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Golpe da falsa imobiliária atinge interessado em aluguel na Vila Nova Conceição e liga alerta no mercado imobiliário

Vítima pagou R$ 3,1 mil para “reservar” um apartamento inexistente após contato com falsa corretora; Polícia Civil investiga esquema que utiliza anúncios reais, boletos falsos e empresas suspeitas.

Golpe da falsa imobiliária atinge interessado em aluguel na Vila Nova Conceição e liga alerta no mercado imobiliário
Foto: Imagem ilustrativa

O mercado imobiliário voltou a ser palco de um golpe que tem se tornado cada vez mais sofisticado. Um administrador de 36 anos, identificado na reportagem como André (nome fictício), caiu no chamado golpe da falsa imobiliária ao tentar alugar um apartamento na Vila Nova Conceição, um dos bairros mais valorizados de São Paulo. A fraude envolveu anúncio em plataforma reconhecida, uma falsa corretora e um processo cuidadosamente elaborado para simular uma negociação legítima.

André, que precisava se mudar rapidamente para reassumir um cargo na capital paulista, encontrou o que parecia ser o imóvel ideal na plataforma Viva Real, do Grupo OLX. A localização, o valor abaixo da média e a apresentação profissional despertaram seu interesse imediato. A pressa — como ele próprio reconhece — foi decisiva para que não percebesse sinais importantes do golpe.

Ao clicar para contatar a imobiliária, foi direcionado para uma conversa no WhatsApp e passou a ser atendido por uma mulher que se identificava como “Ellen Moraes”, suposta corretora. O discurso era convincente: devido à alta procura, a visita só poderia ocorrer uma semana depois. Mas havia uma alternativa — pagar um contrato de reserva mediante o adiantamento do primeiro aluguel e do condomínio, totalizando R$ 3,1 mil.

A estratégia reforçava o senso de urgência. O valor cobrado era cerca de 25% menor que a média praticada na região, próxima ao Parque do Ibirapuera. A oportunidade parecia imperdível.

A falsa imobiliária enviou e-mails com a identidade corporativa da empresa, solicitou documentos e apresentou uma ficha cadastral supostamente legítima. André checou o CNPJ, verificou o registro da corretora no Creci e tudo parecia regular — outra demonstração de como o crime vem evoluindo para burlar verificações básicas.

O golpe só se tornou evidente quando ele chegou ao condomínio, no dia 21 de outubro. Na portaria, recebeu a notícia de que não existia nenhum apartamento 1.224 — o número anunciado. A corretora parou de responder, o suposto proprietário não foi localizado e nenhuma das informações fornecidas batia com a realidade do prédio.

Assustado, André procurou o banco, registrou boletim de ocorrência e acionou um advogado para enviar notificação extrajudicial aos e-mails associados à empresa Amab Imóveis, que aparecia nos documentos. Ainda não se sabe se a empresa é fictícia ou se alguém se aproveitou de sua identidade para aplicar golpes.

Especialistas alertam que o crime, apesar de antigo, ganha variações constantes. Em alguns casos, os golpistas utilizam anúncios reais criados por terceiros para cobrar taxas inexistentes. Em outros, simulam financiamentos, cobranças de vistoria e até contratos de entrada facilitada.

Para evitar cair nesse tipo de fraude, autoridades recomendam medidas como: visitar pessoalmente o imóvel antes de qualquer transferência, verificar se o preço está compatível com a média do bairro, realizar videochamadas quando a visita presencial não for possível, consultar avaliações online e confirmar o registro do corretor junto ao Creci. Mesmo assim, como demonstra o caso de André, alguns golpes são tão bem elaborados que chegam a enganar até quem adota precauções básicas.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que busca identificar os responsáveis e determinar se a empresa citada no golpe realmente existe ou se tem sua identidade utilizada indevidamente em esquemas criminosos.

Fonte: Estadão