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Fim da escala 6x1 pode elevar imóveis em até 5%, diz Abrainc

Entidade do setor imobiliário alerta que aumento dos custos de mão de obra pode encarecer imóveis e dificultar o acesso de milhões de famílias à casa própria

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Luiz França, presidente da entidade incorporação, alerta que alta nos preços pode retirar 2,5 milhões de famílias do mercado imobiliário · Foto: Divulgação.

Fim da escala 6x1 pode elevar preço dos imóveis em até 5%, diz Abrainc

A possível mudança na jornada de trabalho no Brasil pode ter impactos sobre o mercado imobiliário. Segundo Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), a aprovação da proposta que prevê o fim da escala 6x1 pode provocar um aumento de até 5% no valor dos imóveis.

A estimativa foi apresentada em entrevista à CNN Brasil e tem como base estudos contratados pela entidade junto a especialistas e consultores da Fundação Getulio Vargas (FGV). A avaliação considera os possíveis efeitos da redução da jornada de trabalho sobre os custos das empresas do setor.

Aumento de custos pode afetar o preço dos imóveis

De acordo com França, a mudança na escala de trabalho pode exigir adaptações na organização das equipes e elevar os custos com mão de obra. Esses gastos podem ser incorporados ao preço final dos empreendimentos imobiliários.

O presidente da Abrainc alerta que uma alta de aproximadamente 5% no valor dos imóveis teria consequências para os compradores, especialmente em um cenário de juros elevados e crédito habitacional mais caro.

Segundo a estimativa apresentada pelo representante da entidade, esse aumento poderia retirar cerca de 2,5 milhões de famílias da capacidade de adquirir um imóvel, considerando as condições atuais de financiamento no país.

Reflexos podem alcançar outros setores da economia

Além da construção civil, França avalia que a alteração na jornada de trabalho pode produzir efeitos sobre outros segmentos econômicos. Na avaliação dele, empresas de diferentes setores poderão enfrentar custos adicionais para reorganizar escalas e suprir a necessidade de mão de obra.

Esses custos, segundo o presidente da Abrainc, podem pressionar os preços de produtos e serviços, ampliando os efeitos econômicos da mudança para além do mercado imobiliário.

As projeções, entretanto, representam a avaliação da entidade do setor sobre os possíveis impactos da proposta, e não um aumento já confirmado nos preços dos imóveis.

Abrainc defende transição gradual

Diante dos possíveis efeitos sobre os custos de produção, a Abrainc defende que uma eventual mudança na jornada seja implementada de forma gradual e considere as particularidades de cada atividade econômica.

França citou o exemplo do Chile, onde a redução da jornada de trabalho foi realizada ao longo de quatro anos, com diminuição progressiva das horas trabalhadas.

Para o representante da entidade, um período de adaptação permitiria que as empresas reorganizassem suas operações e planejassem a contratação de profissionais sem transferir de forma abrupta os custos para os preços finais.

Impactos sobre o acesso à casa própria

A discussão sobre o fim da escala 6x1 também envolve o acesso à moradia. Caso os preços dos imóveis aumentem, o valor necessário para financiar a compra poderá crescer, elevando as prestações e dificultando a aprovação de crédito para parte dos compradores.

O impacto potencial preocupa especialmente o segmento de habitação popular, no qual a capacidade de pagamento das famílias é um fator decisivo para a aquisição de imóveis.

A estimativa apresentada pela Abrainc reforça o debate sobre os possíveis efeitos econômicos da mudança na jornada de trabalho. O impacto efetivo dependerá das regras aprovadas, do período de adaptação e da capacidade do setor de absorver os custos por meio de ganhos de produtividade e outras medidas.