Menino resgatado vivia em condições insalubres
Conselho Tutelar relata que criança de 10 anos, resgatada em Goiânia, estava em condições insalubres, sem água potável e com diabetes descompensada; mãe foi presa por abandono de incapaz

Novas informações divulgadas pelo Conselho Tutelar revelam as condições em que vivia o menino de 10 anos encontrado trancado sozinho em um quarto de um apartamento no Setor Faiçalville, em Goiânia (GO). De acordo com os conselheiros que participaram do resgate, o imóvel apresentava forte odor, grande acúmulo de lixo, restos de alimentos deteriorados e garrafas contendo urina, evidenciando um ambiente considerado insalubre e incompatível com a permanência de uma criança.
O resgate ocorreu após denúncias de vizinhos que relataram ouvir pedidos de socorro da criança. Como ninguém atendia à porta do apartamento, equipes do Conselho Tutelar acionaram o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, que precisaram arrombar o imóvel para retirar o menino em segurança.
Segundo o Conselho Tutelar, no quarto onde a criança permanecia havia apenas um colchão no chão, alguns brinquedos, um ventilador e garrafas utilizadas para que ela fizesse as necessidades fisiológicas, já que não podia sair do cômodo. O apartamento também estava tomado por lixo acumulado, louças sujas e comida estragada.
Durante o atendimento, o menino contou que havia se alimentado apenas com bolachas e pediu água aos socorristas. Diagnosticado com diabetes tipo 1, ele foi encaminhado ao Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), onde exames apontaram uma glicemia superior a 500 mg/dL, quadro considerado grave e que exigiu internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para estabilização clínica.
À polícia, a mãe afirmou que deixava o filho trancado enquanto trabalhava para impedir que ele tivesse acesso a alimentos em razão da diabetes. A justificativa, no entanto, não impediu sua prisão em flagrante pelo crime de abandono de incapaz. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que apura também possíveis maus-tratos e outras violações aos direitos da criança.
Segundo o Conselho Tutelar, a criança manifestou o desejo de passar a morar com o pai. A situação será analisada pela Justiça da Infância e da Juventude, que decidirá sobre a guarda e as medidas de proteção a serem adotadas.
Fonte: Jornal do Tocantins