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Apoio político em condomínios: quais são os limites legais?

Advogado Dr. Cesar Nantes explica como conciliar a liberdade de expressão dos moradores com as regras de convivência e o uso das áreas comuns durante o período eleitoral

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Advogado explica os limites para manifestar apoio político em condomínios · Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Apoio político em condomínios: quais são os limites para os moradores?

Advogado Dr. Cesar Nantes explica os cuidados necessários para conciliar a liberdade de expressão, a propaganda eleitoral e as regras de convivência nos espaços condominiais

A proximidade das eleições costuma intensificar os debates políticos, e as divergências também podem chegar aos condomínios residenciais. Bandeiras nas janelas, adesivos de candidatos, mensagens em grupos de WhatsApp e conversas nas áreas comuns levantam dúvidas sobre até onde vai o direito de manifestar apoio político nesses ambientes.

Em reportagem da TV Pajuçara, publicada pelo portal TNH1, o advogado Dr. Cesar Nantes explica os limites para manifestações de apoio político em condomínios e aborda questões relacionadas à liberdade de expressão, às regras internas e à convivência entre moradores.

A discussão envolve o equilíbrio entre o direito de expressar opiniões políticas, as normas dos residenciais e o respeito aos direitos dos demais condôminos.

Liberdade de expressão precisa conviver com as regras do condomínio

A manifestação de opiniões políticas é um direito garantido constitucionalmente. Morar em condomínio, portanto, não significa abrir mão da liberdade de expressar preferências partidárias ou apoiar candidatos.

Esse direito, porém, não autoriza o uso irrestrito das áreas comuns nem afasta o cumprimento das normas de convivência estabelecidas para o empreendimento.

A convenção condominial e o regimento interno podem disciplinar a utilização dos espaços compartilhados e estabelecer regras para preservar a segurança, a organização e o sossego dos moradores. Essas normas, contudo, devem respeitar a legislação e não podem ser aplicadas de maneira discriminatória em razão da posição política de alguém.

O desafio está em distinguir a manifestação individual de uma conduta que interfere no uso coletivo dos espaços ou descumpre regras válidas do condomínio.

Bandeiras e adesivos nas janelas exigem atenção

A colocação de bandeiras, cartazes e adesivos de candidatos é uma das situações que geram dúvidas durante o período eleitoral.

A análise depende das características do imóvel, da localização do material e das regras aplicáveis. Em condomínios verticais, por exemplo, é necessário considerar as normas sobre fachada e esquadrias externas, além da legislação pertinente.

O Código Civil estabelece, no artigo 1.336, inciso III, que o condômino não deve alterar a forma e a cor da fachada, das partes e das esquadrias externas. Por isso, a instalação de materiais que modifiquem esses elementos pode gerar questionamentos.

Isso não significa que toda manifestação política feita dentro da unidade seja proibida. A situação precisa ser analisada conforme as circunstâncias e as normas aplicáveis ao empreendimento.

E as manifestações nas áreas comuns?

Corredores, halls, elevadores, garagens, salões de festas e outras áreas compartilhadas exigem atenção especial, pois são espaços destinados ao uso coletivo.

O condomínio pode estabelecer regras para a utilização desses ambientes, desde que sejam legítimas e aplicadas de forma igualitária. A realização de eventos, a instalação de materiais e o uso de estruturas coletivas para fins de campanha precisam ser avaliados conforme a legislação e as normas internas.

O síndico também deve evitar que espaços e canais institucionais do condomínio sejam utilizados de maneira parcial, favorecendo determinada candidatura ou criando conflitos entre moradores.

A finalidade não deve ser impedir opiniões políticas, mas preservar o uso adequado dos espaços e a convivência entre pessoas com posicionamentos diferentes.

Grupos de WhatsApp também podem gerar conflitos

As discussões políticas não ficam restritas às áreas físicas. Em grupos de WhatsApp utilizados pelos moradores, divergências podem evoluir para provocações, ofensas pessoais e discussões que prejudicam a convivência.

Por isso, é importante diferenciar o debate de ideias de comportamentos que desrespeitem outros participantes ou contrariem regras legítimas de utilização dos canais coletivos.

Quando o grupo é destinado a comunicados administrativos, por exemplo, a administração pode estabelecer critérios de uso compatíveis com sua finalidade. Essas regras devem ser claras e aplicadas sem distinção partidária.

Qual é o papel do síndico?

Cabe ao síndico administrar o condomínio e fazer cumprir a convenção, o regimento interno e as decisões válidas da assembleia, conforme suas atribuições legais.

Diante de conflitos relacionados à política, a recomendação é agir com equilíbrio, verificar as regras aplicáveis e evitar decisões motivadas por preferências pessoais.

Advertências e multas não devem ser aplicadas apenas porque um morador apoia determinado candidato. Eventuais penalidades precisam ter fundamento nas normas e na legislação, além de respeitar os procedimentos pertinentes.

A administração deve adotar critérios uniformes para situações semelhantes, independentemente do posicionamento político dos envolvidos.

Como evitar conflitos durante o período eleitoral?

Algumas medidas podem ajudar a preservar a convivência nos condomínios:

  • Consultar a convenção e o regimento interno antes de instalar materiais ou organizar atividades nas áreas comuns.

  • Evitar ofensas, provocações e ataques pessoais em conversas presenciais ou grupos de mensagens.

  • Respeitar a finalidade dos canais oficiais de comunicação do condomínio.

  • Aplicar as regras de maneira imparcial, sem favorecer ou prejudicar moradores por suas preferências políticas.

  • Buscar o diálogo e a mediação antes que divergências se transformem em conflitos maiores.

O período eleitoral reforça a importância de conciliar direitos individuais e responsabilidades coletivas. Como explica o advogado Dr. Cesar Nantes na reportagem do TNH1, o tema exige atenção aos limites das manifestações políticas e às regras de convivência nos condomínios.