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Ladrões invadem garagens de condomínios em São Paulo

Ocorrências em Santo André e São Miguel Paulista levantam alerta sobre vulnerabilidades de portões automáticos e segurança residencial

Ladrões forçam portões e invadem garagens de casas e condomínios em São Paulo
Foto: Reprodução

A segurança de casas e condomínios voltou a chamar atenção após uma sequência de ocorrências em que criminosos conseguiram superar barreiras de acesso e entrar em garagens de imóveis no estado de São Paulo. Os casos, registrados em Santo André, no ABC Paulista, e em São Miguel Paulista, na zona leste da capital, mostram que portões automáticos podem apresentar vulnerabilidades quando utilizados como única barreira de proteção.

A reportagem do Balanço Geral, da Record, mostrou situações em que criminosos conseguiram abrir ou levantar portões para acessar propriedades e cometer furtos. As ocorrências também reacenderam a discussão sobre a necessidade de combinar diferentes equipamentos e procedimentos de segurança para dificultar a ação de invasores.

Em um dos casos, registrado em Santo André, seis criminosos conseguiram levantar um portão eletrônico com relativa facilidade. Depois de acessar a propriedade, o grupo roubou uma motocicleta.

A ocorrência demonstra uma vulnerabilidade importante em sistemas de acesso: mesmo quando existe um equipamento automatizado, sua resistência física e o método de instalação podem determinar o nível de proteção efetivamente oferecido.

Em São Miguel Paulista, outro caso apresentou dinâmica semelhante. Criminosos conseguiram abrir manualmente o portão de uma residência e entraram no imóvel para furtar uma bicicleta.

Embora os casos tenham ocorrido em imóveis residenciais distintos, a estratégia utilizada chama atenção para um problema que também pode atingir condomínios: a possibilidade de criminosos explorarem o intervalo entre a abertura, o fechamento ou a própria resistência física dos portões.

Portão automático não representa proteção isolada

A presença de um portão eletrônico pode aumentar o controle sobre o acesso a uma propriedade, mas o equipamento não deve ser encarado como uma barreira absoluta contra invasões.

Os casos apresentados pela reportagem evidenciam que criminosos podem procurar maneiras de explorar pontos frágeis da estrutura. Em determinados modelos, a resistência mecânica do portão, a instalação, os sistemas de travamento e a própria configuração do acesso podem interferir na segurança oferecida.

Por isso, especialistas ouvidos pela reportagem recomendam medidas adicionais, como travas eletromecânicas e eletromagnéticas. Esses dispositivos podem dificultar a abertura não autorizada e criar uma camada adicional de proteção.

Para condomínios, a análise deve ser ainda mais criteriosa porque uma eventual invasão de garagem pode permitir o acesso de criminosos às áreas internas do empreendimento.

Garagens estão entre os pontos de atenção

A garagem possui características que podem transformá-la em um ponto sensível da segurança condominial.

O acesso de veículos exige abertura periódica dos portões, criando momentos em que a entrada e a saída precisam ser controladas. Além disso, a área costuma concentrar automóveis, motocicletas, bicicletas e outros bens de moradores.

Quando um criminoso consegue ultrapassar o primeiro obstáculo, pode encontrar uma área com diversos veículos e objetos de valor.

A situação também pode se tornar mais grave quando a garagem possui ligação direta com elevadores, escadas ou outros acessos às áreas internas do edifício.

Por esse motivo, a segurança do estacionamento precisa ser analisada como parte de um sistema maior de controle de acesso, e não como uma estrutura isolada.

Criminosos procuram vulnerabilidades

A reportagem também chama atenção para a atuação de grupos que observam previamente os imóveis antes de tentar uma invasão.

Em Arujá, na Grande São Paulo, a chamada “gangue da espiadinha” foi citada como exemplo de criminosos que utilizam estratégias para avaliar possíveis alvos antes de agir.

Esse tipo de comportamento reforça a necessidade de os condomínios adotarem medidas que dificultem não apenas a invasão propriamente dita, mas também a coleta de informações pelos criminosos.

Rotinas previsíveis, falhas no controle de visitantes, portões que permanecem abertos por períodos prolongados e ausência de monitoramento podem criar oportunidades para quem observa a movimentação do empreendimento.

