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Incêndio em Hong Kong: 128 mortos, 200 desaparecidos e investigação aponta negligência grave em condomínio

Tragédia atinge complexo residencial com oito torres, expõe falhas estruturais, mobiliza 2,3 mil profissionais de emergência e leva diretores e engenheiros à prisão por suspeita de homicídio culposo.

Incêndio em Hong Kong: 128 mortos, 200 desaparecidos e investigação aponta negligência grave em condomínio
Foto: Foto: Reprodução

O devastador incêndio que atingiu um complexo residencial no distrito de Tai Po, em Hong Kong, tornou-se um dos episódios mais trágicos da história moderna da China. O balanço oficial aponta 128 mortos, dezenas de feridos e cerca de 200 pessoas ainda desaparecidas. O cenário de destruição choca moradores e autoridades, enquanto as investigações revelam falhas graves em obras realizadas nos edifícios do conjunto Wang Fuk Court, composto por oito torres de 31 andares construídas na década de 1980.


Segundo as autoridades, as chamas se espalharam rapidamente após atingirem andaimes de bambu cobertos por telas de proteção, instalados para obras de renovação. O material acelerou a propagação do fogo, que avançou de uma torre para outra em questão de minutos, envolvendo sete dos oito prédios. Imagens de antes e depois mostram o impacto avassalador da tragédia.

A Comissão Independente contra a Corrupção (ICAC) confirmou a prisão de oito pessoas, incluindo dois diretores da consultoria Will Power Architects Company, um consultor de engenharia e proprietários da empresa contratada para os serviços de andaime. Entre os detidos estão homens e mulheres de 40 a 63 anos, além de um intermediário envolvido nas negociações das obras. A ICAC também cumpriu mandados de busca em 13 endereços e apreendeu documentos de engenharia e registros bancários considerados fundamentais para a investigação.

Considerado o incêndio mais letal dos últimos 68 anos em Hong Kong, o caso ganhou proporções ainda maiores após as equipes de resgate encontrarem dezenas de corpos durante buscas detalhadas nos apartamentos mais atingidos. Segundo o Departamento de Serviços de Incêndio, diversos moradores chegaram a ligar pedindo socorro, mas não puderam ser alcançados devido à intensidade das chamas e da fumaça.

O secretário de Segurança, Chris Tang, informou que pelo menos 89 corpos ainda não foram identificados e ressaltou que o número de vítimas deve subir. A operação mobilizou 2,3 mil bombeiros, socorristas e profissionais de saúde, que atuaram por mais de 24 horas para controlar o incêndio. Um bombeiro morreu durante o combate e outros 12 ficaram feridos.

As primeiras análises apontam que alguns alarmes de incêndio não estavam funcionando no momento da tragédia, fato que pode gerar responsabilização. Além disso, policiais localizaram painéis de espuma plástica inflamável instalados próximos a elevadores — material que não atende aos padrões de segurança e pode ter contribuído para o avanço das chamas.

A Prestige Construction & Engineering Company, responsável pela reforma, está no centro das investigações e teve caixas de documentos apreendidas. As autoridades suspeitam de negligência grave, especialmente pelo uso inadequado de materiais e pelo gerenciamento da obra. A polícia reforça que há indícios de que os responsáveis possam ter contribuído diretamente para a escalada da tragédia.

Cerca de 4,6 mil pessoas viviam no complexo, sendo que 40% eram idosos. Após o incêndio, 500 moradores foram encaminhados para abrigos temporários montados em escolas e quadras, e mais de mil vagas em hotéis foram disponibilizadas pela administração local. A cena é de comoção, luto e incerteza.

Moradores relatam que não ouviram alarmes e que tiveram de bater nas portas dos vizinhos para alertar sobre o perigo. “Não sobrou nada”, disse à Reuters uma moradora de 51 anos, que perdeu todos os pertences do apartamento onde vivia há mais de duas décadas.

O presidente chinês, Xi Jinping, enviou condolências às famílias e determinou que “todo esforço seja feito para reduzir as perdas e intensificar a investigação”. Enquanto as equipes avançam nas buscas e perícias, o temor é que o número de vítimas continue aumentando.

A tragédia reacende um alerta crítico para gestores de condomínios ao redor do mundo: a importância da segurança em obras, da escolha de materiais adequados, da manutenção de sistemas de alarme e da fiscalização rigorosa em ambientes com grande circulação de moradores — especialmente idosos.

Fonte: O Globo