Pular para o conteúdo
Noticias

Facção que dominava condomínio em Canoas é alvo de megaoperação policial

Ação conjunta desarticula grupo criminoso suspeito de extorquir moradores e impor toque de recolher; investigação revelou que o condomínio era usado como base para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Facção que dominava condomínio em Canoas é alvo de megaoperação policial
Foto: Foto: Reprodução

Facção que dominava condomínio em Canoas é alvo de megaoperação da Polícia Civil

Polícia Civil desarticula organização criminosa que impunha toque de recolher, extorquia moradores e usava imóvel residencial como ponto estratégico para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Uma facção criminosa que controlava um condomínio no bairro Guajuviras, em Canoas (RS), foi alvo de uma operação de grande envergadura realizada pela Polícia Civil na manhã da última sexta-feira (17/05). A ofensiva contou com mais de 100 agentes mobilizados para cumprir 44 mandados judiciais – 22 de busca e apreensão e 22 de prisão preventiva – com o objetivo de desarticular a estrutura do grupo que impunha regras próprias aos moradores da área residencial.

A investigação aponta que o condomínio era dominado por uma facção armada, que impunha toque de recolher, restringia a circulação de pessoas, extorquia moradores e utilizava os apartamentos para armazenar drogas, armas e dinheiro oriundo do tráfico. A base de atuação ficava em um conjunto habitacional popular, onde a presença do crime organizado tornou-se constante nos últimos anos.

Segundo a Polícia Civil, além da distribuição de drogas e da presença ostensiva de homens armados no interior do condomínio, o grupo também utilizava os espaços comuns e os acessos internos como corredores estratégicos para o transporte de entorpecentes. Adolescentes eram cooptados para integrar a logística do tráfico, inclusive sendo usados como “olheiros” e “mulas” para burlar fiscalizações.

A facção investigada é uma das mais atuantes na Região Metropolitana de Porto Alegre, e vinha expandindo sua atuação com foco em dominação territorial. A atuação no condomínio em Canoas fazia parte dessa estratégia, utilizando a vulnerabilidade social e a ausência de fiscalização regular como catalisadores para o avanço do crime organizado.

Durante a operação, diversas apreensões foram realizadas, incluindo drogas prontas para comercialização, celulares, munições e registros financeiros da atividade criminosa. Os policiais também prenderam suspeitos com antecedentes por homicídio, roubo, tráfico e porte ilegal de arma de fogo.

De acordo com a delegada Mayara Feraboli, da 2ª Delegacia de Polícia de Canoas, o objetivo da ação foi romper com o ciclo de medo instaurado entre os condôminos.

“Os moradores estavam acuados, impedidos de denunciar ou até mesmo de circular livremente à noite. Era uma situação de domínio completo por parte da facção”, destacou.

A investigação teve início há mais de seis meses, após denúncias anônimas e relatos de vítimas que preferiram permanecer sob sigilo. A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Canoas também participou da operação, em razão do histórico violento dos suspeitos envolvidos.

As autoridades ressaltam que ações como essa são fundamentais para reestabelecer a ordem e garantir o direito à moradia segura e digna. O condomínio, que deveria ser um espaço de proteção e convivência, havia se tornado um centro de operações criminosas, colocando em risco não apenas os moradores, mas toda a comunidade do entorno.

A Polícia Civil informou que novas fases da operação estão previstas e que o trabalho de investigação continua em andamento. Os presos serão encaminhados ao sistema prisional e responderão por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, extorsão, constrangimento ilegal, corrupção de menores e posse ilegal de arma de fogo.

A operação também serve de alerta para síndicos e administradores condominiais sobre a importância da vigilância ativa, do cumprimento das obrigações legais de segurança e da articulação com órgãos públicos no combate à infiltração do crime organizado em espaços residenciais.

Fonte: GZH