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Água contaminada preocupa condomínios

Exames identificaram níveis de nitrato acima do permitido para consumo humano, levando síndicos a reunir laudos técnicos e buscar medidas judiciais contra a concessionária

Laudos apontam água contaminada em condomínios e moradores cobram providências em Maceió
Foto: Reprodução

Laudos apontam água contaminada em condomínios de Maceió e moradores cobram solução

Moradores de condomínios localizados no bairro Salvador Lyra, em Maceió (AL), vivem um cenário de preocupação após laudos laboratoriais apontarem níveis de nitrato acima do permitido para consumo humano na água distribuída aos empreendimentos. Os resultados das análises motivaram a mobilização de síndicos e moradores, que passaram a cobrar providências da concessionária responsável pelo abastecimento e a buscar medidas para garantir a segurança da população.

Os exames foram realizados por iniciativa dos próprios condomínios depois que moradores relataram alterações na água e demonstraram preocupação com sua qualidade. No Condomínio Baía Dourada, os laudos registraram concentrações de nitrato de 18,137 mg/L e 16,25 mg/L, enquanto no Condomínio Costa da Luz foi identificado índice de 16,86 mg/L. Todos os resultados superam o limite de 10 mg/L estabelecido pela Portaria GM/MS nº 888/2021, norma que define os padrões de potabilidade da água destinada ao consumo humano no Brasil.

Diante dos resultados, os síndicos iniciaram a coleta de documentos, laudos técnicos e demais provas para fundamentar uma possível ação judicial contra a concessionária responsável pelo abastecimento. Segundo os representantes dos condomínios, diversas tentativas de obter esclarecimentos e soluções foram realizadas, mas, até a divulgação da reportagem, ainda não havia uma resposta definitiva para o problema. Paralelamente, equipes da Vigilância Ambiental realizaram novas coletas para confirmar os resultados apresentados pelos exames particulares.

A situação preocupa especialmente porque os dois condomínios reúnem aproximadamente 600 famílias, que dependem diariamente da água fornecida para consumo, preparo de alimentos e demais atividades domésticas. Alguns moradores relataram sintomas como dores de cabeça, mal-estar, diarreia e queda de pressão. Apesar disso, ainda não existe comprovação técnica de que esses problemas tenham sido causados diretamente pela água distribuída. Como medida preventiva, muitas famílias passaram a utilizar água mineral para beber e cozinhar até que a situação seja esclarecida.

Especialistas alertam que concentrações elevadas de nitrato podem estar associadas à contaminação por esgoto, fossas sépticas ou outras fontes de poluição do lençol freático. Quando presente em níveis acima dos permitidos, a substância pode representar riscos à saúde, principalmente para bebês, crianças pequenas, gestantes, idosos e pessoas com maior vulnerabilidade, reforçando a importância do monitoramento contínuo da qualidade da água distribuída à população.

O episódio também evidencia a responsabilidade dos condomínios em acompanhar periodicamente as condições dos reservatórios internos, realizar limpezas e manutenções preventivas e, sempre que houver suspeitas sobre a qualidade da água fornecida, solicitar análises laboratoriais em empresas especializadas. Essas medidas auxiliam na identificação da origem de eventuais problemas e contribuem para a adoção de soluções mais rápidas e eficazes.

Além disso, o caso reforça a importância da atuação conjunta entre concessionárias, órgãos de fiscalização, autoridades sanitárias e administradores condominiais para garantir que a água distribuída atenda aos padrões de potabilidade exigidos pela legislação. A transparência na divulgação dos resultados das análises, aliada à adoção imediata de medidas corretivas quando forem identificadas irregularidades, é fundamental para preservar a saúde pública, evitar prejuízos aos moradores e manter a confiança da população no sistema de abastecimento.

Fonte: Jornal Extra