Justiça decreta nova prisão de acusado de feminicídio
Alex Leandro Bispo dos Santos havia sido solto em agosto, mas teve a prisão preventiva restabelecida após recurso do Ministério Público

A Justiça de São Paulo decretou novamente a prisão preventiva de Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, acusado de matar a esposa, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos. A vítima morreu após cair do 10º andar do prédio onde o casal morava, no Morumbi, na zona sul da capital paulista, em dezembro de 2025.
O novo mandado foi expedido depois que o empresário havia sido colocado em liberdade pela Justiça. Ele estava preso desde dezembro do ano passado e teve a soltura determinada em 6 de agosto, sendo efetivamente liberado quatro dias depois. No mesmo dia, porém, o Ministério Público recorreu da decisão e solicitou novamente a prisão preventiva.
Prisão preventiva é restabelecida
Após analisar o recurso, a Justiça determinou novamente a prisão de Alex. Na decisão, o magistrado considerou que as medidas cautelares anteriormente estabelecidas não seriam suficientes para impedir novas práticas criminosas.
Entre as condições impostas inicialmente estavam a proibição de aproximação das testemunhas em um raio de pelo menos 500 metros, a proibição de contato por telefone ou WhatsApp e a obrigação de comparecimento periódico à Justiça.
Apesar da nova ordem judicial, o acusado ainda não havia sido localizado e passou a ser considerado foragido. O advogado Eugênio Malavasi confirmou que o cliente não havia se entregado e informou que a defesa pretende contestar a decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Imagens do condomínio mudaram investigação
A morte de Maria Katiane inicialmente havia sido tratada como acidental. A investigação mudou de rumo depois que a polícia teve acesso às imagens das câmeras de segurança do prédio.
As gravações mostraram a vítima sendo agredida pelo companheiro no estacionamento e no elevador pouco antes de sua queda do 10º andar. Com as novas evidências, o caso passou a ser investigado como feminicídio.
Segundo a investigação, Alex se tornou réu em fevereiro de 2026. Ele nega ter cometido o crime e apresentou aos policiais uma versão segundo a qual, depois de uma discussão, Maria Katiane teria se trancado no banheiro. Pouco tempo depois, segundo o relato dele, teria ouvido um grito e o barulho da queda.
O delegado Pietrantonio Minichillo afirmou que o acusado também nega as agressões. "Só que as imagens deixam muito claro o que aconteceu", declarou o policial, segundo o UOL.
Caso chama atenção para segurança em condomínios
O episódio também evidencia a importância das câmeras de segurança instaladas em edifícios residenciais para o esclarecimento de ocorrências. No caso de Maria Katiane, as imagens registradas nas áreas comuns do prédio foram utilizadas pela investigação e contribuíram para modificar a compreensão inicial sobre a morte.
A utilização desses equipamentos, entretanto, exige que os condomínios observem regras relacionadas à privacidade, proteção de dados e acesso às gravações. O armazenamento adequado e o fornecimento das imagens às autoridades, quando solicitado dentro dos procedimentos legais, podem ser relevantes para investigações.
Além dos sistemas eletrônicos, funcionários e moradores também podem desempenhar papel importante na identificação de situações de violência. Barulhos de agressão, pedidos de socorro ou comportamentos que indiquem risco devem ser tratados com atenção, sem que a comunidade condominial substitua a atuação das autoridades.
Acusado possui histórico criminal
Segundo a polícia, Alex possui antecedentes relacionados a outros crimes. Em 2003, quando tinha 18 anos, ele foi acusado de envolvimento no sequestro do sobrinho do então senador Eduardo Suplicy.
Ainda de acordo com as informações divulgadas pelo UOL, o empresário também foi investigado e condenado por crimes como latrocínio, receptação e roubo, tendo cumprido pena.
Durante a investigação da morte de Maria Katiane, a polícia também mencionou possíveis vínculos com uma facção criminosa, mas o acusado nega envolvimento.
Denúncias podem ajudar a interromper ciclos de violência
O caso reforça a importância da denúncia diante de situações de violência doméstica. A Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, funciona 24 horas e recebe denúncias e pedidos de orientação. Também existe o Disque 100, destinado a violações de direitos humanos.
Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. Vítimas também podem buscar medidas protetivas de urgência previstas pela Lei Maria da Penha.
No ambiente condominial, a prevenção passa ainda pela conscientização de moradores, funcionários, síndicos e administradores sobre como agir diante de situações que possam representar risco à integridade de uma pessoa.
A nova prisão preventiva de Alex Leandro Bispo dos Santos ocorre enquanto o processo continua em andamento. O acusado é considerado foragido, e a defesa contesta a decisão judicial. A morte de Maria Katiane segue sendo tratada pela investigação como feminicídio, com as imagens das câmeras do condomínio entre os elementos utilizados para esclarecer o que aconteceu antes da queda.
Fonte: UOL