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Juros e inflação desafiam mercado imobiliário

Selic em 14%, INCC acima da inflação e alta dos aluguéis influenciam custos, financiamentos e decisões no setor

Indicadores econômicos mostram cenário de juros altos e pressão sobre o mercado imobiliário
Foto: iStock

Os principais indicadores econômicos que influenciam o mercado imobiliário brasileiro apresentam um cenário de juros ainda elevados, custos de construção acima da inflação e valorização dos aluguéis. Os dados mais recentes foram atualizados pelo Portas em 14 de setembro de 2026 e reúnem informações sobre Selic, CDI, IPCA, IGP-M, INCC-DI, IVAR e FipeZap.

Entre os indicadores, a Selic permanece em 14% ao ano. A taxa chegou ao atual patamar após o quarto corte consecutivo promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto. Apesar da redução, o nível ainda é considerado elevado e influencia diretamente o custo do crédito imobiliário.

Quando os juros básicos permanecem altos, os financiamentos tendem a ficar mais caros, o que pode reduzir a capacidade de compra das famílias e afetar a demanda por imóveis. A transmissão das mudanças na Selic para as taxas bancárias, porém, costuma ocorrer de forma gradual.

CDI continua próximo da Selic

O CDI está em 13,90% ao ano em setembro de 2026. A taxa acompanha de perto a Selic e funciona como referência para diferentes investimentos financeiros, incluindo produtos relacionados ao mercado imobiliário.

A permanência de juros elevados também interfere na comparação entre investir em imóveis e manter recursos em aplicações de renda fixa. Quanto maior a remuneração desses investimentos, maior tende a ser a concorrência com ativos imobiliários pela preferência dos investidores.

Inflação registra queda em agosto

O IPCA, índice oficial de inflação do país, apresentou variação negativa de 0,32% em agosto de 2026 e acumula alta de 4,22% em 12 meses.

No mercado imobiliário, o indicador serve como referência para avaliar a evolução dos preços dos imóveis e dos aluguéis em relação ao custo de vida. Também é utilizado como indexador em determinadas modalidades de financiamento imobiliário.

Outro índice acompanhado pelo setor é o IGP-M. Em agosto, o indicador teve queda de 0,22% e acumula alta de 2,18% em 12 meses.

Por ser tradicionalmente utilizado em contratos de locação para o reajuste anual, o resultado do IGP-M influencia diretamente proprietários e inquilinos nos contratos que adotam esse indexador.

Custo da construção permanece acima da inflação

O INCC-DI apresentou alta de 0,66% em agosto e acumula avanço de 6,61% em 12 meses. O índice acompanha a variação dos custos de materiais e mão de obra empregados na construção civil.

O resultado também interfere nos contratos de imóveis adquiridos na planta durante o período de obras, já que o índice pode ser utilizado para corrigir parcelas até a entrega das unidades.

A diferença entre o INCC e o IPCA mostra que os custos específicos da construção seguem uma dinâmica própria, influenciada por fatores como preços de materiais e disponibilidade de mão de obra.

Aluguéis acumulam alta

O IVAR, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), registrou alta de 0,29% em agosto, abaixo dos 0,66% observados em julho. No acumulado de 12 meses, o avanço chega a 5,09%.

O índice acompanha a variação efetiva dos aluguéis residenciais em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Entre as quatro capitais analisadas, Belo Horizonte apresentou a maior alta no ano, de 8,47%.

Já o FipeZap apontou aumento de 0,70% nos aluguéis residenciais em julho de 2026, com alta acumulada de 5,97% no ano.

No mercado de venda residencial, o índice registrou avanço de 0,46% em julho e crescimento de 2,89% no ano. O levantamento também apontou desconto médio recorde de 14% nas negociações.

Indicadores ajudam a orientar decisões

A combinação dos dados mostra que o mercado imobiliário segue condicionado por diferentes forças econômicas. De um lado, a redução gradual da Selic pode favorecer o crédito ao longo do tempo. De outro, os juros ainda permanecem em nível elevado, enquanto os custos da construção e os preços dos aluguéis continuam pressionando diferentes agentes do setor.

Para compradores, investidores, proprietários, inquilinos, incorporadoras e profissionais que atuam no segmento, acompanhar os indicadores permite avaliar com maior precisão o momento econômico e seus possíveis impactos sobre financiamentos, contratos, lançamentos e negociações.

No ambiente condominial, a evolução dos custos também pode repercutir indiretamente sobre despesas de manutenção, obras, contratos de prestação de serviços e planejamento financeiro dos empreendimentos.

Com diferentes índices apresentando comportamentos distintos, a análise conjunta dos indicadores se torna importante para compreender não apenas o preço dos imóveis, mas também o custo do crédito, da construção e da locação no mercado brasileiro.

Fonte: Portas