Pular para o conteúdo
Noticias

Falsos entregadores invadem prédio em Bragança

Três suspeitos teriam usado dispositivo para desbloquear o acesso ao edifício e entrado em dois apartamentos no Jardim Nova Bragança

Falsos entregadores invadem prédio e roubam apartamentos em Bragança Paulista
Foto: REPRODUÇÃO CLAUDIO MORENO

Três homens suspeitos de se passarem por entregadores invadiram um prédio residencial no Jardim Nova Bragança, em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, e entraram em pelo menos dois apartamentos. O caso ocorreu no sábado (5) e foi registrado pela Polícia Civil como roubo. As investigações continuam e, até o momento, ninguém havia sido identificado.

De acordo com as informações reunidas durante a apuração, os suspeitos teriam utilizado um dispositivo destinado a desbloquear o sistema de acesso do edifício. A estratégia permitiu que o grupo entrasse no prédio sem depender do procedimento convencional de identificação na portaria.

A ocorrência evidencia um dos pontos mais sensíveis da segurança em condomínios: o controle de entrada de pessoas que utilizam serviços de entrega. A movimentação constante de motociclistas, ciclistas e entregadores pode criar oportunidades para criminosos tentarem se apresentar como prestadores legítimos.

Primeiro apartamento estava vazio

Depois de entrar no edifício, o grupo teria seguido para um apartamento que estava sem moradores no momento da ação.

Segundo os registros divulgados sobre o caso, a porta da cozinha apresentava sinais de arrombamento. A perícia encontrou vestígios compatíveis com o uso de uma ferramenta semelhante a um pé de cabra.

Os suspeitos teriam revirado os cômodos e deixado o imóvel após procurar objetos de valor. Posteriormente, o proprietário informou o desaparecimento de relógios.

Moradora foi mantida em um cômodo

Na sequência, os homens teriam entrado em outro apartamento do mesmo edifício. Dessa vez, havia uma moradora no imóvel.

Segundo o boletim de ocorrência, a mulher teria sido confinada em um closet enquanto os suspeitos vasculhavam a residência. Joias foram levadas durante a ação.

O episódio aumenta a gravidade da ocorrência porque demonstra que a invasão não ficou restrita ao acesso indevido às áreas internas do prédio. Os suspeitos também teriam conseguido chegar diretamente às unidades residenciais.

Perícia encontrou vestígios da ação

A perícia foi acionada para analisar os dois apartamentos e buscar elementos que possam auxiliar na identificação dos envolvidos.

Os suspeitos também utilizavam luvas durante a ação, segundo as informações divulgadas sobre o caso. No segundo imóvel, a análise pericial teria sido parcialmente prejudicada porque a moradora organizou o ambiente após o ocorrido, alterando parte das condições encontradas inicialmente pelos peritos.

As imagens de segurança também podem contribuir para a investigação. Segundo informações divulgadas localmente, câmeras registraram a movimentação dos envolvidos durante a entrada e a saída do edifício.

Caso segue sob investigação

A Polícia Militar realizou buscas após o crime, mas não localizou os suspeitos. A ocorrência foi encaminhada para a Polícia Civil, que deverá dar continuidade às investigações.

As vítimas foram posteriormente contatadas para prestar esclarecimentos e adotar as providências necessárias. O registro policial também poderá receber novas informações conforme o avanço da apuração.

Até o momento, não havia identificação oficial dos autores nem informações sobre prisões relacionadas ao caso.

Controle de acesso é ponto crítico

O episódio reforça a importância de procedimentos específicos para o recebimento de encomendas em condomínios. A identificação de entregadores e a definição de locais adequados para a entrega podem reduzir a circulação de pessoas não autorizadas pelas áreas internas.

A simples aparência de um prestador de serviço ou o uso de equipamentos associados a plataformas de entrega não deve ser considerado suficiente para liberar automaticamente o acesso às áreas residenciais.

Dependendo da estrutura do empreendimento, alternativas como áreas de recebimento externas, armários inteligentes, identificação por aplicativo e comunicação direta entre portaria e morador podem ajudar a reduzir vulnerabilidades.

Tecnologia precisa estar associada a protocolo

O caso também mostra que sistemas eletrônicos de controle de acesso precisam ser acompanhados por procedimentos de segurança. Um equipamento destinado a facilitar a entrada pode se tornar um ponto de vulnerabilidade quando há formas de contornar ou manipular o sistema.

Por isso, condomínios devem manter equipamentos atualizados, revisar periodicamente os mecanismos de acesso e orientar funcionários sobre situações que possam indicar tentativa de fraude.

A utilização de câmeras também é relevante para registrar movimentações, identificar horários e auxiliar as autoridades na investigação de ocorrências.

Prevenção envolve moradores e funcionários

A segurança não depende exclusivamente da portaria. Moradores também podem contribuir evitando liberar o acesso de desconhecidos, confirmando entregas e comunicando imediatamente movimentações consideradas suspeitas.

Para síndicos e administradores, ocorrências como a de Bragança Paulista podem servir como oportunidade para revisar os protocolos existentes e identificar pontos vulneráveis.

Treinamentos periódicos, procedimentos claros para entregadores, manutenção dos equipamentos e integração entre funcionários e moradores ajudam a criar camadas adicionais de proteção.

O caso reforça, ainda, que criminosos podem explorar situações aparentemente rotineiras para obter acesso a condomínios. Por isso, a prevenção precisa considerar não apenas invasões tradicionais, mas também estratégias baseadas em engenharia social, disfarces e exploração dos hábitos de circulação.

Para os condomínios, o principal alerta é que o controle de acesso deve ser tratado como um processo contínuo. A combinação entre tecnologia, procedimentos, treinamento e atenção dos moradores pode reduzir oportunidades para que pessoas não autorizadas ultrapassem as barreiras de segurança.

Fonte: Jornal Bragança