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Imóveis de luxo têm forte queda nos lançamentos no Rio

Segmento teve apenas 11 novas unidades acima de R$ 3 milhões entre abril e junho, enquanto preço do metro quadrado continuou avançando

Lançamentos de imóveis de luxo no Rio de Janeiro caem 86% em um ano
Foto: Getty Images Apesar do recuo de 86,9% nos novos lançamentos, o valor médio do metro quadrado de luxo no Rio de Janeiro subiu para R$ 33,4 mil

O mercado de imóveis de alto padrão e luxo do Rio de Janeiro registrou forte retração nos lançamentos durante o segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, foram colocadas no mercado apenas 11 novas unidades com valor superior a R$ 3 milhões, uma queda de 86,9% em comparação com as 84 unidades lançadas no mesmo período de 2025.

Os dados são da Brain Inteligência Estratégica e mostram que o volume registrado no período foi o menor para o segmento desde o primeiro trimestre de 2024.

Apesar da redução expressiva na oferta, as vendas permaneceram em patamar superior ao número de novos lançamentos. No segundo trimestre, 98 unidades de alto padrão e luxo foram comercializadas na cidade, quase nove vezes mais do que o volume lançado no período.

Mercado total segue em direção oposta

A retração do segmento de luxo ocorre enquanto o mercado vertical do Rio de Janeiro, considerando imóveis de diferentes padrões, apresenta expansão.

No segundo trimestre de 2026, foram lançadas 7.464 unidades residenciais verticais na cidade, contra 5.198 no mesmo período do ano anterior. O resultado representa crescimento de 43,6%.

Nas vendas, o mercado total também apresentou avanço. Foram comercializadas 7.294 unidades entre abril e junho deste ano, ante 5.030 no segundo trimestre de 2025, uma alta de 45%.

O comportamento indica que a retração observada não atinge de maneira uniforme todos os segmentos do mercado imobiliário carioca.

Preço do metro quadrado continua subindo

Mesmo com a queda nos lançamentos e nas vendas, o preço médio dos imóveis de luxo manteve trajetória de valorização.

Segundo a Brain, o metro quadrado médio do segmento passou de R$ 21.952 no terceiro trimestre de 2024 para R$ 33.431 no segundo trimestre de 2026.

No período mais recente, o valor representa uma alta em relação aos R$ 30.770 registrados no primeiro trimestre de 2026.

A evolução dos preços foi a seguinte:

  • 3º trimestre de 2024: R$ 21.952/m²
  • 4º trimestre de 2024: R$ 22.201/m²
  • 1º trimestre de 2025: R$ 28.967/m²
  • 2º trimestre de 2025: R$ 30.656/m²
  • 3º trimestre de 2025: R$ 31.000/m²
  • 4º trimestre de 2025: R$ 29.845/m²
  • 1º trimestre de 2026: R$ 30.770/m²
  • 2º trimestre de 2026: R$ 33.431/m²

Leblon mantém liderança entre os bairros mais caros

O Leblon continua ocupando o primeiro lugar entre os bairros mais valorizados do Rio de Janeiro. O preço médio do metro quadrado no bairro chegou a R$ 71.338.

Ipanema aparece na segunda posição, com R$ 41.759 por m². Na sequência estão Copacabana, com R$ 33.908; Glória, com R$ 26.594; Barra da Tijuca, com R$ 26.039; Botafogo, com R$ 22.509; Lagoa, com R$ 21.307; e Recreio dos Bandeirantes, com R$ 19.682.

A diferença entre os dois bairros mais caros é expressiva: o metro quadrado médio do Leblon supera em cerca de R$ 29,5 mil o valor observado em Ipanema.

Vendas também recuam no segmento de luxo

Embora as vendas tenham superado os lançamentos em número de unidades, o segmento de alto padrão e luxo também registrou queda na comparação anual.

Entre abril e junho de 2026, foram vendidas 98 unidades, uma redução de 66% em relação ao mesmo período de 2025.

A retração ocorre após uma sequência de quedas. No quarto trimestre de 2025, as vendas recuaram 44% em relação ao trimestre anterior. Nos dois trimestres seguintes, as reduções foram de 23% em cada período.

Participação do luxo atinge menor nível da série

Com a redução dos lançamentos, os imóveis de alto padrão e luxo passaram a representar apenas 0,1% das unidades lançadas no Rio entre abril e junho de 2026. Esse foi o menor percentual registrado nos oito trimestres analisados pela Brain.

Em Valor Geral de Vendas (VGV), entretanto, o segmento respondeu por 8,7% do total lançado.

Nas vendas, os imóveis de luxo representaram 1,3% das unidades comercializadas no período, contra 2,5% no segundo trimestre de 2025. Em VGV vendido, a participação chegou a 12,9%.

Os dados revelam um cenário de forte redução da oferta de novos empreendimentos de luxo, enquanto os valores dos imóveis permanecem elevados. Para o mercado imobiliário carioca, o movimento reforça a diferença de comportamento entre o segmento de alto padrão e as demais faixas do setor, que apresentaram crescimento no segundo trimestre de 2026.

Fonte: FORBES