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Lavanderias coletivas crescem e geram desafios em condomínio

Modelo ganha espaço em apartamentos compactos, mas exige regras de uso, organização e cuidados para evitar conflitos entre moradores

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Lavanderia compartilhada em condomínio · Foto: Divulgação

Lavanderias coletivas crescem em condomínios e geram desafios de convivência

A construção de apartamentos cada vez menores em São Paulo impulsionou a expansão das lavanderias coletivas em condomínios residenciais. Antes mais comuns em flats, esses espaços passaram a integrar lançamentos imobiliários de diferentes padrões e bairros da capital paulista. Embora ofereçam praticidade aos moradores, também exigem regras de uso e organização para evitar conflitos nas áreas comuns.

Segundo o especialista em condomínios Marcio Rachkorsky, a pandemia contribuiu para essa mudança. Muitos moradores transformaram pequenas lavanderias particulares em escritórios para o home office, utilizando o espaço como mais um cômodo da residência.

Modelo de negócio pode reduzir custos para o condomínio

A instalação de lavanderias compartilhadas pode ser feita em áreas comuns já existentes. Empresas especializadas assumem os custos das obras e da instalação dos equipamentos, o que permite implementar o serviço sem despesas iniciais para o condomínio.

O consumo de água e energia elétrica costuma ser acompanhado por medidores exclusivos. Quando não há essa estrutura, a empresa pode repassar parte do faturamento ao condomínio, conforme o modelo contratual, para cobrir as despesas operacionais e, eventualmente, gerar receita para o caixa condominial.

Apesar das vantagens, a utilização compartilhada dos equipamentos requer organização e regras claras para que o serviço funcione adequadamente.

Roupas esquecidas e disputas por agendamento geram reclamações

Administradoras relatam reclamações relacionadas ao uso das lavanderias coletivas. Entre os principais motivos de atrito estão roupas deixadas por horas nos cestos ou dentro das máquinas, moradores que desrespeitam a ordem dos agendamentos e o desaparecimento de peças.

O uso inadequado dos equipamentos também preocupa. Rachkorsky cita situações em que máquinas são utilizadas para lavar itens de higiene de animais e, em seguida, recebem roupas de outros moradores, inclusive peças de bebês.

Esses episódios evidenciam a importância de orientar os usuários sobre higiene, respeito aos horários e cuidados com os equipamentos compartilhados.

Regras e medidas para preservar a convivência

Para reduzir conflitos, a adoção de normas específicas pode ajudar a estabelecer responsabilidades e procedimentos para o uso das lavanderias. Entre as medidas sugeridas pelo especialista estão:

  • Monitoramento dos espaços: a instalação de câmeras pode ajudar a esclarecer ocorrências e inibir furtos, desde que respeitadas as normas de privacidade e proteção de dados.

  • Advertências em casos de mau uso: situações comprovadas podem ser tratadas inicialmente com orientação ou advertência, conforme as regras do condomínio.

  • Responsabilização por danos: eventuais custos de higienização ou reparo devem ser apurados e atribuídos ao responsável de acordo com as regras aplicáveis, com possibilidade de contestação.

  • Separação por tipo de uso: quando houver espaço e viabilidade, máquinas específicas para roupas comuns, peças delicadas, itens de animais e peças volumosas podem reduzir problemas de higiene e conservação.

A aplicação de penalidades ou cobranças deve observar a convenção, o regimento interno, os contratos envolvidos e o direito de defesa do morador.

Aplicativos ajudam a organizar a utilização

A tecnologia também contribui para a administração das lavanderias coletivas. Aplicativos permitem agendar horários, realizar pagamentos e receber notificações no celular quando o ciclo de lavagem termina.

Quando uma roupa permanece esquecida na máquina, a orientação de convivência é retirá-la com cuidado, colocá-la em uma bancada limpa e avisar o responsável, a portaria ou o vizinho pelo aplicativo, conforme as regras estabelecidas.

Já os conflitos relacionados ao funcionamento do sistema de agendamento devem ser encaminhados à empresa prestadora do serviço quando envolverem falhas da plataforma ou questões operacionais sob sua responsabilidade. O síndico deve atuar conforme suas atribuições e as normas do condomínio, especialmente quando houver descumprimento das regras de convivência.

Lavanderias também se tornam espaços de socialização

Além da função prática, as lavanderias compartilhadas vêm incorporando características de espaços de convivência. Alguns condomínios instalam bancos e criam ambientes mais agradáveis para que os moradores conversem, leiam ou aguardem o término da lavagem.

A proposta aproxima esses espaços do conceito de co-living, no qual áreas e serviços são compartilhados. Para que essa experiência funcione, entretanto, é necessário conciliar a socialização com o respeito aos horários, à privacidade e às necessidades dos demais usuários.

Com o avanço desse modelo nos empreendimentos residenciais, a gestão das lavanderias coletivas passa a exigir atenção dos síndicos. Regras objetivas, comunicação acessível e procedimentos para resolver ocorrências ajudam a preservar a funcionalidade do serviço e a convivência entre os moradores.