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Lei dos muros e guaritas gera debate no DF

Nova legislação estabelece regras obrigatórias para muros, guaritas e segurança em condomínios horizontais no Distrito Federal

Lei dos muros e guaritas em condomínios do DF entra em vigor e gera debate
Foto: Imagem ilustrativa

Lei dos Muros e Guaritas entra em vigor no DF e gera debate entre moradores e especialistas

A recente sanção da Lei dos Muros e Guaritas pelo Governo do Distrito Federal (GDF), publicada no Diário Oficial na quinta-feira (3/4), trouxe à tona um intenso debate sobre segurança, urbanismo e mobilidade. Aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) em 11 de março de 2025, a nova legislação regulamenta a instalação de muros, cercas e guaritas em loteamentos de acesso controlado no DF, incluindo áreas já ocupadas por condomínios horizontais.

O texto da lei garante segurança jurídica a diversas comunidades que, mesmo consolidadas, ainda operavam em situação de insegurança legal. A norma permite a manutenção das estruturas já existentes até 13 de setembro de 2018, desde que estejam em conformidade com os critérios definidos. A partir de agora, todos os condomínios precisarão seguir parâmetros claros para construções futuras, como altura máxima de 2,7 metros para muros e exigência de 70% de transparência visual nas divisões voltadas para áreas públicas.

As guaritas terão tamanho limitado a até 30 m² e poderão contar com banheiros e copa, além de infraestrutura para segurança eletrônica. A nova lei também institui duas classificações para os loteamentos:

  • Loteamento de Acesso Controlado: mantém acesso público às áreas comerciais e de serviços, com identificação e cadastro de não moradores;
  • Loteamento Fechado: com permissão de fechamento total, voltado exclusivamente a áreas residenciais, mediante concessão de uso das áreas públicas.

De acordo com o GDF, a norma foi construída com base em estudos técnicos e ouvindo representantes da sociedade civil. O governador Ibaneis Rocha, responsável pela sanção, declarou que a legislação contribui para o ordenamento urbano e para a sensação de segurança nas regiões residenciais do DF.

Por outro lado, urbanistas alertam que a regulamentação pode aprofundar a segregação socioespacial e limitar o acesso a espaços públicos, especialmente em regiões onde os muros já provocam distanciamento entre as áreas mais e menos favorecidas.

Além das normas construtivas, a lei impõe às associações de moradores obrigações como a manutenção ambiental, o pagamento de contas de serviços públicos (como iluminação e coleta de lixo) e a garantia de acessibilidade. Essa estrutura busca formalizar responsabilidades que, até então, eram alvo de disputas judiciais e administrativas.

A nova legislação também exige que as guaritas sejam implantadas de forma a não prejudicar o passeio público e respeitem as normas de acessibilidade universal. As estruturas precisam contar com recuos adequados, possibilitando que veículos de emergência acessem o interior dos loteamentos sem obstruções.

A expectativa é que, com a nova legislação, os condomínios horizontais operem com maior clareza legal e que o DF avance em processos de regularização fundiária. No entanto, especialistas reforçam que será essencial fiscalizar o cumprimento das diretrizes urbanas, garantindo que segurança e inclusão caminhem juntas.

Fonte: Metrópoles