Fim da escala 6x1 pode elevar taxas de condomínio em até 15%
Redução da jornada de trabalho deve exigir novas contratações ou mudanças nas escalas, enquanto síndicos avaliam diminuir serviços para conter despesas

Fim da escala 6x1 pode elevar taxas de condomínio em até 15%
A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 devem provocar mudanças na rotina dos condomínios brasileiros e aumentar as despesas com funcionários. Segundo estimativa do Sindicato da Habitação apresentada em reportagem do SBT News, o impacto pode elevar em até 15% o valor das taxas condominiais.
A mão de obra representa até 70% dos gastos de alguns empreendimentos, o que torna a reorganização das equipes um dos principais desafios para síndicos e administradoras. Para manter a qualidade dos serviços, os condomínios poderão precisar contratar novos profissionais ou recorrer ao pagamento de horas extras. Outra alternativa considerada por algumas administrações é reduzir a frequência de determinadas atividades.
As mudanças exigirão planejamento financeiro e operacional, especialmente em edifícios que mantêm portaria presencial durante 24 horas e equipes próprias de limpeza e zeladoria.
Contratação de funcionários e horas extras podem elevar despesas
De acordo com os números apresentados na reportagem, a contratação de novos trabalhadores pode representar um aumento de 6,9% nos custos dos condomínios. Já a alternativa de ampliar o pagamento de horas extras pode gerar impacto de 8,6%.
O especialista em Direito Imobiliário Ronan Lelis explicou ao SBT News que os empreendimentos que desejarem preservar o mesmo padrão de atendimento precisarão avaliar a necessidade de ampliar suas equipes.
Em alguns casos, a redução da jornada individual exigirá a contratação de profissionais para cobrir os horários que deixarão de ser atendidos pelos funcionários atuais.
Limpeza e portaria podem ter mudanças na rotina
Entre os serviços que poderão passar por ajustes estão a limpeza, a portaria e outras atividades operacionais.
A reportagem mostrou que os condomínios possuem estruturas diferentes: enquanto alguns mantêm funcionários na portaria durante todo o dia, outros oferecem atendimento apenas em horário comercial. A frequência da limpeza também varia conforme o porte e as necessidades de cada empreendimento.
Para reduzir despesas, algumas administrações avaliam diminuir a quantidade de dias em que determinados serviços são realizados.
Essa alternativa, porém, dependerá das características de cada condomínio e da avaliação sobre quais atividades podem ser reorganizadas sem comprometer a conservação, a segurança e o funcionamento do edifício.
Quando começa a redução da jornada?
As novas regras preveem uma redução gradual da jornada semanal de trabalho, sem diminuição salarial.
A primeira etapa está prevista para 15 de dezembro de 2026, quando o limite semanal passará de 44 para 42 horas. Um ano depois, a jornada deverá ser reduzida para 40 horas semanais.
Com a ampliação dos períodos de descanso, os condomínios precisarão revisar suas escalas para garantir a continuidade dos serviços e respeitar os limites estabelecidos pela legislação.
Síndicos precisam antecipar o planejamento financeiro
A adaptação não envolve apenas mudanças nos horários dos funcionários. Também será necessário avaliar os contratos de trabalho, dimensionar equipes, reorganizar atividades e calcular os possíveis reflexos no orçamento.
Um condomínio com poucos funcionários poderá enfrentar dificuldades diferentes de um empreendimento com uma equipe maior e mais possibilidades de redistribuição das tarefas.
Por isso, a estimativa de aumento de até 15% não representa um reajuste obrigatório para todos os moradores. O impacto efetivo dependerá da estrutura de cada empreendimento, das decisões administrativas e das alternativas adotadas para adequar os serviços.
Condomínios terão de equilibrar custos e qualidade dos serviços
O desafio para síndicos e administradoras será encontrar alternativas que permitam cumprir as novas regras trabalhistas sem comprometer a prestação dos serviços ou provocar um aumento excessivo das despesas.
A reorganização das escalas, a revisão dos cronogramas de limpeza e a avaliação de novas contratações estarão entre as medidas a serem consideradas.
O síndico Carlos Rogério de Morais, ouvido pelo SBT News, defendeu a melhoria dos cronogramas de trabalho para evitar contratações adicionais e reduzir os impactos financeiros para os condôminos.
A mudança deverá exigir diálogo entre administração e moradores, especialmente quando houver necessidade de rever serviços ou ajustar a previsão orçamentária.