Fiscalização aponta 15 infrações após tragédia
Auditoria do Ministério do Trabalho identificou graves falhas de segurança após acidente que matou dois trabalhadores durante serviço em espaço confinado em condomínio de Rio Branco

A fiscalização realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) identificou 15 infrações às normas de segurança e saúde do trabalho após o acidente que provocou a morte de dois pintores durante um serviço de manutenção na caixa d'água de um condomínio residencial em Rio Branco, no Acre. O caso ocorreu no início de julho e mobilizou equipes de resgate, autoridades trabalhistas e a Polícia Civil.
Ruan Roger e Diony Magalhães morreram ao fazerem manutenção em caixa d'água no AC — Foto: Arquivo pessoal
As vítimas realizavam serviços de pintura no interior da caixa d'água do condomínio quando passaram mal dentro do reservatório. Um dos trabalhadores perdeu a consciência durante a atividade e o outro tentou prestar socorro, mas também ficou desacordado. Ambos morreram no local.
Após o acidente, auditores-fiscais do Trabalho iniciaram uma inspeção para verificar as condições em que a atividade era executada. O relatório apontou 15 irregularidades, muitas delas relacionadas ao descumprimento da Norma Regulamentadora nº 33 (NR-33), que estabelece os requisitos mínimos para trabalhos em espaços confinados.
As infrações apontadas pela fiscalização incluem:
- ausência da Permissão de Entrada e Trabalho (PET), documento obrigatório para atividades em espaços confinados;
- falta de plano de resgate para situações de emergência;
- ausência de avaliação da atmosfera antes da entrada dos trabalhadores;
- falhas na capacitação para trabalho em espaço confinado e em altura;
- falta de exigência do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs);
- inexistência dos programas obrigatórios de saúde ocupacional e de gerenciamento de riscos;
- ausência de registro formal dos trabalhadores;
- falta de emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
Segundo o Ministério do Trabalho, as irregularidades demonstram que diversos procedimentos obrigatórios de segurança deixaram de ser adotados, aumentando significativamente o risco da atividade e comprometendo a proteção dos trabalhadores.
As investigações sobre as causas do acidente continuam sendo conduzidas pelos órgãos competentes. Além da apuração administrativa realizada pelo Ministério do Trabalho, a Polícia Civil também investiga as circunstâncias das mortes para verificar eventual responsabilização dos envolvidos.
O caso reforça um alerta para síndicos, administradoras e empresas prestadoras de serviços sobre a importância de contratar fornecedores qualificados e exigir o cumprimento rigoroso das normas de segurança do trabalho. Atividades realizadas em caixas d'água, cisternas, reservatórios e outros espaços confinados exigem planejamento, monitoramento constante, treinamento específico, equipamentos adequados e procedimentos de resgate, medidas essenciais para preservar vidas e evitar novas tragédias.
Fonte: G1