Moradores de condomínio sugerem medidas agressivas contra
Em contagem (MG), moradores de um condomínio discutem ações drásticas contra cães de rua, gerando mobilização de ativistas e debate sobre soluções éticas

Moradores de condomínio em Contagem (MG) sugerem medidas agressivas contra cães de rua
Em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, moradores de um condomínio no Bairro Portal do Sol têm discutido medidas drásticas para lidar com cães de rua que circulam pelo local. Em mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp, alguns condôminos sugeriram o desaparecimento e até o sacrifício dos animais. Um morador afirmou: "Tinha que ter como mandar fazer sabão. Igual quando eu era criança", enquanto outro comentou: "Acho que teria que dar um jeito de sacrificar. Daqui a pouco teremos uma população gigantesca. Na hora que morder um e passar raiva... aí iriam resolver".
Outros residentes propuseram alternativas menos agressivas, como remover os animais do condomínio ou contatar órgãos competentes para encaminhá-los a abrigos. Um morador relatou: "Entrei em contato com a prefeitura, mas não recolhem os cachorros. Hoje tentarei alguma ONG protetora, mas creio que não será fácil".
As discussões também refletem preocupações com a saúde e segurança dos moradores. Um condômino alertou: "Quando alguém aparecer com leishmaniose... aí iriam recolher ou sacrificá-los... e colocar todos do condomínio de quarentena".
Ativistas protestam
A situação chamou a atenção de ativistas da causa animal. A ONG Vida Animal Livre destacou que cães de rua são vítimas do abandono e da falta de políticas públicas eficazes. A organização classificou as mensagens dos moradores como "infames e criminosas", evidenciando a irresponsabilidade dessas atitudes.
Val Consolação, ativista da causa animal, explicou que é comum tutores abandonarem cães e gatos nas imediações do condomínio e que algumas pessoas até deixam comida para os animais. Ela destacou que o problema se agrava devido à situação das ONGs, que estão lotadas e sem condições de recolher tantos animais de porte médio a grande. "Nesse condomínio específico, há poucas pessoas que cuidam dos animais. A maioria quer que eles saiam de lá. A situação é grave, porque as pessoas estão matando os animais. Precisamos entender que o abandono é uma realidade, e devemos tratar isso de forma consciente, sem ameaçar os animais ou quem os ajuda", afirmou Val.
A ativista também relatou casos de maus-tratos e envenenamento de animais, tudo na tentativa de eliminar a população de cães no condomínio. Segundo ela, atualmente um grupo de nove cachorros circula pelo local, e a Prefeitura de Contagem foi acionada para lidar com o problema, mas sem resultados. "A prefeitura deveria considerar a castração desses animais, pois isso ajuda no controle populacional", argumentou.
Posicionamento das autoridades
A Associação de Moradores do condomínio informou que a situação dos animais de rua foi levada ao Poder Público Municipal, e uma parte dos animais foi adotada por associados ou encaminhada a ONGs de proteção. A entidade expressou preocupação com os animais, mas também com a possibilidade de zoonoses. "Há também preocupação com o comportamento agressivo de alguns animais, especialmente com crianças e idosos que caminham diariamente pelas ruas do bairro", completou, em nota.
Sobre os comentários, a associação esclareceu que seu canal oficial de comunicação é outro aplicativo e que não se responsabiliza por mensagens postadas individualmente. Ainda assim, repudiou qualquer atitude agressiva contra animais em situação de abandono.
A Prefeitura de Contagem, por meio da Superintendência de Defesa Animal, informou que os responsáveis pelo condomínio já receberam a notificação referente aos supostos atos de maus-tratos aos animais. A administração também comunicou que uma nova fiscalização ambiental será agendada para esta semana.
Problema de longa data
Uma moradora, que preferiu não se identificar por medo de retaliação, afirmou que a presença de animais em situação de rua no condomínio é um problema antigo, agravado pela proximidade de uma mata, onde os cães buscam abrigo entre as árvores. A associação informou que o aparecimento de cães abandonados é frequente e que, ao entrarem em contato com a prefeitura, foram informados de que o município não realiza o recolhimento de animais, realizando apenas exames de leishmaniose ou retiradas em caso de sofrimento, após avaliação veterinária.
Para evitar a entrada de novos cães, foram adotadas medidas como o cercamento das áreas do loteamento e a criação de um grupo voluntário de associados.