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Minha Casa, Minha Vida amplia participação nos lançamentos e vendas de imóveis no Brasil

Programa respondeu por mais da metade das unidades lançadas e comercializadas em 221 cidades no segundo trimestre de 2026

Minha Casa, Minha Vida amplia participação nos lançamentos e vendas de imóveis no Brasil

O programa Minha Casa, Minha Vida ampliou sua participação no mercado imobiliário brasileiro e passou a representar mais da metade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais no segundo trimestre de 2026. Os dados fazem parte do levantamento de Indicadores Imobiliários Nacionais realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, e apresentado durante o Summit Construção Civil. A pesquisa considera 221 cidades brasileiras, incluindo capitais, regiões metropolitanas e os principais mercados imobiliários do país.

Entre abril e junho, foram lançadas 107.161 unidades residenciais nas cidades pesquisadas. Desse total, 62.129 unidades estavam enquadradas no Minha Casa, Minha Vida, o equivalente a 58% dos lançamentos. O percentual representa a maior participação do programa desde o início da série histórica, em 2019. No primeiro trimestre de 2026, a participação havia sido de 50%, o que demonstra o avanço registrado ao longo do ano.

O crescimento também aparece nas vendas. Das 113.676 unidades residenciais comercializadas no segundo trimestre, 58.392 pertenciam ao programa habitacional, correspondendo a 51% do total. Em comparação com o primeiro trimestre, as vendas de imóveis enquadrados no Minha Casa, Minha Vida cresceram 5%, passando de 55.596 para 58.392 unidades.

O desempenho do programa ocorre em um cenário de juros ainda elevados e de crédito imobiliário mais caro. Mesmo diante dessas condições, o mercado residencial apresentou crescimento nas vendas no primeiro semestre. Entre janeiro e junho de 2026, foram comercializadas 226.536 unidades, aumento de 5,4% em relação às 214.910 unidades vendidas no mesmo período de 2025.

Os lançamentos, por outro lado, permaneceram praticamente estáveis no acumulado do primeiro semestre. Foram 211.651 unidades lançadas entre janeiro e junho, contra 212.338 no mesmo período de 2025, uma redução de apenas 0,3%. No segundo trimestre, os lançamentos cresceram 2,6% em relação aos três primeiros meses do ano, mas ficaram 1,3% abaixo do resultado registrado no segundo trimestre de 2025.

A participação do Minha Casa, Minha Vida varia entre as regiões brasileiras. No segundo trimestre, o programa respondeu por 68% dos lançamentos no Norte, 66% no Sudeste, 60% no Nordeste e 52% no Centro-Oeste. No Sul, a participação foi menor, chegando a 29% dos lançamentos.

Os números indicam que o programa possui papel relevante para a sustentação do mercado imobiliário, especialmente em um momento em que as condições de financiamento ainda representam um obstáculo para parte dos compradores. Segundo avaliação apresentada pela CBIC, a manutenção da demanda demonstra potencial de expansão do setor caso as condições de crédito melhorem.

O avanço do Minha Casa, Minha Vida também modifica a composição dos lançamentos realizados pelas incorporadoras. Com mais unidades enquadradas no programa, empresas do setor passam a direcionar parcela significativa de seus projetos para famílias que dependem das condições específicas de financiamento e dos critérios de enquadramento da política habitacional.

No primeiro trimestre de 2026, o Minha Casa, Minha Vida já havia sido responsável por 49% das vendas de imóveis residenciais nas 221 cidades analisadas pela CBIC. Naquele período, foram comercializadas 54.510 unidades enquadradas no programa. O resultado do segundo trimestre, portanto, representa uma ampliação da participação nas vendas e confirma a relevância do segmento ao longo do ano.

O crescimento da participação também ocorre em um momento de expansão das medidas de apoio ao programa. Em setembro, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ampliou em R$ 500 milhões os recursos destinados a descontos para imóveis do Minha Casa, Minha Vida nas faixas 1 e 2. A medida reforça a presença do programa no mercado habitacional e busca ampliar as condições de acesso ao imóvel para famílias enquadradas nessas categorias.

Para o mercado da construção civil, o desempenho do programa possui impacto direto sobre o volume de novos empreendimentos e sobre a atividade das incorporadoras. A concentração de lançamentos dentro do Minha Casa, Minha Vida ajuda a manter a produção de unidades residenciais mesmo em um ambiente de financiamento mais restritivo.

Além da quantidade de unidades, os dados mostram uma mudança na composição da demanda. Enquanto os lançamentos totais apresentaram estabilidade no primeiro semestre, as vendas avançaram 5,4%. Isso significa que o mercado conseguiu comercializar mais imóveis mesmo sem registrar crescimento equivalente na quantidade de novos empreendimentos colocados à venda.

A diferença entre lançamentos e vendas também pode influenciar os estoques disponíveis no mercado. Quando as vendas crescem em ritmo superior aos novos lançamentos, parte das unidades disponíveis tende a ser absorvida, o que pode contribuir para a manutenção do equilíbrio entre oferta e demanda em determinados mercados.

No caso do Minha Casa, Minha Vida, esse movimento ganha importância porque o programa atende uma parcela significativa da demanda residencial brasileira. A expansão de sua participação nos lançamentos e nas vendas demonstra que o segmento habitacional subsidiado ou enquadrado nas condições específicas do programa ocupa posição cada vez mais relevante na atividade imobiliária nacional.

O desempenho, entretanto, continua relacionado às condições de financiamento. Os juros elevados aumentam o custo dos empréstimos e podem limitar a capacidade de compra das famílias. Por isso, mudanças nas condições de crédito podem alterar tanto o ritmo das vendas quanto a estratégia das incorporadoras para os próximos períodos.

O cenário registrado no segundo trimestre de 2026 mostra, portanto, um mercado imobiliário que mantém crescimento nas vendas mesmo diante de restrições financeiras. Dentro desse contexto, o Minha Casa, Minha Vida se consolidou como um dos principais componentes da atividade imobiliária, respondendo por 58% dos lançamentos e 51% das vendas no período analisado.

A evolução do programa também reforça a importância da habitação de interesse social para a construção civil. A demanda por imóveis enquadrados no Minha Casa, Minha Vida influencia decisões de incorporadoras, planejamento de novos empreendimentos, geração de empregos e movimentação da cadeia produtiva ligada à construção.

Com a participação do programa alcançando o maior nível da série histórica de lançamentos, o mercado imobiliário brasileiro passa a ter uma parcela ainda maior de sua atividade vinculada às condições de financiamento e às políticas habitacionais. Os próximos resultados deverão mostrar se esse peso continuará crescendo e como as mudanças nas condições de crédito poderão influenciar a oferta e a demanda por imóveis residenciais no país.