A prevenção, portanto, precisa considerar o comportamento dos invasores e não apenas a existência de equipamentos de segurança.

Especialistas defendem múltiplas camadas de proteção

Uma das principais recomendações apresentadas na reportagem é a utilização de diferentes mecanismos de proteção.

Travas eletromecânicas e eletromagnéticas podem ser utilizadas como complemento aos sistemas de abertura automática, dificultando que o portão seja simplesmente levantado ou forçado.

A lógica é criar camadas de segurança. Caso uma barreira seja superada, outra deve dificultar a continuidade da ação.

Em um condomínio, esse conceito pode envolver portões resistentes, travas adicionais, câmeras, iluminação adequada, controle de acesso, alarmes e procedimentos definidos para situações suspeitas.

Nenhum equipamento, isoladamente, é capaz de eliminar completamente o risco de uma invasão. A combinação de tecnologias e procedimentos tende a tornar o acesso não autorizado mais difícil e pode aumentar o tempo necessário para que os criminosos concluam uma ação.

Esse tempo pode ser fundamental para que funcionários identifiquem uma movimentação suspeita e acionem ajuda externa.

Tecnologia precisa estar associada à estrutura física

A adoção de tecnologias de segurança vem crescendo nos condomínios, mas os casos registrados em São Paulo demonstram que equipamentos eletrônicos precisam estar acompanhados de proteção física adequada.

Um sistema automatizado pode controlar quem aciona a abertura do portão, mas a estrutura também precisa resistir a tentativas de violação.

Da mesma forma, câmeras de segurança podem registrar uma invasão, mas o objetivo da prevenção é impedir ou dificultar que o criminoso consiga chegar às áreas internas.

Por isso, a análise de segurança deve considerar toda a cadeia de acesso: entrada na rua, aproximação do portão, abertura, passagem do veículo, fechamento, acesso à garagem e eventual entrada nas áreas internas.

Quanto mais pontos de proteção existirem, maior será a dificuldade para uma ação criminosa.

Condomínios devem avaliar pontos vulneráveis

Diante das ocorrências, síndicos e administradoras podem utilizar os casos como referência para revisar os pontos vulneráveis do próprio empreendimento.

Uma avaliação pode verificar, por exemplo, a resistência dos portões, funcionamento das travas, tempo de abertura e fechamento, posicionamento das câmeras, iluminação e procedimentos adotados pelos funcionários.

Também é importante observar se o portão permanece aberto além do necessário e se existe algum procedimento específico para situações em que um veículo aguarda a abertura ou o fechamento do acesso.

Pequenas falhas operacionais podem comprometer um sistema que, do ponto de vista tecnológico, parece adequado.

A revisão periódica dos equipamentos e dos protocolos permite identificar problemas antes que sejam explorados por criminosos.

Garagem deve integrar plano de segurança

A proteção da garagem não deve ser tratada separadamente do restante do condomínio.

Em empreendimentos com acesso direto aos elevadores ou às áreas comuns, a garagem pode funcionar como uma porta de entrada para outras partes do edifício.

Por isso, o controle de acesso precisa considerar não apenas o veículo que entra, mas também as pessoas que desembarcam, o acesso aos elevadores e a circulação nas áreas internas.

Câmeras posicionadas estrategicamente podem auxiliar no monitoramento. Entretanto, é necessário garantir que os equipamentos tenham campo de visão adequado e permaneçam em funcionamento.

Os registros também precisam ser armazenados de maneira apropriada para que possam ser consultados quando houver uma ocorrência.

Moradores também fazem parte da prevenção

A segurança condominial não depende exclusivamente do síndico, da portaria ou dos equipamentos instalados.

Moradores também precisam seguir os procedimentos estabelecidos pelo condomínio. Evitar a abertura do portão para desconhecidos, não permitir a entrada de pessoas que não tenham sido identificadas e comunicar movimentações suspeitas são atitudes que podem contribuir para reduzir riscos.

Outro ponto importante é evitar a divulgação desnecessária de informações sobre a rotina do condomínio ou sobre os sistemas de segurança utilizados.

Quanto mais informações um criminoso consegue obter sobre horários, procedimentos e vulnerabilidades, maior pode ser a capacidade de planejar uma invasão.

