Família cai em golpe de falso corretor e perde R$ 11 mil no Rio
Golpista com acesso a condomínios e chaves de apartamentos enganou compradora que acreditava negociar casa própria; polícia investiga o caso como estelionato

O sonho da casa própria se transformou em um pesadelo para uma família da Zona Norte do Rio de Janeiro. A doméstica Bruna das Neves acreditava negociar seu primeiro imóvel com um corretor credenciado, mas acabou vítima de um golpe que lhe custou R$ 11 mil. O caso, registrado na 17ª DP (São Cristóvão), segue em investigação pela Polícia Civil como estelionato.
O golpe ocorreu em abril de 2024, quando Bruna iniciou a negociação de um apartamento no bairro de São Cristóvão após visualizar um anúncio nas redes sociais. No estande da construtora Vivaz, ela foi apresentada a Roni Álvaro Bento Mathias, que se passava por corretor autorizado da empresa.
Segundo a vítima, o homem tinha acesso irrestrito aos condomínios e chaves dos apartamentos, o que transmitia total confiança.
“Ele mostrava os apartamentos, a churrasqueira, tinha as chaves e era autorizado pelos porteiros. A gente acreditava que era tudo certo”, relatou Bruna em entrevista ao G1.
Durante as tratativas, o suposto corretor convenceu o casal a realizar depósitos via Pix, alegando que os valores seriam destinados ao imposto de renda e documentação do financiamento. Em seguida, ele afirmou que a Caixa Econômica Federal havia aprovado um crédito de R$ 230 mil, exigindo uma entrada adicional de R$ 8 mil para liberar o contrato.
Para reforçar a farsa, o estelionatário chegou a levar o casal até uma agência da Caixa na Avenida Rio Branco, no centro do Rio, onde simulou uma conversa com um gerente bancário, aumentando a credibilidade do golpe.
A descoberta da fraude
Dias depois, o falso corretor começou a enviar mensagens alegando erros no contrato.
“Bruna, o contrato veio errado, já foi solicitado por quem é de direito para consertar. Hoje a própria Vivaz cobrou da Caixa”, escreveu o golpista em uma das mensagens enviadas à vítima.
Desconfiada, Bruna procurou a construtora e descobriu que havia caído em um golpe.
“Tenho 40 anos e nunca tive casa própria. Queria deixar um lar para meus filhos. Perdi tudo o que tinha juntado com tanto esforço”, desabafou.
Histórico do golpista e posicionamento da construtora
A investigação apontou que Roni Álvaro Bento Mathias já havia sido preso em 2020, acusado de corrupção passiva enquanto atuava como estagiário na Defensoria Pública. Na época, cobrava valores de assistidos em troca de suposta agilidade em processos judiciais — pelo menos oito vítimas registraram boletins de ocorrência.
A Construtora Vivaz afirmou que o suspeito não fazia parte do quadro de associados e que agiu de forma independente, utilizando indevidamente o nome da empresa. Em nota, a companhia reforçou que não realiza reservas de imóveis e que pagamentos nunca devem ser feitos diretamente a corretores.
A Vivaz declarou ainda ter adotado medidas cíveis e criminais para apurar o uso indevido de sua marca e colaborar com as autoridades.
Reflexões e alerta aos consumidores
O episódio reacende o debate sobre fraudes no mercado imobiliário e a responsabilidade compartilhada entre construtoras e instituições financeiras. Especialistas em direito do consumidor explicam que o STJ tem reconhecido a possibilidade de responsabilização de bancos por falhas de segurança em transações via Pix, enquanto construtoras devem reforçar os mecanismos de controle sobre representantes e acessos a imóveis.
Para os especialistas, o caso de Bruna das Neves serve de alerta aos compradores de imóveis: toda negociação deve ocorrer somente por canais oficiais, e nenhum pagamento deve ser feito sem recibo formal ou fora das plataformas corporativas das construtoras.
Lições de prevenção
Casos como esse evidenciam a importância de verificar o registro profissional do corretor no CRECI, confirmar a vinculação do profissional com a construtora e nunca transferir valores diretamente para pessoas físicas. A pressa em fechar um negócio pode ser o gatilho perfeito para golpes que exploram a boa-fé e o sonho da casa própria.
Fonte: O Antagonista