Maior coruja do Brasil aparece em apartamento
Jacurutu foi vista na sacada de um prédio e também circulou por outras áreas do residencial; presença da ave chamou atenção dos moradores

Ave foi vista na sacada de apartamento
Uma jacurutu, considerada a maior espécie de coruja que ocorre no Brasil, surpreendeu moradores de um prédio em Indaiatuba, no interior de São Paulo. A ave foi flagrada na sacada de um apartamento localizado no quarto andar e teve a presença registrada em vídeo pela moradora.
O encontro aconteceu durante a noite, quando a moradora se preparava para dormir. Depois de ouvir um piado forte, ela foi até a área externa e encontrou a coruja pousada na sacada. O animal permaneceu no local por cerca de 20 minutos antes de voar.
A aparição, porém, não ficou restrita a uma única unidade. No mesmo dia, outros moradores relataram ter visto a ave em diferentes pontos do residencial. Uma funcionária a avistou na área de lazer, enquanto outra moradora registrou a coruja no muro da garagem.
Presença chamou atenção no condomínio
A proximidade com áreas verdes pode ter contribuído para a presença da jacurutu no local. Segundo o relato da moradora, há muitas árvores nas proximidades do prédio, além da presença de gatos e saruês.
A possibilidade também despertou preocupação entre moradores que possuem animais domésticos. A própria responsável pelo registro contou que ficou receosa de que a coruja pudesse retornar e representar algum risco para pets de pequeno porte.
Apesar da preocupação, o encontro foi considerado incomum por especialistas. O ornitólogo Fernando Igor de Godoy explicou ao G1 que a espécie costuma viver em ambientes como matas ciliares e é menos frequentemente observada em áreas urbanas do que outras espécies de coruja.
Jacurutu é uma ave de grande porte
A jacurutu, também conhecida como corujão ou corujão-orelhudo, pode atingir cerca de 63 centímetros de comprimento e se destaca pelo porte avantajado, pelos olhos amarelos e pelas penas no alto da cabeça que lembram pequenas orelhas.
A espécie possui hábitos principalmente noturnos e crepusculares. Durante esses períodos, sai em busca de alimento, podendo caçar outras aves e mamíferos de pequeno e até médio porte.
Sua distribuição é ampla e abrange grande parte do continente americano, incluindo praticamente todo o território brasileiro. A ave costuma ocupar áreas como bordas de mata, campos naturais, cerrado e outros ambientes semiabertos.
A jacurutu não constrói necessariamente seus próprios ninhos. Para se reproduzir, pode utilizar estruturas construídas anteriormente por outras aves, como gaviões e caracarás.
Registro da espécie é considerado incomum em Indaiatuba
O episódio também chamou atenção porque a jacurutu não possui muitos registros recentes no município. Segundo levantamento citado pelo G1, a plataforma WikiAves reunia apenas dois registros da espécie em Indaiatuba até 2026, publicados em junho.
As fotografias anteriores mostravam uma ave com anilhas nas duas patas. No caso da coruja que apareceu no condomínio, os moradores não conseguiram verificar se ela também apresentava esse tipo de identificação.
Por isso, existe a possibilidade levantada por especialistas de que o animal possa ter escapado de algum criador ou recinto. Essa hipótese, entretanto, não foi confirmada, e não foi possível determinar a origem da ave.
Fauna silvestre também aparece em áreas residenciais
O episódio em Indaiatuba mostra como condomínios localizados próximos a áreas verdes podem eventualmente receber visitantes da fauna silvestre.
A presença desses animais não significa necessariamente que exista uma situação de perigo. Muitas espécies circulam durante a noite em busca de alimento, abrigo ou locais adequados para descanso.
Para os moradores, a principal recomendação diante de um animal silvestre é evitar aproximação desnecessária e não tentar capturá-lo por conta própria. Crianças e animais domésticos também devem ser mantidos afastados, principalmente quando a espécie possui hábitos de caça ou mecanismos naturais de defesa.
Em situações que envolvam risco para moradores, pets ou para o próprio animal, a administração pode buscar orientação dos órgãos ambientais ou dos serviços municipais responsáveis pelo atendimento da fauna.
Condomínios precisam estar preparados para ocorrências incomuns
Para síndicos e funcionários, encontros com animais silvestres também exigem bom senso e organização. A orientação é evitar que uma situação curiosa se transforme em uma ocorrência de risco por causa da tentativa de moradores de se aproximarem, alimentar o animal ou realizar uma captura improvisada.
O registro em vídeo pode ser útil para identificar a espécie e permitir que especialistas orientem a melhor forma de proceder, sem necessidade de intervenção direta dos moradores.
Também é importante evitar que o animal seja cercado por muitas pessoas. A movimentação pode provocar estresse e fazer com que ele tente fugir de maneira desordenada, aumentando o risco de acidentes.
Encontro reforça importância da convivência com a fauna
A visita da jacurutu ao prédio de Indaiatuba terminou rapidamente, mas despertou a curiosidade dos moradores e de especialistas em aves.
Mais do que uma cena inusitada, o episódio demonstra como a fauna silvestre pode aparecer em ambientes urbanos, especialmente em regiões próximas a áreas verdes. Para os condomínios, a situação reforça a importância de orientar moradores e funcionários sobre como agir diante de encontros inesperados com animais.
A presença da maior coruja que ocorre no Brasil em uma sacada de apartamento também transformou um encontro raro em um registro importante da biodiversidade que ainda circula próxima às cidades.