Fim da escala 6x1 pode elevar custos nos condomínios
AABIC estima impacto de 10% a 20% nos custos dos condomínios e recomenda revisar escalas, equipes e orçamentos diante da redução gradual da jornada de trabalho

Fim da escala 6x1 pode elevar custos e exigir mudanças na gestão condominial
AABIC estima impacto de 10% a 20% nos custos dos condomínios e recomenda revisar escalas, equipes e orçamentos diante da redução gradual da jornada de trabalho
A extinção da escala 6x1 e a redução gradual da jornada semanal de trabalho devem exigir mudanças na organização das equipes, na cobertura dos serviços e no planejamento financeiro dos condomínios. Para empreendimentos que mantêm funcionários próprios, especialmente nas áreas de portaria, limpeza e zeladoria, a adaptação poderá envolver a reorganização dos horários, a redistribuição de tarefas e, em alguns casos, a contratação de novos profissionais.
A Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC) divulgou orientações preliminares sobre os possíveis efeitos da mudança para condomínios e administradoras. No informativo, a entidade estima que o impacto global sobre os custos condominiais poderá ficar entre 10% e 20%, embora ressalte que as despesas dependerão da estrutura e das necessidades operacionais de cada empreendimento.
A associação também informou que formou um comitê para estudar alternativas e preparar orientações complementares para o setor.
O que muda com o fim da escala 6x1?
A Emenda Constitucional nº 141/2026, promulgada pelo Congresso Nacional em 16 de outubro de 2026, prevê o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso, com garantia de dois dias de repouso semanal remunerado. A implementação ocorrerá de forma gradual: após o período de transição de 60 dias, a jornada semanal máxima será reduzida de 44 para 42 horas. A etapa seguinte prevê a redução para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, ao longo do período de transição estabelecido pela emenda. Agência Brasil e Senado Notícias
Na prática, as mudanças exigirão atenção especial dos condomínios que precisam manter serviços durante todo o dia, inclusive à noite, nos fins de semana e feriados. A reorganização deverá considerar os limites legais de jornada, os períodos de descanso e a necessidade de manter postos essenciais cobertos.
A adequação não se resume à alteração dos horários de entrada e saída dos funcionários. Cada condomínio precisará avaliar como distribuir as atividades e organizar as equipes para preservar a continuidade dos serviços.
Impactos na portaria, limpeza e zeladoria
A mudança poderá produzir efeitos diferentes conforme o porte do condomínio, a quantidade de funcionários e o modelo de contratação utilizado.
Em empreendimentos com equipes maiores, poderá haver mais possibilidades de redistribuir tarefas e reorganizar escalas. Já condomínios com quadros reduzidos poderão enfrentar maior dificuldade para manter a cobertura operacional sem ampliar a equipe ou modificar a prestação dos serviços.
Entre as medidas que poderão ser avaliadas estão:
reorganização das escalas e jornadas;
redistribuição das atividades entre os funcionários;
revisão dos horários de funcionamento e da cobertura dos postos;
eventual contratação de profissionais adicionais;
adoção de alternativas operacionais e tecnológicas.
A necessidade de manter a portaria em funcionamento contínuo, por exemplo, torna o planejamento especialmente relevante. A redução da jornada individual não elimina a necessidade de cobertura do posto, o que pode exigir a revisão do dimensionamento das equipes e dos custos envolvidos.
AABIC estima aumento de 10% a 20% nos custos
No informativo encaminhado ao setor, a AABIC apresenta uma estimativa preliminar de impacto global de 10% a 20% nos custos condominiais. A entidade ressalta, porém, que não é possível estabelecer um percentual único para todos os empreendimentos.
A variação dependerá de fatores como o tamanho do condomínio, o número de funcionários, as atividades desempenhadas, os horários que precisam ser cobertos e o modelo de contratação.
A projeção deve ser entendida como uma estimativa apresentada pela associação, e não como um aumento obrigatório ou uniforme das taxas condominiais. O impacto efetivo precisará ser calculado individualmente, considerando as alternativas de organização e as despesas de cada condomínio.
