Minha Casa, Minha Vida responde por 60% dos lançamentos imobiliários no Nordeste
Programa também representa 56% das vendas na região, enquanto mercado nordestino registra avanço nos lançamentos e na comercialização de imóveis

O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) responde atualmente por 60% dos lançamentos imobiliários e 56% das vendas de imóveis no Nordeste, segundo dados apresentados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) durante o Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores Nordeste, realizado no Recife.
Os números reforçam a participação crescente da habitação de interesse social na dinâmica do mercado regional. O encontro ocorreu na sexta-feira (18) e reuniu representantes de construtoras, entidades do setor e órgãos públicos para discutir crédito, financiamento, FGTS e novas alternativas de acesso à moradia.
Nordeste registra avanço nos lançamentos
Os dados mais recentes dos Indicadores Imobiliários Nacionais da CBIC mostram que o mercado nordestino apresentou crescimento de 24,6% nos lançamentos no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. As vendas de imóveis residenciais novos também avançaram 13,6%.
Com esse resultado, o Nordeste apresentou o maior crescimento regional nos lançamentos durante o período. A expansão ficou acima dos índices registrados pelo Centro-Oeste, de 19,1%, e pelo Sudeste, de 1,2%. No Sul e no Norte, houve retração.
A participação do MCMV ajuda a contextualizar esse desempenho. No segundo trimestre, o programa representou 60% dos lançamentos imobiliários nordestinos, percentual que ficou abaixo apenas do registrado na região Norte, de 68%.
No cenário nacional, o programa alcançou 58% dos imóveis residenciais lançados no segundo trimestre, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2019. Foram 62.129 unidades enquadradas no MCMV, diante de 45.032 lançamentos dos demais padrões.
Crédito permanece no centro das discussões
Durante o encontro realizado no Recife, representantes da construção civil destacaram a necessidade de ampliar e diversificar as fontes de financiamento para sustentar a atividade imobiliária.
Entre os temas discutidos estiveram os recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), do FGTS e do mercado de capitais, além das perspectivas para o próprio fundo utilizado no financiamento habitacional.
Também entraram no debate alternativas de acesso à moradia, incluindo modelos de locação acessível, que podem ampliar as possibilidades para famílias que enfrentam dificuldades para adquirir um imóvel.
A vice-presidente da CBIC e diretora de Assuntos Imobiliários do Sinduscon-PE, Betinha Nascimento, destacou a importância de ampliar a participação do Nordeste nas discussões nacionais relacionadas ao setor.
Segundo ela, crédito, habitação, mercado imobiliário e novas formas de acesso à moradia estão diretamente relacionados ao desenvolvimento da atividade da construção e às necessidades habitacionais da população.
Financiamento influencia ritmo da construção
Os indicadores da CBIC também apontam crescimento expressivo do crédito destinado à construção. No primeiro semestre de 2026, as concessões do SBPE para aquisição de imóveis chegaram a R$ 67,2 bilhões, alta de 12% em relação ao mesmo período de 2025.
Para a construção, os recursos passaram de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões, avanço de 107%. O cenário demonstra a relevância das condições de financiamento para a manutenção dos lançamentos e para a capacidade das empresas de ampliar a oferta de novos empreendimentos.
No segundo trimestre, foram comercializadas 113.676 unidades residenciais novas em todo o país, crescimento de 5,3% na comparação anual. No primeiro semestre, as vendas chegaram a 226.536 unidades, alta de 5,4%.
Habitação social amplia presença entre as incorporadoras
A participação das empresas privadas na produção de habitação de interesse social também foi destacada durante o encontro. A vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês Magalhães, apontou a consolidação desse segmento como uma mudança relevante no mercado brasileiro.
Segundo a representante da instituição, a participação do setor privado permite ampliar a produção de moradias destinadas a uma parcela significativa da população e contribui para a continuidade do programa habitacional.
O diretor da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Fabrício Andrade Lebeis, também ressaltou a interlocução entre o poder público e o setor privado nas políticas relacionadas à habitação.
Oferta e demanda seguem influenciando o mercado
Apesar do avanço dos lançamentos e das vendas, a oferta de imóveis novos no Nordeste recuou 3,3% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026. Na comparação anual, a redução foi de 0,4%.
Os números indicam que a expansão da comercialização ocorre em um cenário no qual incorporadoras precisam equilibrar o ritmo de novos projetos com a demanda efetivamente existente em cada mercado local.
No mercado nacional, os imóveis de dois dormitórios concentraram 65,2% das vendas no segundo trimestre, enquanto unidades de um dormitório representaram 23,1%. O levantamento também identificou aumento na intenção de compra: 52% dos entrevistados declararam pretender adquirir um imóvel nos 24 meses seguintes, contra 49% um ano antes.
Para o Nordeste, o desempenho do MCMV evidencia a importância dos programas habitacionais, do crédito e das condições de financiamento para o funcionamento do mercado. Ao mesmo tempo, a evolução dos lançamentos e das vendas mantém a necessidade de acompanhar oferta, demanda e capacidade de financiamento para diferentes perfis de compradores.
O cenário apresentado pela CBIC coloca a habitação de interesse social como um dos principais componentes da atividade imobiliária regional, enquanto o setor busca alternativas para ampliar o acesso à moradia e sustentar a produção de novos empreendimentos.