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Golpe causa prejuízo a condomínio em Marituba

Ex-síndica realizou três transferências via Pix com recursos da reserva após ser enganada por criminosos que se passaram por profissionais da Justiça

Golpe do falso advogado causa prejuízo de R$ 40,3 mil a condomínio em Marituba
Foto: Reprodução

Moradores do Condomínio Salinas, localizado na BR-316, em Marituba, na Região Metropolitana de Belém, enfrentam uma combinação de problemas que envolve prejuízo financeiro, questionamentos sobre transparência administrativa e falta de água em algumas torres. O condomínio teve R$ 40,3 mil retirados de sua reserva após a então síndica ser vítima de um golpe aplicado por pessoas que se apresentaram como profissionais ligados à Justiça.

O episódio ocorreu em junho e começou com uma abordagem pelo WhatsApp. Segundo a reportagem do Ver-o-Fato, a então síndica, Ana Karina Bezerra Corrêa Chaves, recebeu uma mensagem de uma pessoa que se apresentou como advogado do condomínio e informou que o residencial teria obtido uma decisão favorável em um processo judicial.

Na sequência, outro contato, que se identificou como promotor, teria orientado a realização de transferências financeiras.

Três transferências foram realizadas

Seguindo as instruções recebidas, foram realizados três pagamentos por Pix para contas de terceiros. As transferências foram de R$ 20 mil, R$ 19 mil e R$ 1.300, totalizando R$ 40.300.

Os valores utilizados pertenciam à reserva financeira do condomínio, o que ampliou o impacto da fraude sobre as contas do residencial.

Depois de perceber que havia sido enganada, a então síndica registrou boletim de ocorrência. Também ingressou com uma ação judicial contra a Caixa Econômica Federal, na qual alega falha na prestação dos serviços de segurança bancária.

A reportagem informa que não existe, até o momento, previsão para o ressarcimento do valor. Ana Karina orientou que informações sobre o andamento do caso fossem solicitadas à polícia e à Justiça.

Prejuízo provoca questionamentos entre moradores

O uso de recursos da reserva condominial fez com que moradores passassem a questionar como o prejuízo será recuperado e quais medidas serão adotadas para evitar novos episódios.

A situação também trouxe à discussão a necessidade de procedimentos internos para movimentações financeiras de valores elevados.

Embora o síndico tenha atribuições administrativas e possa realizar pagamentos necessários à manutenção do condomínio, operações extraordinárias podem exigir mecanismos adicionais de conferência e validação, especialmente quando envolvem valores expressivos.

A adoção de processos internos de dupla conferência, registros formais e confirmação independente de informações pode reduzir o risco de decisões tomadas sob pressão.

Moradores relatam suposto acordo sobre ressarcimento

Além do golpe, a reportagem apresenta relatos de moradores sobre um suposto acordo envolvendo a ex-síndica e o atual administrador, Raimundo Rodrigues.

Segundo os relatos apresentados ao veículo, teria sido estabelecido um entendimento para que a devolução dos R$ 40.300 não fosse cobrada da ex-síndica. Em contrapartida, ela teria assumido a presidência do Conselho Consultivo após receber 36 votos.

A existência e os termos desse suposto acordo são questionados pelos moradores. Até a publicação da reportagem, não havia sido apresentada documentação que comprovasse o entendimento relatado.

O atual síndico foi procurado pela reportagem, mas não respondeu aos contatos. O espaço permaneceu aberto para manifestação.

Falta de água agrava insatisfação

Paralelamente à discussão financeira, moradores de diferentes torres do condomínio relatam problemas no abastecimento de água.

Segundo a reportagem, moradores das torres 9, 13 e 16 afirmaram estar há quase cinco dias enfrentando falta de água.

Os condôminos também questionaram a quantidade de informações fornecidas pela administração sobre as causas do problema e sobre a previsão para normalização do serviço.

A situação contribuiu para aumentar a cobrança por informações sobre as decisões administrativas e sobre os problemas enfrentados pelo residencial.

