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Máfia dos condomínios em Niterói é investigada

síndicos e conselheiros são acusados de aprovar obras infladas, pressionar inadimplentes e articular leilões de apartamentos por valores abaixo do mercado

Máfia dos Condomínios: obras superfaturadas fazem parte das irregularidades
Foto: Imagem ilustrativa

Máfia dos Condomínios: obras superfaturadas e leilões de imóveis expõem esquema em Niterói

Um suposto esquema estruturado de irregularidades em condomínios residenciais de Niterói, apelidado de “Máfia dos Condomínios”, tem chamado a atenção de moradores, advogados e autoridades públicas. As denúncias apontam que síndicos e conselheiros se aproveitam da baixa participação dos proprietários em assembleias para aprovar obras desnecessárias com orçamentos superfaturados, além de pressionar inadimplentes até o leilão judicial de seus imóveis.

Os casos se concentram em bairros valorizados como Icaraí, Ingá e Santa Rosa, onde, segundo relatos, grupos organizados atuam para tomar apartamentos de moradores com dívidas condominiais. O esquema inclui a aprovação de intervenções sem transparência, contratação de fornecedores sem concorrência e uso de procurações de proprietários ausentes.

Uma moradora de um condomínio em Santa Rosa relatou que a síndica, no cargo há 20 anos, removeu o portão de entrada do prédio para iniciar uma obra no piso interno, gerando insegurança entre os moradores.

“Além da obra, decidiu contratar um segurança particular para cobrir o período noturno, sem consulta ou justificativa clara”, disse a proprietária.

Como funciona o golpe

As denúncias apresentadas apontam que o esquema segue um roteiro estruturado:

  • Identificação de unidades em atraso
  • Recusa de negociação, aumentando juros e honorários
  • Judicialização acelerada, com valores inflacionados
  • Leilão do imóvel por preço abaixo do mercado
  • Aprovação de obras superfaturadas para elevar despesas e pressionar os devedores

Investigação legislativa

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e a Câmara Municipal de Niterói já discutem medidas para conter a prática. O vereador Daniel Marques, presidente da Frente Parlamentar Condominial, afirmou que o tema será debatido com síndicos, administradoras e juristas.

“É preciso rever a lógica que permite que o único bem de um morador seja tomado em leilão. Existem alternativas como dívida ativa ou parcelamento”, afirmou.

Questionamentos jurídicos

Especialistas reforçam que o direito de propriedade é constitucional e que o uso estratégico de leilões pode configurar abuso.

“O que estamos vendo é uma distorção legal onde o morador é tratado como criminoso por dever taxas condominiais”, declarou o advogado Paulo Mendes, especialista em direito imobiliário.

O jurista Ricardo Antunes alerta ainda para o impacto social da perda do imóvel:

“Há danos emocionais, familiares e patrimoniais irreversíveis. O Judiciário precisa rever seus critérios”.

O que pode mudar

Entre as medidas sugeridas estão:

  • Fiscalização mais rigorosa de administradoras e síndicos
  • Limite legal para juros e honorários em dívidas condominiais
  • Transparência obrigatória em obras e contratações
  • Criação de cartilhas de orientação ao condômino
  • Proibição do leilão do único imóvel residencial

A Frente Parlamentar deve apresentar propostas formais nas próximas semanas.

Fonte: O Dia