Festas aumentam alerta em condomínios
Período de maior circulação de pessoas eleva riscos e reforça debate sobre segurança, estrutura e valorização dos profissionais que atuam na linha de frente

O período de festas de fim de ano traz mudanças significativas à rotina dos condomínios e impõe um desafio adicional à segurança: o aumento no fluxo de pessoas, entregas e visitantes. Nesse cenário, os porteiros assumem papel ainda mais estratégico, atuando como a principal barreira de proteção aos moradores.
De acordo com dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), houve uma redução no número de crimes cometidos dentro de condomínios em comparação ao ano anterior. Ainda assim, o período exige atenção redobrada. Entre janeiro e outubro, foram registrados 130 Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVP) em condomínios no estado, sendo 75 apenas na capital, Recife.
O presidente do Sindicato dos Empregados em Edifícios de Pernambuco (SIEEC-PE), Rinaldo Júnior, explica que os profissionais recebem treinamento específico para atuar nesse período do ano, quando aumenta o número de visitantes, entregadores e prestadores de serviço. Segundo ele, a eficácia da segurança depende não apenas do porteiro, mas também da colaboração dos moradores.
Outro ponto destacado é a preocupação com a substituição da portaria presencial por modelos remotos. Para o sindicalista, a ausência física do porteiro fragiliza o controle de acesso e pode facilitar a ação criminosa.
“A maioria dos casos ocorre justamente onde não há porteiro presencial. É um investimento que parece econômico, mas que gera riscos significativos”, alerta.
O Sindicato da Habitação (Secovi) também defende a valorização do profissional e a adoção de escalas adequadas, como o regime de 12 por 36 horas, garantindo descanso e maior atenção durante o trabalho. Além disso, ressalta a importância de políticas públicas que reforcem a segurança no entorno dos condomínios.
Outro ponto em debate é o uso do chamado “botão do pânico”, ferramenta que permitiria contato direto com a polícia. Enquanto entidades veem a iniciativa como um avanço tecnológico, representantes dos trabalhadores alertam para o risco de transferir ao porteiro responsabilidades que cabem ao poder público.
Para especialistas em gestão condominial, a segurança efetiva depende de um conjunto de fatores: estrutura adequada, tecnologia, treinamento contínuo e, sobretudo, a participação ativa dos moradores no cumprimento das regras de acesso e convivência.
Com o aumento do fluxo de pessoas típico das festas de fim de ano, a atenção precisa ser redobrada. A atuação integrada entre síndicos, funcionários e condôminos segue sendo o principal caminho para garantir tranquilidade e prevenir ocorrências nos condomínios.
Fonte: Leia Já