Mercado imobiliário do Grande Recife movimenta R$ 715,63 milhões em vendas de apartamentos
Região Metropolitana comercializou 1.261 unidades em agosto, alta de 40,1% sobre julho, segundo dados do IVV

Mercado imobiliário do Grande Recife movimenta R$ 715,63 milhões em vendas de apartamentos
O mercado imobiliário da Região Metropolitana do Recife (RMR) registrou forte avanço nas vendas de apartamentos novos em agosto de 2026. Segundo dados consolidados do Índice de Velocidade de Vendas de Imóveis Novos (IVV), elaborados pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) em parceria com a BCB Inteligência, o Valor Geral de Vendas (VGV) alcançou R$ 715,63 milhões no mês, representando crescimento de 33,6% em relação a julho.
O levantamento mostra que foram comercializadas 1.261 unidades residenciais novas durante agosto, um aumento de 40,1% na comparação com o mês anterior. Do total, 620 unidades estavam enquadradas no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), enquanto outras 641 foram financiadas por meio de recursos destinados aos demais segmentos do mercado imobiliário.
O desempenho das vendas fez o IVV Geral da Região Metropolitana do Recife alcançar 7,9% em agosto, avanço de 1,8 ponto percentual em relação a julho. Já a Velocidade de Vendas sobre Oferta (VSO) chegou a 2,2%, crescimento de 0,6 ponto percentual no período. Os indicadores apontam para uma aceleração das negociações de imóveis novos na região.
Apesar do volume de vendas, o mercado também registrou distratos durante o período. Foram contabilizados 240 contratos desfeitos em agosto, sendo 31 relacionados a unidades do Minha Casa, Minha Vida e 209 referentes aos demais recursos. Com isso, o saldo líquido ficou em 1.021 unidades comercializadas no mês.
A movimentação financeira foi dividida entre os diferentes segmentos do mercado. Dos R$ 715,63 milhões em VGV comercializados na Região Metropolitana, R$ 188,35 milhões corresponderam a empreendimentos enquadrados no Minha Casa, Minha Vida. Os demais R$ 527,29 milhões foram movimentados por empreendimentos financiados com outras fontes de recursos.
O ticket médio dos imóveis vendidos na RMR ficou em R$ 465.174 em agosto, alta de 1,6% em relação ao mês anterior. Entre as unidades do Minha Casa, Minha Vida, o valor médio foi de R$ 249.004, enquanto os imóveis enquadrados nos demais segmentos apresentaram ticket médio de R$ 674.262.
Mesmo com o avanço das vendas, a oferta disponível também apresentou crescimento. O estoque disponível chegou a 15.466 unidades, alta de 4,5% em comparação com julho. Ao final do mês, o estoque efetivamente contabilizado ficou em 14.205 unidades, sendo 7.956 imóveis enquadrados no Minha Casa, Minha Vida e 6.249 unidades nos demais segmentos.
Considerando o ritmo médio das vendas registrado nos três meses anteriores, a estimativa apontada pelo levantamento é de que seriam necessários aproximadamente 14,3 meses para o esgotamento do estoque atual, caso não houvesse entrada de novos empreendimentos no mercado.
No município do Recife, os dados também mostram diferenças importantes entre os bairros. Os dez maiores estoques concentram 69,4% de toda a oferta disponível na capital, equivalente a 4.745 das 6.835 unidades contabilizadas no levantamento. A Imbiribeira aparece com o maior estoque, com 1.213 unidades disponíveis e 23 vendas registradas em agosto.
Boa Viagem aparece na sequência, com 885 unidades em estoque e 46 vendas realizadas no mês. Juntos, os dois bairros concentram 30,7% de todo o estoque de imóveis novos disponível no Recife. São José aparece em terceiro lugar entre os bairros com maior quantidade de unidades disponíveis, com 543 imóveis.
Quando o indicador analisado é o volume de vendas, porém, São José assume posição de destaque. O bairro registrou 184 unidades comercializadas em agosto, o equivalente a 33,7% das 546 vendas brutas realizadas no Recife durante o mês. O resultado ocorreu com apenas três distratos registrados no período.
