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Infestação de escorpiões em Perdizes (SP) acende alerta sobre segurança em condomínios

Moradores relatam aparecimento de escorpiões dentro de apartamentos; chef foi picado na sacada do imóvel. Conduta do síndico e ações preventivas são fundamentais para evitar riscos à saúde dos moradores

Infestação de escorpiões em Perdizes (SP) acende alerta sobre segurança em condomínios
Foto: Foto: Reprodução

Moradores do bairro de Perdizes, na zona oeste da capital paulista, estão vivendo dias de tensão após o registro de uma infestação de escorpiões em áreas residenciais, incluindo o interior de apartamentos. O caso mais grave ocorreu na Rua Palestra Itália, onde um morador foi picado por um escorpião dentro do próprio imóvel, aumentando a preocupação com a segurança, sobretudo de crianças.

O episódio aconteceu no último feriado de 1º de maio, quando o chef de cozinha Paulo Afonso, de 35 anos, cuidava das plantas da sacada de seu apartamento, onde vive com a filha de 13 anos. Durante a atividade, o morador foi surpreendido pela ferroada do aracnídeo. “Senti uma dor intensa e percebi que tinha sido atacado. O desespero foi ainda maior porque, além da minha filha, havia um sobrinho de quatro anos no apartamento naquele momento”, relatou.

Após o incidente, Paulo procurou atendimento médico no posto de saúde da Avenida Sumaré, onde recebeu o soro antiescorpiônico e iniciou tratamento com antibióticos. Segundo ele, os sintomas persistiram por dias, incluindo sudorese excessiva, dores fortes e descamação da pele no local da picada. A situação exigiu que ele suspendesse viagens profissionais para Balneário Camboriú, onde administra um restaurante da família.

Durante uma varredura feita com o sogro no apartamento, outro escorpião foi encontrado tentando sair pelo ralo do banheiro. Felizmente, a grade do ralo impediu a entrada do animal no ambiente.

Outros relatos preocupantes

O caso do chef não foi isolado. Moradores das ruas Diana e Alfonso Bovero, também em Perdizes, confirmaram o aparecimento de escorpiões nas proximidades. A frequência dos relatos sugere uma infestação urbana, fenômeno que tem sido associado a acúmulo de lixo, entulho e presença de baratas, principal fonte de alimento desses animais peçonhentos.

Paulo acredita que a infestação pode estar relacionada à sujeira deixada por torcedores e frequentadores de eventos no Allianz Parque, estádio do Palmeiras, que fica em frente ao edifício onde mora. “É muito lixo, copos, restos de comida. Os bares da região não fazem a limpeza adequada e a prefeitura não fiscaliza. Estamos abandonados”, desabafou.

Risco real à saúde pública e atenção redobrada para síndicos

Escorpiões são perigosos especialmente para crianças, idosos e pessoas com comorbidades, devido à ação neurotóxica do veneno. A picada pode levar a complicações graves e até à morte em casos não tratados a tempo.

O aumento das ocorrências em áreas urbanas reforça a necessidade de ações imediatas por parte das administrações condominiais. Nesses casos, o papel do síndico é fundamental. De acordo com normas de segurança predial e sanitária, o gestor do condomínio deve:

  • Contratar empresa especializada em controle de pragas licenciada pela vigilância sanitária;
  • Realizar vistorias regulares em todas as áreas comuns;
  • Inspecionar pontos de acesso, como ralos, grelhas e rodapés;
  • Promover a vedação de frestas, ralos e tubulações;
  • Orientar os moradores com comunicados e campanhas educativas;
  • Notificar o poder público, como a subprefeitura e vigilância ambiental, sobre os focos identificados;
  • Garantir que os entornos do condomínio sejam limpos e monitorados.

Aspecto legal e responsabilidade civil

Em casos de omissão por parte da administração condominial, pode haver responsabilização civil do condomínio em situações onde fique comprovado que a negligência contribuiu para danos à saúde de moradores. Por isso, a atuação proativa e preventiva do síndico é não apenas recomendável, mas essencial para evitar litígios e proteger vidas.

Atenção redobrada em regiões urbanas densas

O caso de Perdizes evidencia a vulnerabilidade até mesmo de áreas urbanizadas e bem cuidadas diante do avanço dos escorpiões. A infestação não é exclusiva de locais com terrenos baldios ou falta de saneamento: mudanças climáticas, acúmulo de resíduos e o desequilíbrio ecológico são fatores que favorecem a reprodução dos aracnídeos também em bairros nobres e condomínios verticais.

Para síndicos, gestores prediais e administradoras, o alerta é claro: a segurança sanitária deve estar entre as prioridades da gestão condominial. Manter rotinas de inspeção, limpeza, combate a pragas e comunicação preventiva com moradores é essencial para evitar tragédias silenciosas causadas por animais peçonhentos.

Fonte: G1