Homem é preso após invadir apartamento e perseguir moradoras em condomínio no Paraná
Suspeito teria espionado mulheres, forçado janelas, descumprido medidas protetivas e ameaçado o síndico de morte em Fazenda Rio Grande

"Tarado do condomínio": Homem é preso após
invadir apartamento e revistar gaveta de roupas íntimas de vizinha
Caso ocorreu em Fazenda Rio Grande (PR). Morador
perseguia mulheres, espionava banhos pela janela, descumpriu medidas protetivas
e chegou a ameaçar o síndico de morte. Suspeito foi flagrado por uma câmera
oculta enquanto a vítima trabalhava.
Uma rotina de perseguição e assédio que aterrorizava as
moradoras de um condomínio em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de
Curitiba (PR), chegou ao fim com a prisão de um homem apelidado de "Tarado
do Condomínio". O suspeito, identificado como Robson, foi detido em
flagrante após invadir o apartamento de uma vizinha para vasculhar suas peças
íntimas. Toda a ação foi transmitida ao vivo para o celular da vítima.
O caso, que ganhou repercussão nacional através do programa Balanço
Geral, expôs a escalada do comportamento criminoso do morador, que ignorou
até mesmo ordens judiciais de distanciamento para continuar a sua obsessão
pelas vizinhas.
Cronologia do terror: de bebedeiras a espionagem
A dor de cabeça para os moradores começou logo após Robson
alugar um apartamento no condomínio, no dia 16 de março deste ano. Segundo o
síndico Pedro Ferrelli, que atua na função há dois anos, o primeiro incidente
grave ocorreu menos de duas semanas depois.
No dia 29 de março, Robson foi encontrado dormindo nos
corredores da área comum do Boulevard do condomínio, em visível estado de
embriaguez. A situação assustou diversas moradoras, e a administração precisou
intervir.
O comportamento do inquilino tornou-se mais sombrio no mês
seguinte. No dia 20 de abril, o síndico recebeu mensagens de WhatsApp de uma
moradora apavorada. Ela relatou a forte sensação de estar sendo observada
enquanto tomava banho e desconfiava que alguém espreitava pela janela do seu
banheiro.
Uma falha no projeto arquitetônico do condomínio facilitava
a ação do "tarado": as janelas dos banheiros ficam voltadas para as
calçadas de pedestres, numa altura extremamente baixa, permitindo que qualquer
pessoa do lado de fora alcance o vidro com facilidade.
A caçada de gato e rato e a invasão
Para proteger a primeira vítima, o síndico agiu rápido e
instalou uma câmera de segurança externa apontada para a janela do apartamento
dela. Ao perceber que estava sendo monitorado, Robson mudou a sua rota.
Ele elegeu uma segunda vítima, cujo apartamento ficava numa
área cega, sem cobertura do circuito externo de segurança. A moradora, que
também já havia relatado ao síndico a sensação de ser vigiada durante o banho,
chegou a flagrar o homem tentando forçar a sua janela em uma ocasião.
Preocupada com a própria segurança quando saía para o
trabalho, a mulher comprou e instalou uma câmera interna escondida em sua sala,
apontada para os corredores e quartos.
A estratégia funcionou. Dias depois, enquanto estava no
trabalho, a vítima recebeu um alerta no celular e assistiu, atônita e em tempo
real, à invasão do seu apartamento. As imagens em preto e branco do circuito
interno mostram Robson entrando na casa e indo direto para o quarto dela, onde
passou a vasculhar obsessivamente a gaveta de roupas íntimas. A Polícia Militar
e a Guarda Municipal foram acionadas imediatamente pela moradora.
Ameaças de morte e descumprimento de medidas protetivas
O grau de periculosidade de Robson já era conhecido pelas
autoridades. Pelo menos duas vizinhas do condomínio já haviam conseguido na
Justiça Medidas Protetivas contra ele, determinando que o homem mantivesse
distância. No entanto, o suspeito ignorava a lei e continuava a rondar os
apartamentos, forçando janelas e cercando as mulheres.
Quando confrontado pela administração sobre o seu
comportamento e os flagrantes de assédio, Robson reagiu com agressividade e
chegou a ameaçar o síndico Pedro Ferrelli de morte.
Diante da gravidade, o síndico reuniu todo o dossiê cópias
do contrato de locação, mensagens das moradoras apavoradas e os vídeos do
circuito interno e registrou um Boletim de Ocorrência, fornecendo inclusive o
login e senha do sistema de câmeras do condomínio em tempo real para a Polícia
Civil do Paraná.
O interrogatório: pego na mentira
Após ser preso pela invasão, Robson passou por uma audiência
de custódia e interrogatório via videochamada com o delegado responsável pelo
caso. As imagens da oitiva mostram uma tentativa frustrada do suspeito de se
esquivar da culpa.
Ao ser questionado pelo delegado sobre o motivo de ter
invadido a casa da vizinha e se ele possuía algum "problema", o homem
tentou usar a saúde como desculpa:
"Eu tomo remédio" respondeu o suspeito. O delegado, utilizando técnicas clássicas de
interrogatório, rebateu rapidamente:
"Qual remédio você toma?"
Encurralado e sem conseguir sustentar a mentira, Robson gaguejou: "Ah,
eu não sei dizer o nome para o senhor não..."
A resposta evasiva selou o seu destino.
"Toma
remédio e não sabe o nome? É brincadeira, cara. Cidadão, você está preso e vou
encaminhar para o juiz. E espero que fique bastante tempo preso",
cravou o delegado, encerrando a conversa.
Robson foi autuado em flagrante e responderá por violação
de domicílio, crime contra o patrimônio (pelos danos causados ao
forçar a entrada) e descumprimento de decisão judicial (por violar as
medidas protetivas das vítimas). Ele permanece à disposição da Justiça.