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Conflito entre moradores termina em prisão

Conflito teria começado por descumprimento de regras condominiais e evoluído para ameaças, agressões e ofensas homofóbicas, segundo a investigação

Morador é preso preventivamente após suspeita de perseguição e homofobia contra síndico em Porto Alegre
Foto: Foto: Reprodução

Um homem de 49 anos foi preso preventivamente em Porto Alegre (RS), na quarta-feira (9), suspeito de perseguir, ameaçar e agredir o síndico do condomínio onde mora. Segundo a Polícia Civil, o caso é investigado como perseguição, injúria homofóbica e homofobia.

De acordo com as autoridades, esta é a primeira prisão preventiva por homofobia registrada no Rio Grande do Sul. O suspeito foi localizado na região central da capital após a Justiça deferir o pedido de prisão.

Conflito teria começado com regras do condomínio

A vítima é um professor de 42 anos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que também exerce a função de síndico do condomínio onde os dois moravam.

Segundo a investigação, os desentendimentos começaram depois que o suspeito passou a morar no edifício, em 2025. Inicialmente, os conflitos estavam relacionados a questões condominiais, incluindo a realização de obras sem autorização, uso irregular do telhado e episódios de som alto durante a madrugada.

Na condição de síndico, a vítima teria cobrado a regularização das intervenções realizadas no imóvel, incluindo a apresentação de documentos técnicos e informações sobre o andamento das obras.

A partir dessas cobranças, conforme o inquérito, a relação entre os moradores teria se deteriorado.

Investigação aponta agressões e ofensas

Segundo a Polícia Civil, em determinado episódio o suspeito teria agarrado e empurrado o síndico, provocando uma lesão no braço da vítima.

Após esse episódio, teriam começado as manifestações de cunho homofóbico. Testemunhas ouvidas pela investigação relataram ter presenciado ofensas e situações de perseguição dentro do condomínio.

Ainda conforme os relatos reunidos pela polícia, o investigado teria perseguido a vítima pelas áreas comuns do prédio e feito ameaças. Em uma das situações relatadas, uma testemunha afirmou ter ouvido uma frase interpretada pela investigação como ameaça de morte.

A vítima também relatou outro episódio em que teria sido encurralada contra uma parede e ameaçada pelo morador.

Primeira prisão preventiva por homofobia no estado

A Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), responsável pela investigação, informou que a prisão preventiva foi solicitada diante da gravidade dos fatos apurados.

O delegado Vinícius Nahan afirmou que o caso se diferencia de outras ocorrências por envolver, segundo a investigação, uma combinação de violência física, perseguição e homofobia.

A investigação foi iniciada em junho, depois que o síndico procurou a polícia. Agora, as autoridades trabalham para concluir o inquérito e reunir elementos sobre os crimes investigados.

Conflitos condominiais podem ultrapassar a esfera administrativa

O caso chama atenção para os limites da atuação dentro dos condomínios. Divergências entre moradores relacionadas a obras, barulho e cumprimento das regras internas normalmente podem ser tratadas pelos mecanismos previstos na convenção, no regimento interno e na legislação.

Entretanto, quando situações de convivência evoluem para ameaças, agressões, perseguição ou outras possíveis práticas criminosas, a questão deixa de ser apenas condominial e pode exigir a atuação das autoridades competentes.

No caso investigado em Porto Alegre, a Polícia Civil apura justamente essa evolução: o que teria começado como um conflito relacionado às regras do condomínio passou a envolver acusações de perseguição, violência e homofobia.

Investigação ainda está em andamento

O homem preso preventivamente é investigado pelos crimes de perseguição, injúria homofóbica e homofobia. A prisão preventiva não representa condenação definitiva, e as acusações ainda dependem do andamento da investigação e das decisões judiciais.

Segundo a Polícia Civil, o inquérito tem prazo para ser concluído, quando deverão ser reunidos os elementos necessários para esclarecer as circunstâncias dos fatos e eventual responsabilização criminal.

Fonte: G1