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Moradia popular fica mais compacta em São Paulo

Com R$ 300 mil, comprador encontra 27 m² em Pinheiros e 52 m² no Tatuapé, mostrando o impacto do preço do metro quadrado na moradia

Moradia popular fica mais compacta em bairros valorizados de São Paulo
Foto: Pexels.

O mercado imobiliário de São Paulo evidencia como o preço do metro quadrado pode transformar o perfil dos imóveis disponíveis para quem busca moradia em diferentes regiões da cidade.

A discussão foi abordada pela colunista Duda Herriot, da CNN Brasil, em análise sobre os preços dos imóveis na capital paulista e a transformação de parte da moradia popular em apartamentos cada vez menores. A partir da pauta publicada pela colunista, o Condomínio Interativo desenvolve o tema sob a perspectiva do mercado imobiliário e da habitação.

Um dos exemplos apresentados na análise mostra que, com R$ 300 mil, o comprador encontra cerca de 27 metros quadrados em Pinheiros, enquanto o mesmo valor pode representar aproximadamente 52 metros quadrados no Tatuapé.

A diferença, de quase o dobro da área, revela como o valor disponível para a compra não determina sozinho o tamanho do imóvel. A localização tem papel decisivo nessa equação.

O preço do endereço pesa no tamanho do imóvel

Em Pinheiros, os R$ 300 mil correspondem a aproximadamente R$ 10,5 mil por metro quadrado. No Tatuapé, o mesmo orçamento representa cerca de R$ 5,4 mil por metro quadrado.

Na prática, isso significa que o comprador disposto a morar em uma região mais valorizada pode precisar aceitar uma unidade menor para permanecer dentro do mesmo orçamento.

Esse movimento ajuda a explicar a presença crescente de apartamentos compactos e studios em bairros onde o preço dos terrenos e dos imóveis é mais elevado.

Imóveis compactos ganham espaço

A redução da metragem aparece como uma das alternativas utilizadas pelo mercado para viabilizar empreendimentos em regiões valorizadas.

Com terrenos mais caros, diminuir a área privativa permite que o imóvel seja comercializado dentro de determinada faixa de preço, mesmo quando o custo do endereço é elevado.

O resultado é uma oferta crescente de unidades menores, especialmente para compradores que priorizam localização, acesso ao transporte público e proximidade de centros de emprego e serviços.

Habitação de Interesse Social busca aproximar moradores da infraestrutura

A questão também se relaciona à Habitação de Interesse Social (HIS).

Em São Paulo, a política busca estimular a produção de moradias destinadas a famílias de menor renda em regiões mais valorizadas e com maior oferta de infraestrutura urbana.

A proposta é evitar que a população de menor renda seja constantemente deslocada para áreas cada vez mais distantes dos locais de trabalho, transporte e serviços.

Nesse cenário, a localização passa a ser um componente importante da política habitacional.

O desafio de construir em regiões valorizadas

O problema é que aproximar a moradia popular de regiões valorizadas envolve uma equação complexa.

De um lado, existe o objetivo de oferecer habitação em áreas com infraestrutura e oportunidades. Do outro, estão os preços elevados dos terrenos e dos imóveis.

A diferença entre Pinheiros e Tatuapé ilustra essa dificuldade. Com o mesmo orçamento de R$ 300 mil, a metragem disponível pode variar significativamente dependendo do bairro.

Assim, em determinadas regiões, uma das alternativas encontradas pelo mercado passa pela construção de unidades cada vez menores.

Para quem essas unidades estão sendo destinadas?

Além do tamanho dos imóveis, outra questão levantada na análise é o uso efetivo das unidades produzidas dentro das políticas habitacionais.

A CPI das HISs, encerrada em maio, apontou 926 processos de apuração envolvendo mais de 170 mil unidades.

A investigação também chegou às plataformas digitais de locação. Airbnb, Booking e Quinto Andar foram notificadas para retirar anúncios de imóveis para temporada enquadrados nas categorias HIS e HMP.

O debate envolve justamente a necessidade de garantir que imóveis beneficiados por políticas habitacionais cumpram a finalidade para a qual foram destinados.

Dados não comprovam irregularidades nos studios de Pinheiros

Apesar das investigações, é importante fazer uma ressalva.

A análise publicada pela CNN Brasil destaca que os dados disponíveis não permitem afirmar que os studios identificados em Pinheiros sejam irregulares ou tenham sido transformados em imóveis destinados à locação por temporada.

Os dados mostram características dos imóveis e preços praticados, mas não identificam necessariamente a utilização de cada unidade.

Por isso, não é possível concluir, apenas com essas informações, que os apartamentos compactos encontrados no bairro estejam sendo utilizados de forma irregular.

Moradia popular precisa manter sua função

A discussão vai além do tamanho dos apartamentos ou do preço do metro quadrado.

A questão central é como ampliar o acesso à moradia em regiões bem localizadas e, ao mesmo tempo, garantir que as unidades produzidas por meio de políticas habitacionais permaneçam cumprindo sua função.

O exemplo dos R$ 300 mil mostra a dimensão do desafio: enquanto o mesmo orçamento pode comprar 27 m² em Pinheiros, pode alcançar 52 m² no Tatuapé.

A diferença reforça como o preço do endereço influencia diretamente o tipo de moradia que cabe no orçamento das famílias.

No caso das políticas de habitação social, o desafio não está apenas em colocar moradias populares em bairros valorizados, mas em garantir que essas unidades sejam efetivamente acessíveis e utilizadas para a finalidade habitacional prevista.

Fonte: Fonte: CNN Brasil | Coluna: Duda Herriot (Pauta desenvolvida com autorização da autora.)