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Mansão de R$ 220 milhões dá lugar a condomínio

Imóvel no Jardim Pernambuco será substituído por dez casas personalizadas, com lotes a partir de R$ 23 milhões e VGV estimado em R$ 360 milhões

Mansão de R$ 220 milhões começa a ser demolida para dar lugar a condomínio de luxo no Leblon
Foto: Reprodução

A mansão que ficou conhecida como uma das propriedades residenciais mais caras do Brasil começou a ser demolida para dar lugar a um novo empreendimento de altíssimo padrão no Jardim Pernambuco, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. O imóvel, que chegou a ser anunciado por R$ 220 milhões, ocupa um terreno de aproximadamente 11 mil metros quadrados e foi adquirido pela construtora Mozak em 2024.

A transformação representa uma mudança significativa na ocupação de um dos terrenos mais exclusivos do mercado imobiliário carioca. Em vez de uma única residência de grandes dimensões, a área será destinada a um condomínio formado por casas independentes, projetadas para atender a um público de altíssimo poder aquisitivo.

Terreno dará origem a dez residências

O novo empreendimento, denominado Estância Pernambuco, terá dez casas personalizadas. Os lotes começam com aproximadamente 900 metros quadrados e os preços partem de R$ 23 milhões. O Valor Geral de Vendas (VGV) projetado para o empreendimento é de cerca de R$ 360 milhões.

A proposta é utilizar a dimensão e a localização do terreno para criar unidades exclusivas, mantendo características naturais da área. O projeto prevê espaços de integração com a vegetação e estruturas destinadas ao lazer e à circulação dos moradores.

Segundo informações divulgadas pela Exame, sete das dez unidades já estavam vendidas ou negociadas em estágio avançado em setembro de 2026. A previsão é que as novas casas sejam concluídas no segundo semestre de 2028.

Uma propriedade histórica do mercado de luxo

A antiga mansão foi construída pela família Amaral, ligada à antiga rede de supermercados Disco. A residência ocupava cerca de 2.500 metros quadrados de área construída e reunia características pouco comuns mesmo entre imóveis de alto padrão.

O imóvel tinha seis suítes, 18 banheiros, cinco salões, biblioteca, estúdio de música, sauna, piscina semiolímpica e heliponto homologado. Os jardins foram projetados pelo paisagista Burle Marx, enquanto a propriedade era cercada por vegetação nativa e oferecia vista privilegiada para pontos marcantes do Rio de Janeiro.

A dimensão do terreno também foi um dos principais fatores de valorização do imóvel. Em uma região onde grandes áreas disponíveis são cada vez mais raras, a possibilidade de desenvolver um projeto residencial em escala diferenciada tornou a propriedade estratégica para o mercado de luxo.

Localização pesa na estratégia imobiliária

O Jardim Pernambuco é conhecido pelo acesso controlado, segurança e localização privilegiada no Leblon. A área fica próxima à orla, à Lagoa Rodrigo de Freitas e a outros pontos valorizados da Zona Sul.

A escassez de terrenos com grandes dimensões em regiões consolidadas do Rio de Janeiro ajuda a explicar o interesse de incorporadoras por projetos capazes de combinar exclusividade e baixa oferta.

Nesse contexto, a substituição da antiga mansão por várias residências não representa apenas uma mudança arquitetônica. O empreendimento transforma a forma de aproveitamento de um ativo imobiliário raro, distribuindo seu potencial econômico entre diferentes propriedades de alto padrão.

Projeto aposta em privacidade e natureza

O Estância Pernambuco foi concebido para preservar parte das características naturais existentes no terreno. Entre as estruturas previstas estão áreas de bosque, trilhas e mirantes, além de espaços de lazer destinados aos futuros moradores.

As casas serão projetadas individualmente, permitindo que cada comprador tenha maior participação na definição das características da residência. A proposta combina personalização arquitetônica com serviços compartilhados e estrutura de condomínio fechado.

Entre os diferenciais anunciados estão portaria blindada, áreas verdes privativas e soluções para facilitar a circulação interna. O conceito procura oferecer uma experiência de residência isolada, mas com infraestrutura coletiva de segurança, manutenção e administração.

Demanda por imóveis de altíssimo padrão

A estratégia evidencia uma característica do segmento de luxo: a localização e a exclusividade podem ter peso tão importante quanto a metragem construída.

Em mercados com pouca disponibilidade de terrenos, projetos que oferecem privacidade, segurança, contato com áreas verdes e possibilidade de personalização podem alcançar valores elevados mesmo quando o número de unidades é reduzido.

No caso do Estância Pernambuco, a comercialização antecipada de parte das casas indica interesse de compradores que buscam moradia permanente em um endereço considerado raro no mercado carioca. Segundo a Exame, os interessados são empresários e profissionais do mercado financeiro, e não apenas investidores.

Condomínio exige estrutura compatível com o padrão

Além do valor dos imóveis, empreendimentos desse porte demandam uma estrutura de gestão condominial compatível com as expectativas dos moradores. Segurança patrimonial, manutenção preventiva, conservação das áreas verdes, controle de acesso e serviços compartilhados passam a ter papel central na operação.

Em condomínios de altíssimo padrão, a administração também precisa lidar com estruturas de maior complexidade e com custos elevados de conservação. A definição de regras claras para utilização das áreas comuns, circulação de prestadores, obras particulares e manutenção das residências será fundamental para preservar o padrão projetado.

O modelo também reforça a importância de um planejamento financeiro capaz de acompanhar as características específicas do empreendimento, evitando que a valorização das unidades seja acompanhada por problemas de gestão ou deterioração da infraestrutura coletiva.

Transformação reflete nova fase do mercado de luxo

A demolição da antiga mansão representa, portanto, mais do que o desaparecimento de uma residência histórica do mercado imobiliário carioca. O terreno será convertido em um empreendimento que busca multiplicar o valor do ativo por meio de unidades exclusivas e serviços compartilhados.

Com dez casas, lotes milionários e VGV estimado em R$ 360 milhões, o Estância Pernambuco passa a integrar uma faixa extremamente restrita do mercado imobiliário brasileiro. A previsão de conclusão para 2028 mostra que o projeto também acompanha uma estratégia de longo prazo para uma das regiões mais valorizadas do país.

O movimento demonstra como terrenos raros podem ganhar novos formatos de utilização mesmo quando já abrigam propriedades de grande valor. No mercado de luxo, a capacidade de transformar localização, exclusividade e infraestrutura em novos produtos imobiliários continua sendo um dos principais fatores de atração de incorporadoras e compradores.

Fonte: alõ alô Bahia