Lei reforça denúncia de violência em condomínios
Legislação obriga síndicos e administradoras a comunicarem ocorrências ou indícios de violência, fortalecendo a proteção às vítimas e a atuação preventiva nos condomínios

Lei reforça dever de condomínios denunciarem casos de violência doméstica no Distrito Federal
Os condomínios residenciais do Distrito Federal têm papel cada vez mais relevante no enfrentamento à violência doméstica. A Lei Distrital nº 6.539/2020 determina que síndicos, administradoras e funcionários comuniquem aos órgãos de segurança pública casos ou indícios de violência doméstica e familiar contra mulheres, crianças, adolescentes e idosos, fortalecendo a rede de proteção às vítimas.
Às vésperas dos 20 anos da Lei Maria da Penha, especialistas reforçam que a violência doméstica deixou de ser considerada um problema exclusivamente privado e passou a exigir uma atuação conjunta da sociedade. Em condomínios, gritos, pedidos de socorro e sinais recorrentes de agressão devem ser comunicados às autoridades competentes, contribuindo para interromper ciclos de violência e preservar vidas.
A advogada especialista em Direito Condominial e vice-presidente da Associação das Administradoras de Condomínios do Estado do Paraná (AACEP), Bianca Tedeschi Ruggi, destaca que moradores, porteiros, zeladores e síndicos costumam ser os primeiros a perceber situações de risco.
"A violência doméstica não escolhe classe social, idade ou localização. Em muitos casos, vizinhos, porteiros, zeladores e síndicos são os primeiros a perceber os sinais de que algo está errado. A omissão pode permitir a continuidade dos abusos, ao passo que uma atitude responsável tem o poder de salvar vidas."
A especialista ressalta, porém, que o síndico não deve investigar os fatos nem substituir a atuação policial.
"O síndico não deve apurar os fatos, intervir diretamente ou substituir os órgãos policiais. Sua obrigação é comunicar os acontecimentos às autoridades competentes e colaborar para a preservação da segurança coletiva."
Entre as orientações para os condomínios estão o acionamento imediato da Polícia Militar em situações de emergência pelo telefone 190, a comunicação de suspeitas aos canais oficiais de denúncia, a divulgação de informações sobre os serviços de proteção em áreas comuns e o cumprimento de medidas protetivas determinadas pela Justiça.
O tema ganha ainda mais relevância durante a campanha Agosto Lilás, que promove ações de conscientização sobre o combate à violência contra a mulher. Especialistas ressaltam que denunciar não representa invasão de privacidade, mas sim um ato de cidadania e responsabilidade coletiva. Em um ambiente condominial, a atenção de moradores e colaboradores pode ser decisiva para proteger vítimas e impedir que novas agressões ocorram.
Fonte: TUDO OK NOTICIAS