eu estou muito abalada, desde sexta-feira para cá, é um pesadelo que eu venho vivendo. Eu não estou tendo paz dentro da minha casa, não estou conseguindo dormir na minha casa”, afirmou.
A pedagoga também declarou que passou a se sentir assustada diante de situações que remetem ao episódio.
“É uma sensação muito ruim, tudo é gatilho, estou muito assustada, muito abalada psicologicamente”, relatou.
Ela afirmou ainda esperar que o caso seja responsabilizado pela Justiça para evitar que outras pessoas possam ser vítimas.
Importunação foi registrada dentro do condomínio
Segundo o relato da vítima, a residência não possui muro, e o suspeito teria entrado na área da varanda para observar a janela do quarto.
A pedagoga explicou que havia um adesivo na janela, mas algumas frestas permitiam que uma pessoa posicionada do lado de fora conseguisse visualizar parte do interior do cômodo.
“Eu nunca na minha vida imaginei passar por isso, e não desejo a ninguém, nem uma mulher, nem um ser humano merece passar por uma situação dessa”, afirmou.
Vítima registrou ocorrência
Após tomar conhecimento dos fatos, a moradora procurou uma delegacia e formalizou a denúncia.
“Fui à delegacia, porque com certeza tinha que registrar. Prestei queixa, porque não poderia passar impune, e graças a Deus eu tinha como provar”, disse.
A existência das imagens foi considerada importante para documentar a ocorrência e auxiliar a apuração policial.
A vítima também solicitou uma medida protetiva contra o suspeito, posteriormente deferida pela Justiça.
Condomínio prestou assistência
A administração do Condomínio Ecoville informou que tomou providências após ter conhecimento do caso.
Segundo comunicado divulgado pela administração, a moradora foi acompanhada até a autoridade policial competente, com orientação do corpo jurídico e da assessoria do condomínio.
A administração também informou que disponibilizou às autoridades informações e elementos que poderiam contribuir para o esclarecimento dos fatos, observando as cautelas relacionadas à privacidade da vítima e à investigação.
Medida protetiva passou a ser observada
Após tomar conhecimento da decisão judicial, o condomínio informou que adotou providências para colaborar com o cumprimento da medida protetiva e preservar a segurança dos moradores.
A administração declarou ainda que o condômino envolvido não se encontra atualmente nas dependências do empreendimento.
O condomínio afirmou permanecer atento para impedir situações que possam representar risco ou violação das determinações judiciais vigentes.
Condomínio avalia medidas internas
Além das providências relacionadas à investigação policial e à medida protetiva, a administração informou que avalia medidas no âmbito condominial diante da gravidade do caso.
O comunicado cita o artigo 1.337, parágrafo único, do Código Civil, que prevê a possibilidade de aplicação de multa de até dez vezes o valor da contribuição condominial ao condômino ou possuidor que, por comportamento reiteradamente antissocial, gere incompatibilidade de convivência com os demais.
A aplicação de medidas condominiais, entretanto, deve observar as regras legais, a convenção, o regimento interno e as circunstâncias específicas de cada caso.
Câmeras são importantes para a segurança
O episódio também demonstra a importância dos sistemas de monitoramento em condomínios.
As imagens das câmeras ajudaram a registrar a movimentação do suspeito e forneceram elementos que contribuíram para a formalização da denúncia.
Além da instalação dos equipamentos, a administração deve estabelecer procedimentos adequados para armazenamento, acesso e disponibilização das imagens, especialmente quando houver uma ocorrência policial.
Segurança envolve moradores e administração
Casos de violência ou importunação dentro de condomínios exigem uma atuação cuidadosa da administração.
O síndico e os responsáveis pela gestão precisam acolher a vítima, preservar informações relevantes e colaborar com as autoridades, sem substituir as funções dos órgãos responsáveis pela investigação.
Também é importante evitar a exposição desnecessária da vítima e preservar sua privacidade durante todo o processo.
Caso reforça atenção à segurança condominial
A ocorrência em Feira de Santana chama atenção para uma questão que ultrapassa a segurança patrimonial dos condomínios: a necessidade de garantir que moradores possam utilizar suas próprias residências sem serem submetidos a situações de violência ou invasão de privacidade.
A adoção de sistemas de monitoramento, iluminação adequada, controle de acesso e protocolos de atendimento a ocorrências pode contribuir para aumentar a segurança.
No caso registrado, a existência das câmeras permitiu documentar parte da movimentação e auxiliar a vítima na formalização da denúncia.
Vítima busca recuperar sensação de segurança
Após o episódio, a moradora afirma que ainda enfrenta dificuldades para dormir e permanecer tranquila dentro de casa.
“Eu espero que justiça seja feita, que realmente ele pague pelo que ele fez, até mesmo para que ele não venha fazer outras vítimas”, declarou.
Enquanto a investigação segue, o condomínio informou que continuará colaborando com as autoridades e adotando as providências que estiverem dentro de suas atribuições.
O caso reforça a importância de protocolos de segurança, preservação de imagens, acolhimento às vítimas e atuação responsável da administração condominial diante de ocorrências que possam comprometer a segurança e a tranquilidade dos moradores.
Fonte: ACORDA CIDADE