Moradora enfrenta síndico e mobiliza condomínio
Assembleia convocada por condôminos da Tijuca revoga decisões unilaterais do síndico após atuação firme e embasada de dona Alzira

Moradora de 78 anos mobiliza condomínio da Tijuca e enfrenta síndico autoritário com base na lei
A história de convivência condominial no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, ganhou um novo capítulo de cidadania e participação ativa. Dona Alzira, uma moradora de 78 anos que vive há mais de três décadas no edifício, liderou uma mobilização exemplar contra decisões unilaterais tomadas pelo síndico Valter Jesus, conhecido por sua postura autoritária e pela falta de transparência na condução da administração.
O condomínio, composto por 60 apartamentos, já acumulava um histórico de descontentamentos e discussões internas, agravados pela ausência de diálogo e pelo aumento de medidas impostas sem consulta aos moradores. Restrições ao uso do salão de festas, alterações de horários em espaços coletivos como playground e academia, ausência de prestação de contas detalhada e falta de assembleias regulares tornaram o clima de convivência cada vez mais tenso.
Foi nesse contexto que Dona Alzira se destacou. Atenta ao regimento interno e à legislação condominial, ela percebeu que os direitos dos moradores estavam sendo ignorados. Por meio de conversas informais, reuniu relatos, percebeu a amplitude do descontentamento e deu início a um movimento organizado — sempre com cordialidade, firmeza e respaldo legal.
A mobilização começou com comunicados neutros deixados no hall, convidando os moradores para pequenas reuniões. Nessas conversas, Dona Alzira apresentou pontos do Regimento Interno e da Lei nº 4.591/1964, que trata da gestão condominial e estabelece a obrigatoriedade de assembleias periódicas e prestação de contas. O grupo também se embasou nos artigos 1.347 a 1.355 do Código Civil, que regulamentam procedimentos de administração e destituição do síndico.
Com apoio crescente, os condôminos seguiram todos os trâmites legais para convocar uma assembleia extraordinária. O edital foi devidamente publicado e o quórum qualificado, atingido. A reunião surpreendeu até os mais otimistas pela forte participação dos moradores, que decidiram enfrentar de forma democrática as decisões consideradas abusivas.
Durante a assembleia, conduzida de acordo com o Código Civil, Dona Alzira apresentou um documento reunindo as principais violações: restrições impostas sem justificativa, mudanças de horários sem consulta, falta de prestação de contas e ausência de assembleias obrigatórias. Moradores também relataram experiências e reforçaram a necessidade de uma gestão transparente e participativa.

Sem embasamento técnico para justificar suas decisões, o síndico viu as medidas serem contestadas e revertidas por votação. Os moradores decidiram restabelecer regras anteriores, exigir prestação de contas detalhada e retomar a gestão participativa do condomínio. Posteriormente, deliberou-se pela eleição de um novo representante.
O episódio marcou o prédio da Tijuca e trouxe lições importantes sobre convivência e gestão condominial. O protagonismo de Dona Alzira demonstrou que a participação ativa, o conhecimento da legislação e o respeito às normas são ferramentas capazes de transformar ambientes comunitários. A união dos moradores também reforçou o papel essencial das assembleias e da transparência para uma boa administração.
Desde então, o edifício passou a adotar práticas mais colaborativas, reafirmando a importância da ética, da comunicação clara e da participação democrática — independentemente da idade. A atuação de Dona Alzira tornou-se referência e inspiração para outros condomínios em todo o país.
Fonte: Revista Fórum