Milícia suspeita de controlar condomínio e extorquir no RJ
Investigação aponta que grupo afastou síndicos, impôs cobranças ilegais e ameaçou moradores de expulsão de suas próprias casas em Nova Iguaçu

Operação mira milícia suspeita de extorquir moradores e controlar condomínio no RJ
A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou, na quarta-feira (14), uma operação contra uma milícia suspeita de ameaçar moradores e controlar a administração do Condomínio Jardim Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O grupo é ligado a Gilson Ingrácio de Souza Junior, conhecido como Juninho Varão, e é investigado por impor cobranças ilegais às famílias que vivem no residencial. Um policial militar da ativa também está entre os alvos da operação.
Agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) saíram para cumprir dois mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa. Segundo a Polícia Civil, nove integrantes do grupo foram identificados e indiciados durante as investigações.
Moradores eram obrigados a pagar taxa de segurança
A investigação começou após denúncias de moradores. Conforme a Polícia Civil, integrantes da milícia cobravam de cada família uma suposta “taxa de segurança” de até R$ 70 mensais. As extorsões, segundo as apurações, movimentavam entre R$ 80 mil e R$ 100 mil por mês.
A área explorada pelo grupo é formada por 12 quadras, com cerca de 100 apartamentos distribuídos em diferentes blocos. Os moradores seriam submetidos a ameaças de violência e até de expulsão das próprias casas caso não efetuassem os pagamentos exigidos.
Durante as diligências, uma equipe policial apreendeu um porrete que, segundo a investigação, seria utilizado nas intimidações. Também foram recolhidos chaves, envelopes e um distintivo da Polícia Militar supostamente falso.
Grupo teria interferido na administração do condomínio
Além das cobranças ilegais, os investigadores identificaram indícios de interferência da milícia na administração do residencial. Segundo a Polícia Civil, integrantes do grupo teriam indicado síndicos para os prédios depois que os administradores titulares foram expulsos.
A estrutura criminosa contaria com divisão de tarefas para organizar as cobranças, fiscalizar os pagamentos e prestar contas à liderança. Dessa forma, a investigação aponta que o controle administrativo dos edifícios teria sido utilizado para facilitar a arrecadação e manter a pressão sobre os moradores.
A Polícia Civil também apura a morte de um morador, que pode ter relação com a atuação do grupo. As circunstâncias do caso seguem sob investigação.
Policial militar é alvo de busca e apreensão
O policial militar da ativa Carlos Luis Torres Correia, conhecido como Carlão, está entre os alvos dos mandados de busca e apreensão. De acordo com a Polícia Civil, ele exerceria influência na administração do condomínio e manteria contato direto com a liderança da milícia.
Os investigadores apuram se a condição de autoridade do agente e o temor que ele provocaria entre os moradores eram utilizados para pressionar as famílias a pagar as cobranças ilegais.
Carlão negou envolvimento com a milícia que atua no condomínio. As suspeitas contra ele fazem parte da investigação policial e ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes.
Dois suspeitos de comandar as cobranças são considerados foragidos
Os mandados de prisão preventiva têm como alvos Felipe Alves da Silva, conhecido como Felipinho ou Portugal, apontado pela polícia como homem de confiança de Juninho Varão e responsável por comandar as cobranças, e Marcos Francisco dos Prazeres Júnior, o MJ, identificado como um dos responsáveis pelas cobranças e intimidações.
Segundo as informações divulgadas, os dois não foram encontrados durante a operação e são considerados foragidos.
Em março, a polícia prendeu Jéssica Dantas de Souza, esposa de Felipinho, em outra operação. De acordo com as investigações, ela seria responsável por organizar as cobranças feitas aos moradores.
Polícia investiga estrutura financeira e operacional da milícia
A operação busca desarticular os núcleos operacional e financeiro da organização criminosa, interromper a arrecadação ilegal e aprofundar as apurações sobre a possível participação de agentes públicos no esquema.
Na semana anterior, a Draco já havia prendido dois suspeitos de integrar a milícia ligada a Juninho Varão. As prisões ocorreram no bairro Valverde, também em Nova Iguaçu. Segundo as investigações, Bruno da Silva Ribeiro, conhecido como Di Porcão, e Marcus Vinícius Tibúrcio Dionisio, o GTA, seriam responsáveis por cobrar valores de comerciantes.
O caso evidencia os impactos que a atuação de grupos criminosos pode provocar na vida condominial, sobretudo quando há suspeitas de ameaças, extorsão e interferência na escolha dos responsáveis pela administração dos edifícios.
As informações sobre os envolvidos e suas supostas funções decorrem da investigação policial. A responsabilização criminal depende da apuração dos fatos e das decisões da Justiça.