Administradoras terão de revisar escalas e folhas de pagamento
As mudanças também deverão ampliar a demanda de trabalho das administradoras. Segundo a AABIC, será necessário revisar as jornadas atuais, simular diferentes cenários financeiros, redesenhar escalas e reavaliar as necessidades de cobertura operacional.
A adaptação poderá envolver ainda a atualização dos parâmetros dos sistemas de folha de pagamento, dos cadastros e dos procedimentos trabalhistas e administrativos.
A entidade considera que essa reorganização representa uma demanda extraordinária, que poderá exigir a mobilização de equipes técnicas, departamentos de pessoal e assessorias jurídicas. Por isso, informa que está avaliando os impactos administrativos, inclusive a definição de critérios para eventual remuneração extraordinária dos serviços de reestruturação operacional e trabalhista.
Terceirização e tecnologia também entram no planejamento
Os condomínios que utilizam mão de obra terceirizada deverão considerar os efeitos da mudança sobre os contratos de prestação de serviços e as condições aplicáveis aos profissionais contratados. A adaptação poderá depender de ajustes contratuais e da análise das regras coletivas pertinentes a cada categoria.
Já os empreendimentos que utilizam soluções tecnológicas, como portaria remota, poderão contar com alternativas para reorganizar parte de suas operações. Isso não elimina a necessidade de avaliar os serviços contratados, as responsabilidades envolvidas e a cobertura necessária para o funcionamento do condomínio.
A escolha entre manter a estrutura atual, contratar profissionais adicionais, reorganizar equipes ou ampliar o uso de tecnologia deverá levar em conta as características e as necessidades de cada empreendimento.
Condomínios devem revisar o orçamento
Diante dos possíveis efeitos financeiros, a AABIC recomenda que condomínios e administradoras iniciem a avaliação de suas estruturas operacionais e considerem eventuais aumentos de despesas nas previsões orçamentárias.
Em alguns casos, poderá ser necessário revisar orçamentos já aprovados, conforme os resultados das simulações e as necessidades identificadas.
A recomendação é antecipar o planejamento, levantar os custos atuais e comparar alternativas antes da implementação integral das novas regras. Essa análise pode ajudar a identificar a necessidade de ajustes nas equipes, nos contratos e nas despesas previstas.
A entidade informou que continuará acompanhando a evolução das orientações e dos posicionamentos de sindicatos e órgãos competentes, com atenção especial às negociações coletivas, à organização dos períodos de descanso e aos diferentes regimes de contratação.
Confira a íntegra do informativo da AABIC
A seguir, a nota encaminhada pela associação, reproduzido na íntegra:
Fim da Escala 6x1 e Impactos na Gestão Condominial
A AABIC acompanhou atentamente as discussões sobre a redução da jornada semanal de trabalho e a extinção da escala 6x1. Porém, diante dos recentes avanços legislativos sobre o tema, compartilhamos as orientações preliminares sobre os impactos da medida na operação, gestão de pessoal e planejamento financeiro dos condomínios clientes.
Preliminarmente, é importante esclarecer que a questão apresenta altíssimo nível de complexidade e as soluções tendem a ser muito personalizadas para cada condomínio, o que motivou que a associação formasse um comitê para estudar detalhadamente as alternativas possíveis e, assim que concluídas, as análises serão encaminhadas junto a orientações adicionais.
Alterações na Jornada de Trabalho
A alteração trará mudanças relevantes na organização das jornadas de trabalho, especialmente nos condomínios com funcionários próprios em atividades de portaria, zeladoria, limpeza e demais funções operacionais. De forma geral, as principais alterações foram:
Redução gradual da jornada semanal atual de até 44 horas, para 42 horas e, posteriormente, 40 horas semanais;
Ampliação dos dias de descanso semanal, extinguindo a jornada 6x1 em favor da jornada 5x2 e outras que garantam ao menos 2 dias de descanso.