A Iputinga ficou na segunda posição em vendas no Recife, com 90 unidades comercializadas e nenhum distrato registrado no período analisado. Somados, São José e Iputinga responderam por 274 vendas, correspondentes a 50,2% de todas as unidades comercializadas na capital em agosto. Boa Viagem apareceu em seguida, com 46 unidades vendidas.
Os valores dos imóveis também apresentam diferenças significativas entre os bairros do Recife. No indicador de preço ofertado por metro quadrado, o Pina apresentou o maior valor da cidade, com R$ 19.687 por metro quadrado. O bairro possuía estoque de 43 unidades no período analisado.
São José apareceu logo depois, com preço ofertado de R$ 19.162 por metro quadrado e estoque de 543 unidades. Santana ocupou a terceira posição, com R$ 19.158 por metro quadrado, embora apresentasse apenas duas unidades em estoque. Boa Viagem apareceu em quarto lugar, com preço médio ofertado de R$ 18.204 por metro quadrado.
O desempenho registrado em agosto ocorre em um cenário de mudanças nas condições de crédito imobiliário. Segundo a reportagem do Jornal do Commercio, a trajetória recente de redução da taxa Selic aumenta a expectativa de condições mais favoráveis para o mercado de imóveis, especialmente para financiamentos de longo prazo.
Em Pernambuco, a taxa básica de juros passou por uma sequência de reduções ao longo de 2026, segundo os dados apresentados na reportagem. A Selic, que estava em 15% ao ano no início do ano, caiu para 14,75% em março, 14,50% em abril, 14,25% em junho e 14% em agosto. Em setembro, houve nova redução, levando a taxa para 13,75% ao ano.
Para o economista da FIEPE Cézar Andrade, o movimento de redução dos juros tende a produzir efeitos no setor principalmente no médio e no longo prazo. Segundo ele, o mercado imobiliário é sensível às condições de crédito, e uma redução gradual do custo dos financiamentos pode ampliar a capacidade de compra das famílias e estimular decisões que anteriormente estavam sendo adiadas.
O desempenho do Grande Recife também acompanha um cenário de maior movimentação observado em outros levantamentos recentes sobre o mercado imobiliário da capital. Dados divulgados anteriormente pelo próprio IVV mostraram que agosto foi marcado por forte volume de vendas, com destaque para bairros centrais e para empreendimentos enquadrados no Minha Casa, Minha Vida.
Além do volume financeiro, o levantamento evidencia mudanças na distribuição da demanda dentro do Recife. Enquanto bairros tradicionalmente valorizados continuam apresentando preços elevados por metro quadrado, regiões centrais e da Zona Oeste também vêm registrando movimentação significativa nas vendas de imóveis novos.
O cenário mostra ainda a importância dos empreendimentos voltados ao público do Minha Casa, Minha Vida para o resultado geral do mercado. Das 1.261 unidades comercializadas na Região Metropolitana em agosto, 620 estavam enquadradas no programa habitacional, representando praticamente metade das vendas brutas registradas no período.
Com a combinação entre aumento das vendas, crescimento do estoque e mudanças nas condições de crédito, o mercado imobiliário do Grande Recife entra no segundo semestre de 2026 apresentando um cenário de maior movimentação. Os números do IVV mostram que, em agosto, a região conseguiu elevar tanto a quantidade de unidades comercializadas quanto o volume financeiro movimentado em comparação com julho.
Para o setor condominial, o aumento da comercialização de imóveis novos também representa a entrada gradual de novos empreendimentos e futuros moradores no mercado residencial da região. A expansão das vendas pode refletir, nos meses seguintes, em maior número de condomínios entregues, novas demandas por administração e manutenção predial e ampliação da necessidade de serviços relacionados à gestão imobiliária.
Os dados referentes a agosto, portanto, revelam um mercado imobiliário do Grande Recife com forte volume de negociações. Com R$ 715,63 milhões em VGV, 1.261 unidades vendidas e crescimento expressivo sobre julho, o levantamento da FIEPE e da BCB Inteligência apresenta um retrato de aceleração das vendas de imóveis novos na Região Metropolitana do Recife.