Funcionários da Enel são acusados de exigir propina de R$ 1 mil para religar energia de condomínio em SP
Síndico e equipe de zeladoria denunciam cobrança ilegal para restabelecimento de energia em Diadema; moradores relatam ameaças e abandono do serviço.

Funcionários da Enel que atuavam em ocorrências de falta de energia em um condomínio de Diadema (SP) são acusados de exigir propina para realizar o serviço de religação. O caso ocorreu na manhã desta quinta-feira (11), por volta das 9h30, quando a equipe enviada pela concessionária teria condicionado o reparo ao pagamento informal de R$ 1.000.
De acordo com apuração do BNews São Paulo, o chamado para a Enel havia sido aberto após o condomínio ficar mais de um dia sem energia por conta dos fortes ventos que atingiram o estado. Mesmo diante da urgência, os funcionários teriam informado ao síndico que só fariam o reparo se recebessem o valor solicitado – que inicialmente seria de R$ 300, mas rapidamente subiu para R$ 1.000.
O síndico Silvio Paladino relatou que foi surpreendido pela cobrança.
“Um deles falou: ‘A gente pode até ligar, mas é mil reais’. Disseram que resolveriam o problema em cinco minutos”, contou.
Ele respondeu que não faria o pagamento, já que o serviço é de responsabilidade da Enel e já está incluso na fatura mensal dos consumidores.
Ameaças e abandono do serviço
Segundo o zelador do condomínio, os funcionários afirmaram que, caso a propina não fosse paga, o restabelecimento poderia levar de duas a seis horas. Diante da negativa, a equipe decidiu ir embora sem realizar o reparo.
Antes de deixarem o local, os trabalhadores teriam ameaçado o síndico após serem informados de que uma ocorrência seria registrada na polícia.
“Disseram que sabiam onde ele trabalhava e onde encontrar a gente [zeladores]”, relatou um dos funcionários do condomínio.
Uma moradora, que preferiu não se identificar, confirmou a ameaça:
“Falaram para ele ficar esperto, porque ele é careca e usa óculos, fácil de identificar”.
Imagens gravadas no momento da denúncia mostram os integrantes da equipe visivelmente incomodados com a filmagem, reforçando o clima de tensão durante a abordagem.
Histórico de casos semelhantes
Essa não é a primeira vez que equipes associadas à Enel são acusadas de solicitar pagamentos informais para agilizar serviços. Em 2024, reportagem do Brasil Urgente mostrou situação semelhante em São Bernardo do Campo, quando moradores chegaram a pagar R$ 600 para que o reparo fosse feito rapidamente.
Posicionamento da Enel
A reportagem solicitou esclarecimentos à Enel sobre a denúncia, a conduta dos funcionários e as cobranças irregulares. Até o fechamento desta matéria, a concessionária não havia fornecido resposta. O espaço permanece aberto para manifestação oficial.
O caso reacende o alerta para práticas abusivas e ilegais envolvendo prestadores terceirizados e reforça a importância de síndicos e moradores denunciarem qualquer forma de extorsão ou ameaça durante atendimentos em condomínios.
Fonte: B News