Noticias

Fim da escala 6x1: regra única ignora realidades distintas

Secovi-SP questiona a adoção de regras uniformes para a jornada de trabalho e alerta para possíveis impactos nos custos, nos prazos das obras e no acesso à moradia

fim-da-escada-6x1-secovisp.webp
Fim da escala 6x1 pode elevar preço dos imóveis em até 6%, diz Secovi-SP · Foto: Divulgação/Secovi-SP

Fim da escala 6x1: regra única desconsidera realidades diferentes

Secovi-SP alerta para impactos da redução da jornada de trabalho sobre os custos da construção civil e estima aumento de 5% a 6% nos preços dos imóveis

O fim da escala 6x1 pode trazer impactos para a construção civil e o mercado imobiliário, segundo avaliação do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). Em artigo publicado nesta quarta-feira (21), a entidade questiona a adoção de uma regra única para diferentes atividades econômicas e defende que a regulamentação considere as particularidades de cada setor.

De acordo com o sindicato, a redução da jornada de trabalho pode elevar os custos de produção, prolongar os cronogramas das obras e pressionar os preços dos imóveis. A entidade estima que o valor final das unidades habitacionais possa subir entre 5% e 6%, no mínimo.

O posicionamento considera que a construção civil depende intensivamente de mão de obra e precisa manter o ritmo de produção para atender à demanda por moradias.

Construção civil pode enfrentar aumento de custos

Segundo o Secovi-SP, a diminuição das horas trabalhadas, sem uma redução correspondente na demanda por imóveis, exigirá adaptações na organização das equipes e na execução dos empreendimentos.

A entidade avalia que a necessidade de manter a produção com menos horas disponíveis pode aumentar os custos da mão de obra e prolongar os prazos de entrega. Esses fatores, conforme o sindicato, podem ser repassados aos preços finais das unidades habitacionais.

A projeção de aumento entre 5% e 6%, no entanto, corresponde à estimativa apresentada pelo Secovi-SP. O impacto efetivo dependerá da forma de implementação das mudanças, das condições de cada empresa e da capacidade de reorganizar os processos produtivos.

Escassez de mão de obra é outro desafio

O sindicato também chama a atenção para a falta de profissionais qualificados na construção civil. Segundo o artigo, a disponibilidade limitada de trabalhadores pode dificultar a reposição das horas de trabalho reduzidas.

As estimativas citadas pela entidade indicam que seriam necessárias aproximadamente 288 mil contratações para repor cerca de 600 milhões de horas anuais de trabalho. O custo adicional estimado para essa recomposição é de R$ 13,5 bilhões por ano.

Na avaliação do Secovi-SP, a dificuldade de encontrar profissionais para suprir essa necessidade pode ampliar os desafios enfrentados pelas empresas do setor, especialmente na manutenção dos cronogramas e dos custos dos empreendimentos.

Secovi-SP defende regras adaptadas a cada atividade

O principal argumento apresentado pelo Secovi-SP é que diferentes setores econômicos possuem características próprias de funcionamento. Por isso, a entidade considera que uma regra uniforme para a jornada de trabalho pode produzir consequências distintas para trabalhadores, empresas e formas de produção.

No caso da construção civil, o sindicato destaca a dependência de mão de obra, a necessidade de coordenação entre as etapas das obras e a demanda contínua por novas moradias.

A entidade defende uma regulamentação que leve em conta essas particularidades, acompanhada de uma transição planejada e de medidas adequadas à realidade do setor.

Impactos sobre o acesso à moradia

O debate também envolve o possível efeito dos custos de construção sobre o acesso à habitação. Caso as despesas aumentem, parte desse impacto poderá ser incorporada aos preços dos imóveis, conforme a avaliação do Secovi-SP.

A preocupação é especialmente relevante para o segmento de moradias acessíveis, no qual os custos de produção e as condições de financiamento influenciam a viabilidade dos empreendimentos.

O sindicato argumenta que a implementação das mudanças deve considerar os efeitos sobre a oferta habitacional, de modo a conciliar as condições de trabalho com a capacidade de produção e a demanda por moradia.

As estimativas divulgadas representam o posicionamento da entidade sobre os possíveis efeitos da redução da jornada. Os resultados concretos dependerão da aplicação das novas regras e das respostas do mercado de trabalho e da construção civil.