Assessor se desculpa após denúncia de agressão em condomínio
Assessor parlamentar reconheceu que errou ao procurar o trabalhador para discutir em condomínio de Rio Branco e negou que o desentendimento tenha sido motivado por divergências políticas

Júnior Braña, assessor parlamentar e marido da deputada estadual Michelle Melo, pediu desculpas a um eletricista após ser denunciado por suposta agressão, ameaça e injúria durante uma discussão no Condomínio Ecoville, em Rio Branco, no Acre. Em manifestação enviada ao Portal Acre, ele reconheceu que errou ao procurar o trabalhador para discutir e afirmou que pretende se retratar pessoalmente.
O episódio ocorreu na terça-feira (13), quando Francisco Herlineudo Dias Lira, conhecido como Leodinho Lira, prestava serviços em uma residência no condomínio. Segundo o relato do eletricista à Polícia Civil, o desentendimento começou depois que ele recusou um pedido de ajuda para transferir carga entre as baterias de dois veículos.
O trabalhador afirmou que não poderia realizar o procedimento porque seu carro era novo e ainda estava na garantia. De acordo com a denúncia, a discussão se intensificou após comentários relacionados a um adesivo de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no veículo do eletricista.
Assessor reconhece que errou ao procurar trabalhador
Em sua manifestação, Júnior Braña apresentou sua versão sobre o início do conflito. Segundo ele, tentava ajudar uma mulher que enfrentava um problema com a bateria de um automóvel, mas inicialmente não conseguiu prestar auxílio porque o próprio veículo também estava sem bateria.
Braña afirmou que, depois de mais de uma hora tentando resolver a situação, ficou frustrado ao ter o pedido de ajuda recusado. Após solucionar o problema do próprio carro, decidiu retornar ao local da obra para conversar com o eletricista.
O assessor reconheceu, entretanto, que errou ao procurar o trabalhador para discutir sobre sua atitude.
Na nota, ele admitiu que não deveria ter iniciado a conversa e afirmou que perdeu a razão quando o eletricista começou a filmar o episódio.
Pedido de desculpas e intenção de retratação
Braña lamentou o constrangimento causado ao trabalhador e declarou que deseja encontrá-lo pessoalmente para pedir desculpas.
Ele também afirmou que pretende evitar que uma situação semelhante volte a acontecer. A manifestação representa o reconhecimento de que errou ao procurar o eletricista para discutir, embora não corresponda, por si só, a uma conclusão sobre todas as acusações registradas na ocorrência policial.
Assessor nega motivação política
O eletricista relatou à Polícia Civil que as ofensas teriam relação com o adesivo político em seu carro. Segundo sua versão, o conflito evoluiu para ameaças e agressões físicas, e o homem apontado na denúncia teria tentado tomar seu celular enquanto ele gravava a discussão.
Braña, por sua vez, negou que o episódio tenha sido motivado por divergências partidárias ou ideológicas. Na nota, afirmou que suas referências a Lula estavam relacionadas à ideia de ajudar outras pessoas e sustentou que o conflito ocorreu em razão da frustração com a recusa do pedido de auxílio.
As versões sobre a motivação do desentendimento são diferentes e devem ser consideradas no contexto da apuração dos fatos.
Denúncia foi registrada na Polícia Civil
Após o episódio, o eletricista procurou a 3ª Delegacia de Polícia Civil de Rio Branco e registrou boletim de ocorrência. O caso foi formalizado com as naturezas de lesão corporal dolosa, injúria e ameaça.
O trabalhador também foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame pericial destinado a verificar as lesões relatadas. Imagens gravadas durante a discussão foram divulgadas, mas, conforme a reportagem inicial do Portal Acre, os movimentos da câmera e a perda de enquadramento não permitem confirmar visualmente todos os atos descritos na denúncia.
A apuração policial deverá esclarecer as circunstâncias do episódio e avaliar os elementos apresentados pelas partes.
Conflitos e segurança nos condomínios
O caso chama a atenção para a importância de preservar a segurança e a convivência respeitosa em ambientes condominiais, onde moradores, trabalhadores e prestadores de serviços compartilham espaços e podem se envolver em desentendimentos.
Quando há relatos de ameaça ou agressão, o registro da ocorrência e a preservação de eventuais provas podem contribuir para a investigação pelas autoridades competentes. A administração condominial pode colaborar com informações e procedimentos internos, mas não substitui a atuação policial.
Até que haja uma conclusão das autoridades, as acusações devem ser tratadas como denúncias, com distinção entre os relatos do trabalhador e a versão apresentada por Júnior Braña.
Leia a nota completa enviada por Júnior Braña
Na saída para o trabalho, precisei ajudar uma senhora com a bateria dos carros e não pude porque o meu próprio também estava sem bateria.
Depois de mais de uma hora tentando resolver isso, pedi ajuda e fiquei frustrado como essa ajuda foi negada, principalmente porque uma senhora estava precisando dessa ajuda.
Porque eu jamais negaria ajuda a outra pessoa. Isso não faz parte do meu eu, nem dos meus princípios.
Quando finalmente consegui resolver, num impulso eu fui tentar conversar e pedir que o rapaz fosse mais disposto a ajudar o próximo, principalmente quando se trata de mulheres. Eu errei ao procurar esse rapaz para falar sobre atitude e deixar a conversa virar uma discussão. Ele começou a filmar a discussão, e foi ali que eu perdi a razão.
Me referi ao Lula pelo fato de enxergar nele o anseio de ajudar quem precisa e quis que o eleitor tivesse esse sentimento.
Eu lamento pelo constrangimento que causei a ele, e quero encontrar o Francisco pessoalmente para dizer isso. Infelizmente não dá pra voltar no tempo e tomar uma nova atitude, mas posso pedir desculpas de forma muito sincera, e garantir que isso não vai se repetir. Em relação a Bolsonaro e Lula, quero encontrar o Francisco e dizer que somos trabalhadores e lulistas, e eu quero encontrar o seu Francisco pessoalmente, pedir perdão e dizer que a democracia sempre vence, que venceremos juntos, nunca foi uma questão política, foi uma questão de solidariedade e alguém que perdeu a razão.
ATT,
Júnior Braña
Cidadão Brasileiro