Governo de Hong Kong anuncia 13 prisões ligadas a incêndio em condomínio de arranha-céus que deixou 151 mortos
Maior incêndio da história de Hong Kong expõe erros graves em telas de proteção, andaimes e alarmes de incêndio; fogo durou dois dias e destruiu sete torres residenciais.

O governo de Hong Kong confirmou, nesta segunda-feira (1º), a prisão de 13 pessoas suspeitas de envolvimento no incêndio devastador que atingiu um complexo de arranha-céus e deixou 151 mortos, na última quarta-feira (26). O episódio, considerado o mais letal da história moderna da região, reacendeu o debate sobre segurança em obras, falhas estruturais e responsabilidade técnica em grandes empreendimentos residenciais.
Segundo as autoridades, as prisões ocorreram após uma operação que incluiu a busca no escritório da Prestige Construction & Engineering Company, empresa responsável pelas reformas no conjunto de torres. Caixas de documentos foram apreendidas como parte da investigação. Até o momento, não está claro se todos os detidos têm ligação direta com a construtora.
Um dos principais elementos revelados pelo governo diz respeito às telas de proteção instaladas nos andaimes. Testes realizados em 120 amostras identificaram que sete delas não atendiam às normas de resistência ao fogo, facilitando a propagação das chamas ao longo das estruturas externas.
Além disso, os alarmes de incêndio dos prédios apresentavam defeitos, impedindo que muitos moradores fossem alertados a tempo. A combinação de materiais inadequados, andaimes de bambu — amplamente usados em Hong Kong — e equipamentos de segurança comprometidos criou um ambiente altamente vulnerável, permitindo que o fogo se espalhasse rapidamente por sete torres de 31 andares.
O combate às chamas foi concluído apenas na última sexta-feira (28), dois dias após o início do incêndio, evidenciando a complexidade e a violência das labaredas. O complexo, localizado no distrito de Tai Po, abriga cerca de 4,6 mil moradores distribuídos em oito torres, cada uma com mais de 30 pavimentos, segundo o censo de 2021.
Enquanto as investigações continuam, a comoção popular cresce. Apenas até segunda-feira, doações para os sobreviventes já haviam alcançado 900 milhões de dólares de Hong Kong (aproximadamente R$ 618 milhões). Homenagens, flores e mensagens se acumulam em um memorial improvisado ao lado das estruturas destruídas.
A causa exata do incêndio ainda está sob análise, mas as autoridades reforçam que a combinação de falhas técnicas, materiais inflamáveis e sistemas de segurança inadequados foi determinante para a gravidade da tragédia — um alerta severo para condomínios, administradores e engenheiros sobre a importância de padrões rigorosos de segurança em obras.
Fonte: G1