Facção usava condomínio como base do tráfico
Denúncia do Ministério Público revela que organização criminosa controlava tráfico de drogas 24 h em residencial e impunha regras a moradores, com lavagem de dinheiro e expulsões

Uma denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) revelou que uma organização criminosa utilizava um condomínio residencial em Tubarão como base estruturada para o tráfico de drogas, movimentando cerca de R$ 450 mil por mês em operações ilícitas. A acusação foi aceita pela Justiça, tornando quatro integrantes do alto escalão do grupo réus em ação penal por tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de capitais.
De acordo com a investigação, o esquema funcionava de forma hierarquizada e permanente, com controle total do território dentro do condomínio chamado Parque das Torres. Um dos denunciados exercia a função de chefe do ponto de venda, determinando quem podia entrar ou sair do local, impunha regras internas e chegou a expulsar moradores que se opunham às atividades do grupo criminoso.
Testemunhas e provas juntadas ao processo indicam que o líder mantinha uma vida incompatível com sua renda formal, ostentando veículos de luxo, imóveis e joias adquiridos sem comprovação de origem lícita. O uso de fachada empresarial mascarava o verdadeiro volume de dinheiro gerado pelo tráfico, caracterizando o crime de lavagem de capitais.
Outro integrante denunciado era responsável pelo controle financeiro e pela logística, incluindo a compra de insumos e a articulação do abastecimento de entorpecentes, enquanto outro cuidava da coordenação operacional e da supervisão de vendedores e adolescentes recrutados para atuar na venda de drogas.
O quarto membro do grupo tinha papel central na ocultação de patrimônio ilícito, mantendo estabelecimentos comerciais que funcionavam como fachada para a lavagem de dinheiro, com movimentações incompatíveis com as atividades declaradas.
O MPSC também solicitou à Justiça a fixação de indenização por danos morais coletivos, em razão dos impactos sociais produzidos pelas atividades criminosas no entorno do condomínio e na segurança da comunidade, além do perdimento dos bens adquiridos com recursos ilícitos, que já foram sequestrados por decisão judicial.
Especialistas em segurança pública ressaltam que episódios em que facções se instalam em áreas residenciais representam não apenas uma grave ameaça à segurança dos moradores, mas também um desafio para a gestão condominial, que muitas vezes se vê envolvida em conflitos não previstos e enfrenta dificuldades para proteger o patrimônio e a tranquilidade dos residentes.
O caso reforça o debate sobre a necessidade de cooperação entre gestão condominial, moradores e forças de segurança para prevenir a infiltração de grupos criminosos em ambientes residenciais e garantir a integridade física e social das comunidades.
Fonte: HC Notícias