Médico é agredido após invasão em condomínio no Recife
Caso ocorreu na Zona Norte do Recife e envolveu espancamento, ameaças de morte e falhas no atendimento da portaria do edifício

Um médico dermatologista denunciou ter sido vítima de agressão homofóbica após ter o próprio apartamento invadido por um vizinho durante a madrugada do dia 31 de dezembro, em um condomínio residencial localizado no bairro do Rosarinho, na Zona Norte do Recife.
De acordo com o relato da vítima, a campainha do apartamento passou a tocar insistentemente por volta das 4h da manhã. Ao atender, o médico informou que o visitante estava no local errado e pediu que se retirasse. No entanto, o homem insistiu, passou a exigir que a porta fosse aberta e, em seguida, iniciou uma série de chutes e socos até arrombar a entrada do imóvel.
Dentro do apartamento, o agressor entrou em luta corporal com a vítima e desferiu diversos socos, ao mesmo tempo em que proferia ofensas homofóbicas e ameaças de morte.
“Ele dizia que eu era um ‘viadinho’ e que eu tinha que morrer”, relatou o médico, que afirmou ter temido ser assassinado durante a agressão.
Segundo a vítima, o agressor chegou a afirmar que praticava a violência por acreditar que o médico estaria “dando em cima” dele, utilizando essa justificativa para tentar legitimar o ataque. Para o profissional de saúde, trata-se de uma tentativa de homicídio motivada por homofobia.
O caso também expôs fragilidades na segurança do condomínio. O médico afirmou que tentou acionar a portaria em busca de ajuda, mas não recebeu apoio de funcionários durante a ocorrência. Diante da ausência de socorro, decidiu gravar vídeos e publicar relatos nas redes sociais como forma de se proteger e documentar a situação.
Após conseguir se desvencilhar do agressor, a vítima acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhada a um hospital particular para atendimento médico. Em seguida, registrou boletim de ocorrência.
A Polícia Civil prendeu o agressor em flagrante pelos crimes de racismo por homotransfobia, lesão corporal e violação de domicílio. Apesar disso, ele foi liberado após audiência de custódia e responderá ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares, como proibição de contato com a vítima e de frequentar as áreas comuns do condomínio.
O episódio reacende o alerta para síndicos, administradoras e moradores sobre a importância de protocolos eficazes de segurança, resposta imediata a emergências e prevenção a crimes de ódio dentro de condomínios, reforçando que falhas na gestão podem agravar situações de extrema violência.
Fonte: G1