Transparência ganha importância na gestão

O caso evidencia como a comunicação entre administração e moradores pode se tornar ainda mais importante quando o condomínio enfrenta problemas financeiros ou operacionais.

Informações sobre despesas extraordinárias, utilização da reserva, medidas adotadas após uma fraude e providências para recuperação dos recursos devem ser documentadas e apresentadas aos condôminos pelos canais adequados.

A transparência não significa expor dados pessoais ou informações que possam prejudicar investigações. O objetivo é permitir que a coletividade acompanhe decisões que afetam diretamente o patrimônio comum.

Golpes exploram autoridade e urgência

O golpe relatado em Marituba utiliza uma estratégia comum em fraudes digitais: a combinação de uma falsa autoridade com uma situação que exige uma resposta imediata.

Ao se apresentar como advogado e posteriormente como promotor, o criminoso teria criado uma aparência de legitimidade para convencer a administradora a realizar os pagamentos.

Para condomínios, o episódio mostra a necessidade de desconfiar de solicitações financeiras recebidas exclusivamente por aplicativos de mensagens, principalmente quando envolvem processos judiciais, supostos pagamentos urgentes ou transferências para contas de terceiros.

A confirmação deve ocorrer por canais independentes, como contatos oficiais previamente cadastrados.

Reserva financeira exige proteção

O fundo de reserva é constituído para atender necessidades previstas nas regras do condomínio e, em geral, funciona como uma proteção financeira diante de despesas extraordinárias e situações emergenciais.

Por isso, a perda de R$ 40,3 mil representa não apenas uma despesa, mas a redução da capacidade financeira do condomínio para enfrentar futuros imprevistos.

A gestão pode adotar mecanismos de controle para movimentações relevantes, incluindo autorização conforme as regras internas, conferência de beneficiários, validação de documentos e acompanhamento periódico das contas.

Prevenção precisa envolver síndicos e conselheiros

A responsabilidade pela segurança financeira não deve ficar concentrada em uma única pessoa quando o condomínio possui mecanismos coletivos de fiscalização.

Síndico, conselho, administradora e demais responsáveis pela gestão podem estabelecer rotinas de conferência para pagamentos de maior valor.

Também é recomendável manter contratos, dados bancários de fornecedores e prestadores atualizados, evitando alterações baseadas apenas em mensagens recebidas por aplicativos.

Quando houver uma solicitação relacionada a processo judicial, a confirmação diretamente com o escritório de advocacia ou profissional responsável pelo caso pode impedir que uma informação falsa seja utilizada para autorizar uma transferência.

Caso reforça importância da gestão profissional

A ocorrência no Condomínio Salinas mostra como a segurança condominial vai além do controle de portões e câmeras. A proteção do patrimônio coletivo também envolve processos administrativos, financeiros e tecnológicos.

Fraudes podem explorar justamente momentos de pressão ou informações relacionadas à rotina do condomínio. Por isso, procedimentos de conferência e comunicação são ferramentas importantes para reduzir vulnerabilidades.

Ao mesmo tempo, eventuais questionamentos sobre a gestão precisam ser tratados com base em documentos, atas, extratos e demais registros oficiais, evitando que relatos ainda não comprovados sejam transformados em conclusões.

O caso de Marituba permanece cercado por questões que deverão ser esclarecidas pelas autoridades e pelos responsáveis pela administração. Enquanto a investigação sobre o golpe segue seu curso e não há previsão informada para recuperação dos R$ 40.300, os moradores também cobram respostas sobre o abastecimento de água e sobre a condução administrativa do condomínio.

Para outros residenciais, o episódio funciona como alerta: solicitações financeiras urgentes precisam ser verificadas antes de qualquer transferência, especialmente quando envolvem valores da reserva. Protocolos de segurança, fiscalização interna e transparência podem ser decisivos para proteger o patrimônio coletivo e preservar a confiança dos moradores.

Fonte: VER O FATO