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Juros da casa própria sobem em dois grandes bancos

Alta encarece o crédito para a compra da casa própria e ocorre em meio à elevação dos juros futuros e à redução da participação da poupança no financiamento habitacional

Depois do Bradesco, Itaú também sobe juros da casa própria.webp
Itaú: Banco cobrava a partir de 11,99% ao ano mais Taxa Referencial (TR). A alta é de 0,96 ponto percentual. · Foto: (Lucas Agrela/Site Exame)

Itaú eleva juros do financiamento imobiliário para 12,95% ao ano após reajuste do Bradesco

O Itaú Unibanco elevou a taxa mínima de juros do financiamento imobiliário para 12,95% ao ano, acrescida da Taxa Referencial (TR). A nova condição entrou em vigor nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, e representa um aumento de 0,96 ponto percentual em relação à taxa anterior, de 11,99% ao ano mais TR.

A mudança ocorreu poucos dias depois de o Bradesco anunciar uma elevação expressiva nas taxas de financiamento habitacional. Os reajustes dos dois bancos colocam em evidência a pressão sobre o custo do crédito imobiliário e seus possíveis efeitos para consumidores que planejam comprar imóveis.

Segundo levantamento da MySide citado pela revista Exame, o Itaú justificou a alteração pelas oscilações recentes nas curvas de juros futuros. Em comunicado, o banco afirmou que os custos do financiamento imobiliário dependem das condições de captação de recursos e que as taxas finais variam conforme o perfil e o relacionamento de cada cliente com a instituição.

Bradesco também aumentou as taxas

Na segunda-feira, 26 de outubro, o Bradesco elevou de 11,69% para 15% ao ano, mais TR, a taxa mínima aplicada à maioria dos clientes nas linhas de financiamento imobiliário consideradas no levantamento. O piso de 13,6% ao ano mais TR ficou restrito ao segmento Private, voltado a clientes de patrimônio elevado.

O reajuste do Bradesco foi de 3,3 pontos percentuais, enquanto o aumento do Itaú foi de 0,96 ponto percentual. Embora as mudanças tenham magnitudes diferentes, ambas encarecem parte das operações de crédito habitacional oferecidas pelos bancos.

As taxas anunciadas representam condições mínimas de referência, e não necessariamente o percentual que será oferecido a todos os compradores. A proposta final depende da análise de crédito, do relacionamento com a instituição e das características da operação.

Custo de captação influencia o crédito habitacional

O financiamento imobiliário depende de recursos captados pelas instituições financeiras. Entre as fontes tradicionais está a caderneta de poupança, mas sua participação no financiamento habitacional vem diminuindo.

Dados do Banco Central citados na reportagem da Exame indicam que a poupança respondia por 34% dos recursos utilizados no setor em dezembro de 2023. Em dezembro de 2025, essa participação havia recuado para 29%.

Com menor disponibilidade relativa dessa fonte, os bancos também recorrem a instrumentos de mercado, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), cujo custo está relacionado às condições financeiras e às expectativas para os juros.

O Itaú atribuiu seu reajuste às oscilações nas curvas de juros futuros, enquanto o Bradesco informou que atualizou suas taxas em função do aumento dos juros de mercado. As justificativas apontam para o custo de captação como um dos fatores considerados pelas instituições na definição das condições de financiamento.

Taxa acima de 12% exige atenção ao enquadramento

A taxa mínima de 12,95% ao ano mais TR anunciada pelo Itaú supera o limite de juros de 12% ao ano previsto para as operações enquadradas no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), conforme destacado pela Exame. Operações fora desse enquadramento podem ser realizadas pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), cujas condições são negociadas conforme as regras aplicáveis.

Essa diferença merece atenção porque o enquadramento no SFH está relacionado às condições para utilização do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na aquisição ou amortização de imóveis. A possibilidade de uso do fundo, contudo, depende também do atendimento aos demais requisitos legais e contratuais.

Por isso, antes de contratar o financiamento, o comprador deve confirmar em qual modalidade a operação será enquadrada e quais condições se aplicam ao seu caso. A taxa anunciada isoladamente não é suficiente para determinar a elegibilidade ao uso do FGTS.

Itaú e Bradesco têm participação relevante no mercado

O reajuste do Itaú tem impacto potencial significativo devido à participação do banco no crédito imobiliário. De janeiro a agosto de 2026, a instituição respondeu por 25,2% dos R$ 132,5 bilhões concedidos com recursos da poupança, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) divulgados pela Exame.

No mesmo período, o Bradesco respondeu por 16,2% desse volume, enquanto a Caixa Econômica Federal concentrou 48,6%. Somados, Itaú e Bradesco representaram 41,4% dos financiamentos concedidos com recursos da poupança no intervalo considerado.

A dimensão dessas participações ajuda a explicar por que alterações nas condições oferecidas pelos dois bancos são acompanhadas pelo mercado imobiliário. Ainda assim, o efeito sobre a concessão de crédito dependerá da evolução das taxas, das condições econômicas e das políticas comerciais adotadas pelas instituições.

O que muda para quem pretende comprar um imóvel?

A elevação dos juros pode aumentar o custo do financiamento e exigir maior capacidade de pagamento do comprador. O efeito exato depende do valor financiado, do prazo, do sistema de amortização, da TR, dos seguros, das tarifas e das condições específicas da proposta.

Para quem está avaliando a compra de uma casa ou de um apartamento, é importante comparar o Custo Efetivo Total (CET) das ofertas, verificar o valor das prestações ao longo do contrato e considerar os gastos associados à aquisição, como tributos, documentação e despesas de mudança.

Também é recomendável confirmar as regras de utilização do FGTS e verificar se a modalidade de financiamento pretendida atende aos requisitos para o uso do saldo. Uma simulação com diferentes instituições pode ajudar a identificar como pequenas ou grandes diferenças nas taxas afetam o orçamento familiar.

As mudanças anunciadas pelo Itaú e pelo Bradesco não determinam, por si só, a evolução de todo o mercado de crédito imobiliário. As condições podem variar entre bancos e clientes, e novas revisões dependerão do comportamento dos custos de captação e das decisões comerciais das instituições.