Prazo para Adequação dos Condomínios
Conforme informações preliminares, após a promulgação da decisão, haverá prazo de 60 dias para a regularização completa das escalas de trabalho e, independentemente do prazo definido, é importante destacar que a adaptação das estruturas condominiais exigirá planejamento e análise específica de cada condomínio, pois não se trata apenas de modificar os horários de entrada e saída dos funcionários, mas de reavaliar a organização de toda a operação, considerando necessidades de cobertura, períodos de descanso, limites legais de jornada e eventuais particularidades.
Informativo A.012.2026 – Escala 6x1 – Fls. 1/3
Impactos Operacionais e Financeiros
As alterações exigirão medidas distintas conforme o perfil e a estrutura de pessoal de cada condomínio, tais como:
Reorganização das escalas e jornadas de trabalho;
Redistribuição das atividades entre os funcionários;
Revisão dos horários de funcionamento e cobertura dos postos;
Eventual contratação de funcionários adicionais;
Avaliação de alternativas operacionais e tecnológicas que permitam otimizar a estrutura existente.
Observe-se ainda que os impactos financeiros não serão uniformes. Por exemplo, condomínios com estruturas maiores poderão ter maior flexibilidade para reorganização das atividades e escalas, enquanto edifícios com quadros reduzidos, poderão enfrentar maior necessidade de contratação ou reestruturação. Dessa forma, não é possível estabelecer antecipadamente um percentual único de aumento das despesas com pessoal, mas sim uma estimativa global de impacto no custo condominial, que será de 10% a 20%.
Revisão das Folhas de Pagamento e Estruturas Operacionais
A implementação das regras representa um desafio significativo para as administradoras, que serão instadas a desempenhar uma revisão abrangente das estruturas, incluindo:
Levantamento e análise das jornadas atuais;
Simulação dos impactos financeiros de diferentes alternativas;
Redesenho das escalas de trabalho;
Reavaliação das necessidades de cobertura operacional;
Atualização dos cadastros, parâmetros e sistemas de folha de pagamento;
Adequação dos procedimentos trabalhistas e das rotinas administrativas.
Considerando a dimensão das alterações e o prazo reduzido para sua implementação, as administradoras deverão mobilizar equipes técnicas, departamentos de pessoal e assessorias jurídicas para assegurar a correta adequação dos condomínios, o que se trata de demanda extraordinária, de elevada complexidade operacional e que ultrapassa as rotinas habituais de processamento mensal das folhas de pagamento e integrações com o e-Social.
Nesse contexto, a AABIC está avaliando os impactos administrativos, incluindo a definição de critérios para eventual remuneração extraordinária dos serviços de reestruturação operacional e trabalhista.
Informativo A.012.2026 – Escala 6x1 – Fls. 2/3
Previsões Orçamentárias
Considerando os impactos sobre as despesas, recomendamos que os condomínios e administradoras iniciem processo de avaliação das estruturas operacionais, e considerem eventuais aumentos imediatos de despesas nas previsões orçamentárias, podendo ser necessária a revisão de orçamentos já aprovados.
Acompanhamento das regulamentações e orientações complementares
A AABIC continuará acompanhando a evolução legislativa e os posicionamentos das entidades sindicais e órgãos competentes, buscando esclarecer dúvidas quanto à aplicação das novas disposições ao setor condominial. Será dispensada especial atenção às possibilidades de negociação coletiva, organização dos períodos de descanso e aos efeitos sobre os diferentes regimes de contratação.
Para condomínios que utilizam mão de obra terceirizada, também será necessário considerar os impactos sobre os contratos de prestação de serviços e as condições estabelecidas por esta categoria profissional, enquanto aqueles que já utilizam soluções de tecnologia e portaria remota ficarão mais confortáveis para se adequar aos impactos da mudança em curso.
A AABIC e empresas associadas seguirão trabalhando para orientar o setor, buscando soluções que conciliem o cumprimento da legislação, a continuidade dos serviços essenciais e a sustentabilidade financeira dos condomínios.
Atenciosamente,
Presidente AABICDiretoria AABIC