Portões precisam de manutenção preventiva

Além da instalação de equipamentos adicionais, a manutenção também exerce papel importante.

Portões que apresentam problemas mecânicos, travamentos ou falhas no fechamento podem criar oportunidades para invasores.

A manutenção preventiva permite identificar desgastes e problemas antes que eles comprometam o funcionamento do sistema.

Em condomínios, o acompanhamento deve incluir motores, sensores, travas, controles, sistemas de abertura e fechamento e demais componentes utilizados no acesso à garagem.

A verificação deve ser realizada por profissionais capacitados, especialmente quando houver necessidade de alteração ou reforço da estrutura.

Segurança precisa ganhar tempo

Um dos objetivos das múltiplas barreiras de proteção é aumentar o tempo necessário para que um invasor consiga acessar o imóvel.

A reportagem destaca justamente a importância de dificultar o acesso não autorizado por meio da combinação de diferentes tecnologias.

Quando um criminoso encontra uma barreira adicional, precisa dedicar mais tempo e esforço à invasão. Esse fator pode aumentar as chances de identificação da ação e de chegada de apoio.

Nesse sentido, segurança não significa necessariamente construir uma estrutura impossível de ultrapassar, mas criar obstáculos suficientes para dificultar a ação e reduzir a vulnerabilidade do empreendimento.

Casos em São Paulo servem de alerta para condomínios

As ocorrências em Santo André e São Miguel Paulista mostram que portões automáticos ou manuais podem ser explorados por criminosos quando existem fragilidades na estrutura ou no controle de acesso.

Em Santo André, seis criminosos levantaram um portão eletrônico e conseguiram entrar na propriedade, onde uma motocicleta foi roubada. Em São Miguel Paulista, criminosos abriram manualmente o portão de uma residência e furtaram uma bicicleta.

Os casos reforçam a necessidade de avaliar os portões não apenas pelo funcionamento cotidiano, mas também pela resistência diante de uma tentativa deliberada de invasão.

Para condomínios, essa análise deve ser ainda mais ampla, considerando que uma falha no acesso à garagem pode comprometer a segurança de dezenas ou centenas de moradores.

A combinação entre estrutura física resistente, travas, monitoramento, controle de acesso e protocolos de segurança pode reduzir vulnerabilidades e dificultar a ação de criminosos.

Prevenção exige revisão constante

A segurança de um condomínio não deve ser considerada um projeto concluído após a instalação de câmeras, portões eletrônicos ou outros equipamentos.

As técnicas utilizadas por criminosos mudam, e os sistemas de proteção precisam acompanhar essas mudanças.

Por isso, avaliações periódicas são importantes para identificar novos riscos e verificar se os equipamentos continuam cumprindo sua função.

A administração também deve analisar ocorrências registradas nas proximidades do condomínio. Casos de invasão em imóveis vizinhos podem servir como alerta para a necessidade de reforçar determinados pontos da estrutura.

A informação sobre crimes na região pode ajudar a administração a antecipar riscos e discutir medidas preventivas com os moradores.

Segurança condominial depende de várias barreiras

Os casos apresentados pela Record mostram que o portão, apesar de ser uma das principais barreiras de acesso, não deve ser considerado a única proteção de um imóvel.

Para os condomínios, o alerta é ainda mais relevante. Garagens concentram bens de alto valor e podem funcionar como caminho para áreas internas do empreendimento.

A recomendação de especialistas é combinar diferentes soluções, incluindo travas eletromecânicas e eletromagnéticas, para dificultar o acesso não autorizado.

A estratégia deve ser acompanhada de manutenção preventiva, monitoramento, treinamento de funcionários e participação dos moradores.

O objetivo é construir um sistema no qual uma eventual falha em uma barreira não resulte automaticamente no acesso completo ao condomínio.

Diante das recentes invasões registradas em São Paulo, síndicos e administradoras têm mais um motivo para revisar portões, garagens e demais pontos de entrada dos empreendimentos. A prevenção começa pela identificação das vulnerabilidades e pela adoção de medidas capazes de tornar a invasão mais difícil, aumentar o tempo de resposta e proteger moradores e patrimônio.

Fonte: R7