Pular para o conteúdo
Noticias

Inadimplência condominial aumenta e preocupa moradores

Índice de condôminos com taxas atrasadas passou de 9,72% para 12% em três anos, aumentando a pressão sobre famílias e a gestão dos condomínios

Inadimplência condominial cresce e reforça alerta sobre planejamento financeiro
Foto: Imagem ilustrativa

Em três anos, índice de condôminos com taxas atrasadas saltou de 9,72% para 12%. Especialistas alertam que a dívida pode levar até à perda do imóvel e recomendam o parcelamento como saída.

Morar em condomínio tem exigido um planejamento financeiro cada vez mais rigoroso. Nos últimos anos, os moradores têm notado um aumento considerável no valor das taxas condominiais, o que gerou um reflexo direto e preocupante: o crescimento expressivo do número de inadimplentes. Equilibrar as despesas e manter os pagamentos em dia tornou-se um desafio para muitas famílias.

De acordo com um censo do setor, o salto na inadimplência foi significativo nos últimos anos:

  • 1º semestre de 2022: 9,72% de inadimplência.
  • 1º semestre de 2025: 12% de inadimplência.

Esse impacto no orçamento provocou até mesmo um movimento de migração imobiliária, com pessoas que moravam em condomínios de classe A mudando-se para condomínios de classe B em busca de taxas mais adequadas à sua realidade financeira.

Esse impacto no orçamento provocou até mesmo um movimento de migração imobiliária, com pessoas que moravam em condomínios de classe A mudando-se para condomínios de classe B em busca de taxas mais adequadas à sua realidade financeira.

O peso no orçamento e os motivos do aumento

Para moradores como o supervisor de T.I. Elton César Galvão, colocar as despesas na ponta do lápis é rotina obrigatória.

"A gente paga financiamento da casa, condomínio, IPTU, taxa de bombeiro, energia... Tem que fazer o orçamento na planilha para não ficar devendo nada a ninguém", desabafa.

Atualmente, cerca de 40 milhões de pessoas vivem em condomínios no Brasil. O valor médio da taxa paga no país hoje é de R$ 516 por mês. O encarecimento é impulsionado, em grande parte, pelas novas comodidades e infraestruturas oferecidas, tais como:

  • Espaços pet e áreas kids.
  • Circuitos avançados de segurança.
  • Equipamentos para recarga de carros elétricos.

A estratégia dos síndicos para conter repasses

Quando os custos de concessionárias e prestação de serviços sobem, o repasse acaba caindo no bolso do condômino. Para minimizar esse impacto, a gestão precisa de criatividade.

O síndico profissional Yuri Malta, que gerencia 11 condomínios em Maceió (AL) – lidando com cerca de 600 moradores apenas no local onde vive –, ressalta que o trabalho exige

"psicologia, resiliência e paciência". Para evitar o aumento das taxas, ele apostou em mudanças operacionais. "Antigamente tínhamos a terceirização dos serviços e hoje contamos com folha própria de funcionários. Conseguimos enxugar os gastos em mais de 20% e evitar que esse aumento fosse sentido de forma mais pesada pelo morador", explica Yuri.

O que acontece se eu não pagar o condomínio?

As consequências para quem deixa de pagar a taxa condominial vão muito além de simples cobranças. O advogado especialista em condomínios, Cezar Nantes, alerta para os sérios riscos jurídicos e patrimoniais da inadimplência:

  • Perda de direitos: O condômino deixa de poder participar e perde o direito de voto nas assembleias.
  • Restrição de crédito: O nome do devedor pode ser negativado.
  • Ação Judicial e perda do imóvel: Como a taxa é um título executivo, o condomínio pode entrar na Justiça e, em casos extremos, o morador pode perder o próprio apartamento para quitar a dívida.
"O processo judicial, mesmo sendo uma execução, é lento. A orientação é sempre ter bom senso", pondera Cezar.

Como o síndico não tem autorização legal para conceder descontos no valor principal da dívida, a melhor saída para evitar a judicialização é propor um parcelamento. Dessa forma, o morador consegue voltar a pagar a cota mensal vigente enquanto quita os valores em atraso, garantindo que o condomínio mantenha sua saúde financeira sem prejudicar o patrimônio das famílias.

Fonte: G1