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Justiça suspende IPTU em condomínio de luxo

Decisão judicial beneficia moradores do condomínio Quinta da Baroneza, em Bragança Paulista, após aumento expressivo na base de cálculo do IPTU ser considerado ilegal

Justiça suspende cobrança de IPTU em condomínio de luxo no interior de São Paulo
Foto: Foto: Reprodução

A Justiça de São Paulo determinou a suspensão da cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) no condomínio Quinta da Baroneza, um dos mais luxuosos do estado, localizado em Bragança Paulista. A decisão foi tomada após moradores contestarem o aumento expressivo na base de cálculo do imposto, que chegou a 1.000% em alguns casos.

Entenda o caso

O impasse começou quando a Prefeitura de Bragança Paulista alterou a planta genérica de valores do município por meio de um decreto. A medida resultou em reajustes significativos no IPTU, impactando diretamente os proprietários do condomínio Quinta da Baroneza, onde os imóveis podem chegar a R$ 45 milhões.

A Sociedade Residencial Quinta da Baroneza, que representa os moradores, entrou com uma ação judicial alegando que a alteração na base de cálculo do IPTU foi realizada sem aprovação legislativa, o que tornaria o reajuste ilegal. Segundo a entidade, mudanças desse tipo precisam ser feitas por meio de lei aprovada pela Câmara Municipal, garantindo maior transparência e debate público.

Decisão judicial

O juiz Frederico Lopes Azevedo, da 2ª Vara Cível de Bragança Paulista, acatou o pedido da associação de moradores e suspendeu a cobrança do IPTU de 2025 para os imóveis do condomínio. Em sua decisão, o magistrado afirmou que a prefeitura não seguiu os trâmites legais para realizar a mudança e que o aumento expressivo na carga tributária fere os princípios da razoabilidade e da legalidade.

“A alteração da base de cálculo do IPTU, quando feita por decreto, viola o princípio da legalidade tributária, além de representar um impacto desproporcional para os contribuintes afetados”

Destacou o juiz em sua decisão.

Prefeitura defende a revisão dos valores

Por outro lado, a Prefeitura de Bragança Paulista argumenta que a revisão da planta genérica de valores foi necessária para atualizar a arrecadação municipal e equilibrar as contas públicas. Segundo a administração municipal, o reajuste impactou principalmente imóveis de alto padrão, enquanto 51% dos contribuintes da cidade tiveram redução no valor do IPTU.

Além disso, a prefeitura enfatizou que o condomínio Quinta da Baroneza abriga algumas das propriedades mais caras do país e que os moradores possuem alta capacidade contributiva.

Impactos e repercussões

A decisão judicial levanta questionamentos sobre a forma como os valores imobiliários são atualizados e os impactos dessas mudanças na arrecadação municipal. Especialistas destacam que, embora seja essencial ajustar a tributação conforme a valorização dos imóveis, qualquer alteração deve respeitar os trâmites legais para evitar disputas judiciais e insegurança jurídica.

Os moradores do Quinta da Baroneza comemoraram a decisão e afirmaram que continuarão acompanhando o desdobramento do caso. A prefeitura, por sua vez, já estuda medidas para reverter a decisão e garantir a manutenção do reajuste.

O caso ainda pode ser levado a instâncias superiores, o que significa que a disputa tributária deve continuar nos próximos meses.

Fonte: Metrópoles