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Lavvi terá prédio com mais unidades que o Copan

Empreendimento terá cerca de 1.250 apartamentos em Perdizes, com unidades compactas e estrutura de lazer e serviços

Lavvi ergue prédio com mais unidades que o Copan em terreno que foi de agência bancária
Foto: Terreno abrigou agência do Itaú: prédio terá mais de mil unidades (Google Street View/Reprodução)

Um terreno que durante décadas abrigou uma grande agência bancária do Itaú, em Perdizes, um dos bairros mais valorizados de São Paulo, dará lugar a um novo empreendimento residencial com cerca de 1.250 apartamentos. O projeto é desenvolvido pela Novvo, braço da Lavvi voltado ao segmento econômico e ao Minha Casa, Minha Vida da incorporadora.

A área, que anteriormente contava com uma ampla estrutura de estacionamento, possui 5.436 metros quadrados e foi adquirida pela Lavvi após uma negociação que se estendeu por aproximadamente dois anos. Segundo a incorporadora, o tamanho e a localização do terreno foram fatores que contribuíram para o interesse no imóvel, considerado raro em uma região já consolidada de São Paulo.

O empreendimento, chamado Well Perdizes, terá aproximadamente 30 mil metros quadrados de área construída. O projeto reunirá unidades classificadas como Habitação de Interesse Social (HIS2), apartamentos destinados ao mercado e unidades não residenciais.

A estrutura será distribuída em dois blocos, cada um com 25 andares. Entre os espaços previstos estão piscina com raia de 25 metros, academia de 200 metros quadrados, quadra de areia, lavanderia, espaço de coworking, salão de festas, churrasqueira e minimercado.

Com aproximadamente 1.250 unidades, o empreendimento terá mais apartamentos do que o Edifício Copan, um dos símbolos arquitetônicos da capital paulista, que reúne cerca de 1.160 unidades. Apesar da quantidade superior de apartamentos, a estimativa da incorporadora é de que o novo empreendimento receba entre 1.500 e 1.600 moradores, enquanto o Copan abriga uma população estimada em cerca de 5 mil pessoas.

A diferença está relacionada principalmente ao perfil dos imóveis. As unidades do novo projeto serão compactas, com áreas entre 25 e 51 metros quadrados, voltadas principalmente para solteiros, casais e famílias menores.

O preço estimado do metro quadrado é de aproximadamente R$ 9 mil. A maior unidade, de 51 metros quadrados, deve custar cerca de R$ 450 mil, enquanto a taxa de condomínio foi estimada em pouco mais de R$ 500, considerando aproximadamente R$ 10 por metro quadrado.

A localização também coloca o projeto em um contexto particular de desenvolvimento urbano. O terreno está inserido no perímetro da Operação Urbana Consorciada Água Branca, região submetida a regras específicas de ocupação e negociação de CEPACs.

De acordo com a incorporadora, as regras urbanísticas da área não favoreciam a implantação de um empreendimento de altíssimo padrão no local. O potencial construtivo estava direcionado para projetos que combinassem Habitação de Interesse Social e unidades residenciais destinadas ao mercado.

A escolha de Perdizes para um empreendimento voltado ao segmento econômico também chama atenção pelo perfil imobiliário do bairro. A região é conhecida pela presença de imóveis de alto padrão, com preço médio superior a R$ 20 mil por metro quadrado, segundo os dados apresentados pela Exame.

De agência bancária a empreendimento residencial

A transformação do terreno também acompanha uma mudança mais ampla no uso de imóveis que anteriormente eram ocupados por grandes agências bancárias.

A digitalização dos serviços financeiros e a redução da necessidade de grandes espaços físicos para atendimento fizeram com que as instituições financeiras diminuíssem progressivamente a quantidade de agências. Segundo a reportagem, o número de unidades das principais instituições atingiu o pico em 2015 e passou a cair nos anos seguintes.

Com a redução do fluxo de clientes nas agências para operações tradicionais, imóveis antes destinados exclusivamente às atividades bancárias começaram a receber novas funções. Entre os usos encontrados estão academias, restaurantes, farmácias, supermercados, escritórios e outros serviços.

Esse movimento também alterou a estratégia de fundos imobiliários que, no passado, mantinham carteiras concentradas em imóveis ocupados por bancos. Um dos exemplos citados é o RBVA11, da Rio Bravo, que passou por um processo de diversificação de portfólio a partir de 2018, reduzindo a dependência das agências bancárias e ampliando a exposição a outros segmentos do varejo.

Antigas agências também passaram por transformações específicas em São Paulo. A reportagem cita imóveis do Santander na Avenida Paulista e em Santa Cecília que foram convertidos em unidades de uma rede de academias.

Nesse cenário, imóveis que antes tinham sua utilização diretamente associada ao setor bancário passaram a ser avaliados principalmente pela localização, liquidez e capacidade de gerar renda por meio de diferentes usos.

O projeto em Perdizes representa, assim, não apenas a construção de um novo condomínio residencial, mas também a transformação de uma área que acompanhou mudanças importantes no funcionamento do mercado imobiliário e na ocupação dos espaços urbanos.

Fonte: Exame